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O presidente Lula, participa do Fórum Empresarial do Brics, no Pier Mauá | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Presidente Lula, durante o Fórum Empresarial do Brics, no Pier Mauá (5/7/2025) | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Edição 277

Gabinete do ódio

O governo Lula faz enfim alguma coisa, pelo menos uma, e obtém resultado imediato: a campanha do ódio do 'nós contra eles' já produziu a sua primeira ameaça de morte

Depois de dois anos e meio, o governo Lula faz enfim alguma coisa, pelo menos uma, e obtém resultado imediato: a campanha do ódio do “nós contra eles”, sendo “nós” os pobres comandados pelo presidente, e “eles”, os ricos que formam a oposição, já produziu a sua primeira ameaça de morte. Um professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, antigo gato gordo da máquina petista na primeira encarnação de Lula, escreveu na internet que a filha do publicitário paulista Roberto Justus deveria ser executada na “guilhotina” por ter aparecido numa foto de família com uma bolsa de grife. A menina tem 5 anos de idade.

Foi um sucesso imediato de público. Talvez não tenha sido o sucesso que os estrategistas da nova propaganda oficial imaginavam. Sim, eles apostam tudo, agora, na guerra dos “pobres contra os ricos”. Nada deu certo até hoje para “melhorar a imagem” do governo; por que não, nesse caso, uma descarga concentrada de ódio para ver se o jogo muda nas redes sociais, onde o governo Lula só apanha, há anos? Leva nota 9 na mídia que se considera séria, e muito pouca gente lê. Leva nota zero nas redes, onde está realmente o público. Mas o megabarulho causado pela história da menina e da sua bolsa não parece ter sido o que Lula queria. Mal começa o jogo e a nossa primeira proposta é assassinar uma garota de 5 anos?

Tem gente gostando, porque o PT e a esquerda brasileira adoram esse tipo de solução para tudo. “Tem de m.t.r. mesmo”, festejou outra figura das novas milícias digitais de Janja e do ministro Sidônio. Outro barão do extremo lulismo tinha dito há tempos, sob intenso aplauso, que tudo o que a “direita” podia esperar era “um bom fuzil, uma boa bala e uma boa cova”. Antes, ainda no governo Bolsonaro, fizeram um vídeo no qual uma garotada aparecia jogando futebol com a cabeça do presidente, roubada de seu suposto túmulo. Durante a campanha eleitoral de 2018, na verdade, um militante do Psol (apresentado como “ex”) tentou, fisicamente, matar Bolsonaro com uma facada no estômago. Quase conseguiu.

Quer dizer: é disso mesmo que eles gostam, e a declaração de “guerra aos ricos” feita por Lula tem tudo para descambar nesse “viva a morte” que tanto fascina a extrema esquerda do Brasil e de outros lugares do mundo. É o entendimento-padrão que o professor federal do Rio e militantes como ele fazem das rezas do presidente. Lula levanta, numa das suas manifestações de porteira fechada, um cartazinho exigindo “taxação dos super-ricos”. O professor vê e acha que deve exigir a guilhotina para a garota. Quantos mais haverá como ele? Num país onde o Estado não consegue garantir a vida dos cidadãos, e no qual os índices de violência estão entre os piores do mundo, atiçar hostilidades e jogar deliberadamente uns contra os outros é um convite aberto para o crime político.

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Luiz Inácio Lula da Silva (@lulaoficial)

Isso não é problema para Lula; nunca foi e não é agora, à beira dos 80 anos de idade, que começará a ser. Ele já ficou, publicamente, a favor de um sindicalista que tentou matar um adversário do PT num confronto de rua. Com seu apoio cada vez mais radical aos aiatolás, é a favor do enforcamento de gays e do assassinato de mulheres no Irã. É um entusiasta do paredón de Fidel Castro. Está pouco ligando para as consequências de seu grito de guerra contra os “ricos” — se tirar vantagem pessoal da violência, e ele acha que vai tirar, dane-se o que aconteça com os outros. Além disso, é coisa de instinto. Lula sempre jogou pobres contra ricos, negros contra brancos, nordestinos contra sulistas. É irresponsável. Mas é também a regra número 1 da sua doutrina política: “Não tenha nenhum escrúpulo. Depois pense no resto”.

Não interessa ao presidente, da mesma forma, o constrangimento maciço que a sua “guerra aos ricos”, sob o disfarce de aumentar os impostos para quem “ganha demais”, impõe contra o décimo primeiro mandamento registrado nas Tábuas da Lei dos seus parceiros do STF: “Não farás discurso do ódio nas redes sociais” (nem fake news, nem “desinformação” e nem, acima de tudo, notícias verdadeiras que Lula quer esconder). Temos, até mesmo, um inquérito policial perpétuo contra quem o Supremo acha que é inimigo do governo Lula — ou, no idioma oficial, inimigo das “instituições”, do Estado de Direito e da democracia. A guerra de Lula é a desmoralização definitiva de toda essa conversa. Mas e daí?

Vai ficar chato para o STF? Vai, mas para Lula isso é problema do STF. De mais a mais, será que dá para a nossa “suprema corte”, como diz Lula, ficar mais desmoralizada do que já está? Que diferença vai fazer? Na verdade, nem os ministros estão muito interessados no que as pessoas pensam ou deixam de pensar a seu respeito; se pensassem, não tomariam as decisões que tomam, nem teriam a conduta que têm. Quem passa a vida em conversinha com milionário-raiz que tem cadeira cativa nos Gilmarpaloozas que rolam por aí, e cujas causas vai julgar, já trocou a biografia pelas questões do aqui e agora, sempre mais urgentes. Suas mulheres advogadas não ganhariam causas no STF. Viajariam em aviões de carreira, e não na FAB-Uber.

Mais que tudo, o STF desfruta das vantagens de ter eliminado da ordem jurídica brasileira crenças selvagens como a de que as sociedades devem ser governadas por leis, e não por quem manda na força armada — ou a de que a mesma lei tem de valer para todos. Na conquista civilizatória que o STF nos proporcionou, ficamos livres desses atrasos de vida e avançamos para o estágio em que a lei é customizada — consegue separar os bons, a esquerda, dos maus, a direita, protegendo uns e castigando outros. Elimina-se assim a distorção de tratar de forma igual pessoas que são desiguais; justiça é isso. Para o Programa Nacional do Ódio é uma mão na roda. Chamar Michelle Bolsonaro de “Micheque”, por exemplo, é “liberdade de opinião” para a Justiça brasileira. Exigir a guilhotina para crianças de direita é uma “avaliação histórica”, e jogar bola com a cabeça do adversário é “liberdade artística”. Dizer que Lula é ladrão, conforme decidido em três instâncias da Justiça Penal, é ódio da extrema direita.

Luís Roberto Barroso, presidente do STF, e Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, durante abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção, em São Paulo (8/4/2025) | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A reinvenção da “luta de classes” como arma política, com o Congresso Nacional nomeado pelo governo Lula para o papel de “inimigo do povo”, é uma agressão direta às instituições, mas a pergunta, de novo, é: “E daí?” Isso só vale para Bolsonaro, que está inelegível até 2030 por ter dito a um auditório de embaixadores que as urnas do TSE não são confiáveis — ou para o ex-deputado Daniel Silveira, que foi condenado a nove anos de cadeia por ter dito meia dúzia de desaforos para o STF. Lula e o PT podem dizer, à vontade, que o Congresso é a favor dos ricos e persegue os pobres, que é “impossível” governar o Brasil com essa Câmara e esse Senado que “estão aí” e que os parlamentares são o grande “inimigo de classe” do povo brasileiro. Bater em deputado é fácil — quem está disposto a defender político neste país? O discurso do ódio, aí, sai de graça. A esquerda ganha o seu Judas de Sábado de Aleluia, e Lula não corre risco nenhum.

O problema de todos esses planos, como sempre, é a pergunta que Adão fez a Eva na hora de comer a maçã: “Será que isso vai dar certo?” Os primeiros resultados da guerra contra os ricos, do ponto de vista de Lula, são inconclusivos. Terão de render mais do que renderam até agora, com certeza, para resolver o seu problema — e terão de render mais depressa, pois ele não está com tempo sobrando para nada. A maior parte da mídia, como se poderia imaginar, dá como certo que Lula já ganhou. É uma excelente razão para achar que já perdeu, mas ainda há muito chão pela frente — por enquanto não dá, simplesmente, para cravar nada. O que se pode garantir é que a caminhada de Lula vai ser morro acima e debaixo de fogo inimigo.

As impressões iniciais são de que o aumento do IOF “para os ricos”, as promessas de isenção do Imposto de Renda para ganhos de até R$ 5 mil por mês e o ataque das milícias digitais lulistas contra os “inimigos do povo” melhoraram o estado de morte clínica do governo Lula nas redes sociais. Mas não está claro se essa melhora é suficiente, nem se veio a tempo. Uma empresa que monitora cerca de 100 mil grupos de WhatsApp registrou 50% de mensagens negativas para o governo ao longo do último mês na questão do aumento do IOF, contra 11% a favor — o que não é animador para quem se dispõe a fazer uma revolução. Outras pesquisas indicam a mesma trava.

Há o risco de que, ao declarar sua guerra de classes no Brasil, Lula de fato levante hostilidade contra os ricos — mas o problema é que a população veja nele mesmo e na sua mulher, justamente, o pior tipo de rico. Cabe na cabeça de alguém que numa hora dessas Janja, de novo ela, seja fotografada no shopping mais caro do Leblon? Ou que use um avião da FAB com 200 assentos para ir sozinha à Rússia? Ou continue a se exibir em público como um cabide de grifes de novo-rico? Há o risco de apenas irritar a maioria dos pobres — que não têm nada contra os ricos, mas, sim, contra a própria pobreza. Há o risco de que as pessoas sintam que estão sendo feitas de palhaças com a lorota de que aumento de imposto, seja para quem for, tira alguém da pobreza. Quem acredita nisso?

janja ; lula
Janja na Rússia (3/5/2025) | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Há, mais do que tudo, o problema central, que não muda absolutamente nada com a guerra contra os ricos: o governo Lula é um filme-catástrofe, mas o presidente acha que resolve tudo com uma “narrativa” e com queima de dinheiro público em “imagem”. Não quer mexer em nada na calamidade que tem sido a sua administração. Não pode sair à rua. Não faz uma única coisa que possa ser considerada útil para alguém. Enfim, não existe nenhum problema em seu governo que possa ser atribuído à existência de ricos no Brasil. É o exato contrário: o que de fato complica as coisas é que há pobres demais, e nenhuma ideia coerente para diminuir o seu número. Esta é a única guerra que faz sentido — a guerra contra a pobreza. É algo que Lula, o PT e a esquerda brasileira não vão fazer nunca.

Leia também “Sociedade das ideias mortas”

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27 comentários
  1. Urias Roberto da Silva
    Urias Roberto da Silva

    Li, outro dia, que a esquerda sempre pretende repartir a riqueza dos outros, nunca em criar mais riqueza.

  2. Teo Ferreira Radialista
    Teo Ferreira Radialista

    Lula é o pior presidente da história do Brasil 🇧🇷

  3. Alex Moreira Guimarães
    Alex Moreira Guimarães

    Esquerda e sua claque hipócrita, cheia de degenerados mentais, desinformados, adoradores de ditadores!

  4. Eric hugo Saler
    Eric hugo Saler

    Sinto muito mas o cara que acima consta que não gostou é mucho BURRO!

  5. Vitor Hugo Stepansky
    Vitor Hugo Stepansky

    Lagostas vinhos premiados muito avião da Fab tour pagos com dinheiro público e muita vaidade para ignorar as leis e a constituição todos os dias. vaidade e cara de pau para violar a constituição

  6. Sandra A. Hipolito
    Sandra A. Hipolito

    É, Guzzo tem razão mas acredito que ao levantar TAG e essa se mostrar positiva e com adesão irrite mais a esquerda a ponto de sair JANJA FAZENDO bobagens( compras shoping dito mais caro) e a que se intitulou psicóloga ratificar o outro que se diz professor( ameaçar a vida de uma criança). Essa guerra de ego palavras é querer manter o poder não parece ter fim..
    Aliás o tal pobre estimulado pelo seu Lula de rico contra os pobres, buscar a cervejinha ou ” o seu” celular ceifou vidas e piora a busca , as vidas e nada mais se faz a não ser jogo, roubos e mortes.

  7. Perecles Antônio Gonçalves Pacheco
    Perecles Antônio Gonçalves Pacheco

    Se Lula da Silva continuar bebendo desse tanto o risco que ele corre de ficar sem as pregas do cu é enorme. Ele fica andando com esses ditadores aumentando ainda mais o perigo. Esses ditadores não perdoam nada, comem mais do que limatão.

  8. jose angelo
    jose angelo

    Neste jogo sórdido 90% da populaçãoo aguarda que esses psicopatas Termin em no xadrez

  9. Paulo César de Castro Silveira
    Paulo César de Castro Silveira

    Motivo do ódio: São brancos de olhos azuis.

    1. Urias Roberto da Silva
      Urias Roberto da Silva

      Lamentamos, mas a reprodução de conteúdo desta página não é permitida.

    2. Urias Roberto da Silva
      Urias Roberto da Silva

      Não posso citar, mesmo entre aspas e se errar ou me arrepneder, posso editar

  10. Luis Roberto Pinheiro Ferreira
    Luis Roberto Pinheiro Ferreira

    “lula” é um mal que está mais próximo do seu fim do que nunca, seja a sua matéria que apodrecerá como também sua vida política. E sem ele, não haverá mais retóricas, bravatas e falácias de um falastrão que arrasta o país para esse empobrecimento socioeconômico. Estamos hoje um país muito mais dividido e acirrado do que antes. E ele e sua trupe pregavam “União e Reconstrução”. União??? Reconstruir o que??? O que estava certo?? É justamente isso o que eles querem pregar e nos fazer de reféns.
    Não há mal que dure pra sempre e o que nos assola está próximo do fim.

  11. Rogério James de Andrade
    Rogério James de Andrade

    Quanto mais pobres melhor para essa esquerda, que utiliza a própria pobreza para tirar proveito,utilizando a esmola para subjulgar e humilhar o cidadão,já dizia o grande poeta dos nordestinos.Parabéns,Guzzo,por mais uma obra prima semanal.

  12. Maria Cecilia Rodrigues Nucci Alves Pereira
    Maria Cecilia Rodrigues Nucci Alves Pereira

    Lula quer taxar os super ricos? Ele estaria na lista? Porque rico ele é. Talvez até o único metalúrgico rico neste país.

  13. Maria Cecilia Rodrigues Nucci Alves Pereira
    Maria Cecilia Rodrigues Nucci Alves Pereira

    Lula quer taxar os super ricos? Ele estaria na lista? Porque rico ele é. Talvez até o único metalúrgico rico neste país.

  14. Manfredo Rosa
    Manfredo Rosa

    E o pior é que tomaram mesmo o poder o que diferente de ganhar eleição. Esse tempo acabou, disse alguém. O Brasil, historicamente pobre, atingiu agora o fim da história. E mais pobre ainda.

  15. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Ô Trump manda uma Arraia Preta aí pra praça dos três poderes

  16. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Perfeita análise, com certeza essa podridão do pt e seus jumentos amestrados vão cair

  17. Carlos Alberto de Oliveira
    Carlos Alberto de Oliveira

    A Oeste é o que há de melhor no jornalismo brasileiro.

  18. Jurandir
    Jurandir

    É por isso que assino a Oeste, mais uma vez Guzzo dando a letra, falando umas verdades inconvenientes. Ansioso pela Oeste TV. Continuam!!!

  19. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Lula veio para São Paulo de Garanhuns e ficou rico roubando sempre dinheiro do povo e depois com corrupção e contratos muito bons para seu bolso.Se um rico que ganhou dinheiro com trabalho e não roubando,pode gastar seu próprio dinheiro como quiser. Lula e esse PT da idade média são fanáticos e acham que a guilhotina seria uma ótima solução para punir crianças ricas. Não adianta, essa esquerda que está no poder ostenta diariamente suas posses e dinheiro roubado de quem mais precisa.Esse discurso não cola mais para ninguém. Lula está de fato desesperado, pois o Brasil vai mal, mas muito mal mesmo.O mundo todo assistindo. Lula fala o que quer, sem sem a mínima noção das consequências que causam.Mas ignorância e arrogância andam sempre coladas no que faz.

  20. Jorge Sakamoto
    Jorge Sakamoto

    Um reparo ao termo FAB-Uber: no Uber o usuário paga a conta. Esses usuários que abusam da FABTur não pagam!

    1. ROBERTO MIGUEL
      ROBERTO MIGUEL

      perfeito, a FABTUR ´quem paga é o otario do pagador de impostos

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