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Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Edição 276

O PT quebrou os Correios

E mais: os recordes petrolíferos, os carros voadores da Embraer, a inadimplência no campo e a queda do setor de serviços

Os Correios estão quebrados e já pediram socorro ao governo federal para evitar o colapso das operações. A Fazenda deveria injetar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões para tentar solucionar a crise financeira da estatal. Todavia, não haveria espaço no Orçamento deste ano para esse tipo de resgate.

Gestão desastrosa

Durante todos os anos do terceiro mandato de Lula, os Correios registraram uma sequência crescente de prejuízos. Muito embora o governo Bolsonaro tenha entregado a estatal com um lucro de R$ 200 milhões.

Em 2023, o rombo foi de R$ 633,5 milhões, enquanto em 2024 esse vermelho subiu para R$ 2,6 bilhões. Somente nos três primeiros meses de 2025, os Correios registraram um saldo negativo de R$ 1,7 bilhão. Mais que o dobro do acumulado no primeiro trimestre de 2024 (R$ 801,2 milhões).

Correios enfrentam crise e têm rombo bilionário | Foto: Reprodução/Flickr
Correios enfrentam crise e têm rombo bilionário | Foto: Reprodução/Flickr

Calotes já começaram

Em dezembro de 2024, os Correios deram calote no aluguel de um galpão logístico em Contagem (MG), usado para separar e distribuir encomendas no Estado.

A estatal não pagou R$ 2,7 milhões no mês, tendo já acumulado uma dívida de R$ 32,4 milhões ao longo do ano passado.

O galpão é de propriedade do Fundo de Investimento Imobiliário Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11), que foi obrigado a registrar o acontecimento como um fato relevante junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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Oi faz aditamento à recuperação judicial

O Grupo Oi apresentou uma proposta de aditamento ao seu plano de recuperação judicial perante o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O objetivo é garantir liquidez em meio à pressão no caixa e às dificuldades no cumprimento de suas obrigações financeiras.

A empresa de telecomunicações apresentou pedido de tutela de urgência à reestruturação das condições de pagamento dos credores trabalhistas e de certos credores quirografários, entre outras medidas, para aumentar a disponibilidade de recursos imediatos e garantir um fôlego financeiro.

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Recordes petrolíferos

A produção de petróleo no Brasil bateu mais um recorde em maio, chegando a 3,67 milhões de barris por dia. Uma alta de 10,9% na comparação com o mês de abril.

Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrobras se consolida como a principal produtora do Brasil, com 2,21 milhões de barris produzidos em maio.

Por sua vez, a produção de gás natural chegou a 172,3 milhões de metros cúbicos por dia em maio, uma alta de 18,3% na comparação anual e um crescimento de 2,6% ante abril.

Último prejuízo da Petrobras havia sido registrado na pandemia | Foto: Reprodução/OPetroleo
Petrobras se consolida como a principal produtora do Brasil | Foto: Reprodução/OPetroleo

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Carros voadores da Embraer na Costa Rica

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOL), assinou um memorando de entendimento (MoU) com a costa-riquenha AeroSolutions e a Bluenest by Globalvia para a compra até 50 “carros voadores”.

A AeroSolutions é responsável pelo desenvolvimento da operadora Aeros Electric Airlines, e a Bluenest by Globalvia é o braço de Mobilidade Aérea Avançada (AAM) da Globalvia e operadora de vertiportos.

O foco inicial da parceria será a região do Pacífico, no noroeste da Costa Rica, conectando aeroportos a resorts e a destinos ecológicos por meio de rotas entre 20 e 50 quilômetros.

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Telefónica vende fatia

A companhia espanhola Telefónica estaria estudando a venda de cerca de 20% da Telefônica Brasil, dona da marca Vivo. Atualmente, a empresa controla 70% da participação.

O objetivo da venda seria fazer caixa e financiar sua expansão na Espanha e na Europa sem comprometer o equilíbrio financeiro conquistado nos últimos anos.

As medidas fazem parte de uma ampla revisão estratégica conduzida pela companhia, com apoio da consultoria Boston Consulting Group. O plano deve ser apresentado oficialmente a partir de setembro.

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Cresce inadimplência no campo

A inadimplência do produtor rural pessoa física no Brasil chegou a quase 8% no primeiro trimestre. Uma alta de 0,9 ponto porcentual na comparação com o mesmo período de 2024.

Segundo dados divulgados pela Serasa Experian, o setor enfrenta “desafios” relacionados ao aumento de custos.

A quebra de safra de grãos no ano passado impulsionou a inadimplência. Mas em 2025 o Brasil teve uma colheita recorde de soja, o principal produto do agronegócio. Mesmo assim, a inadimplência subiu.

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RJ das pequenas

As micro e pequenas empresas foram responsáveis por quase 80% dos pedidos de recuperação judicial em abril.

Segundo o Indicador de Falências e Recuperação Judicial da Serasa Experian, foram registrados 167 pedidos de recuperação judicial no Brasil no período. Apesar da queda em relação a março (187), o número permaneceu elevado.

O destaque ficou com os requerimentos de micro e pequenas empresas, que somaram 132 pedidos — o equivalente a quase 80% das solicitações do mês. Em seguida vieram as médias empresas, com 18 solicitações, e as grandes, com 17. 

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Mercado de galpões superaquecido

O mercado de condomínios logísticos de alto padrão atingiu uma vacância de 7,2% no segundo trimestre de 2025. O menor nível desde 2016.

Segundo dados da Colliers, multinacional de serviços corporativos imobiliários e gestão de investimentos, no Brasil há um inventário total de quase 30 milhões de metros quadrados em galpões. Um crescimento de 3% na comparação trimestral e de 8% nos últimos 12 meses. Outros mais de 4 milhões de metros quadrados seguem em desenvolvimento.

A baixa taxa de vacância mostra a grande demanda por espaços para estoque e armazenagem, fruto do aumento das operações logísticas, com o avanço do e-commerce e a mudança do padrão de consumo.

Mercado de galpões logísticos registra forte expansão em 2025 | Foto: Shutterstock

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Governo quer turbinar venda de carros

O governo federal está se preparando para lançar o programa Carro Sustentável, que reduzirá o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos zero-quilômetro produzidos no Brasil.

A medida tem como objetivo incentivar a compra de carros com motores 1.0 flex que atendam a critérios específicos de eficiência e sustentabilidade.

O corte no IPI seria aplicado a modelos equipados com motor 1.0 flex de até 90 cavalos de potência, fabricados nacionalmente e que apresentem baixa emissão de poluentes, com limite de até 83 gramas de CO₂ por quilômetro rodado.

O programa exclui da lista de beneficiados carros eletrificados, importados e aqueles com motorização turbo, mesmo que apresentem baixo consumo ou emissões.

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Volkswagen quer investir no Brasil

A Volkswagen investirá R$ 16 bilhões no Brasil nos próximos três anos.

O plano prevê o lançamento de 17 novos veículos na América Latina, região onde a montadora alemã investirá R$ 20 bilhões no período.

A companhia está determinada a entrar no mercado dos híbridos no país, para fazer frente a empresas chinesas que estão começando a dominar o segmento.

Em junho de 2023, a Volkswagen havia suspendido a produção de carros em suas quatro fábricas no Brasil, alegando estagnação do mercado.

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Setor de serviços em queda

O setor de serviços continua sofrendo no Brasil. Em junho, a demanda caiu e os preços subiram, o que provocou o pior desempenho trimestral em quatro anos para o setor.

O Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), compilado pela S&P Global, caiu de 49,6 em maio para 49,3 em junho, ficando, por três meses seguidos, abaixo da marca de 50, que separa crescimento de contração.

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A burocracia deixa os países mais pobres

“Quanto mais burocracia, menos democracia.” Essa era a definição do então ministro da Desburocratização, Hélio Beltrão, sobre os efeitos da burocracia na vida dos brasileiros. Ele foi o primeiro e único chefe da pasta, rapidamente tragada e olvidada pelo reino da papelada imperante que é Brasília.

Mas a burocracia gera também efeitos econômicos perversos. Como reduzir a inovação, os investimentos, o desenvolvimento. “No final, uma burocracia asfixiante acaba deixando um país mais pobre”, explica em entrevista a Oeste a professora Sary Levy-Carciente, economista e coordenadora de pesquisa do Centro Adam Smith para a Liberdade Econômica.

A acadêmica está de passagem pelo Brasil a convite do Instituto Millenium para apresentar seu último trabalho, o Índice de Burocracia 2024. Uma análise sobre a condição e os efeitos da burocracia na América Latina e em alguns países europeus.

“Esse índice mostra quais são os gargalos que as empresas devem enfrentar para poder abrir e operar nos países da região”, explica Levy. “Curiosamente, os países com maiores entraves burocráticos são os mais pobres e aqueles onde o desenvolvimento é menor.”

Ao apresentar o Índice de Burocracia durante um evento organizado pelo Ibmec de São Paulo, Levy explicou como a burocracia acaba “coibindo a liberdade de trabalhar das populações” e “impedindo a geração de riqueza, renda e emprego. Além de favorecer a corrupção”.

Confira os melhores trechos da entrevista com a professora Sary Levy-Carciente.

Sary Levy-Carciente, professora, economista e coordenadora de pesquisa do Centro Adam Smith para a Liberdade Econômica | Foto: Arquivo Pessoal

Por que criar um Índice de Burocracia?

Criamos o Índice de Burocracia em 2021. Era a época da pandemia, e alguns países começavam a reabrir, a desregular, para tentar retomar suas economias. Mas na Venezuela, onde eu vivia na época, casualmente o governo começou a sobrerregular. Na época achei que aquilo acabaria com as poucas empresas que ainda sobravam no país. Portanto, a criação de um índice para medir os impactos da burocracia nas economias era, originalmente, uma tentativa de revisar o que acontecia na Venezuela. Mas, se você não compara com o que acontece em outros países, não consegue captar o que acontece no seu. Portanto, começamos a analisar a situação de seis países, e neste ano já são 22 países. Quase todos os latino-americanos e também três europeus: Espanha, Portugal e Itália.

Qual foi a metodologia de trabalho para esse estudo?

Iniciamos unicamente com um setor pouco analisado: quanto custa manter aberta uma empresa. As análises realizadas por entidades internacionais, como o Doing Business, do Banco Mundial, mostram informações sobre quanto custa abrir uma empresa. Mas ninguém sabia exatamente quanto custa manter aberta uma empresa. Os procedimentos de funcionamento passavam esquecidos em quase todos os relatórios. Por isso, buscamos uma métrica que todo mundo entendesse: o tempo. Quanto tempo consome a burocracia? Observamos que, em média, entre 40% e 60% do tempo de um trabalhador é perdido anualmente para cobrir os trâmites burocráticos. Existem países onde essa porcentagem cai para 15%, outros onde você precisa de três pessoas para cada trabalhador. Com o passar dos anos, incorporamos os trâmites de abertura. Então temos a medição de abertura e a de funcionamento. Em seguida, incorporamos um terceiro bloco, que é quanto isso custa economicamente, financeiramente, para a empresa e para o país. As pessoas acreditam que a burocracia é apenas um custo para a empresa. Mas o tempo que um trabalhador se dedica a essa atividade administrativa é um tempo em que ele não produz nada. A empresa não pode se dedicar a atender melhor seus clientes, não pode fazer melhoras no produto, não pode melhorar os serviços, não pode inovar. Além disso, há o enorme custo-oportunidade da corrupção que se gera por causa da burocracia. Porque, para superar essas barreiras, às vezes impossíveis, as empresas são obrigadas a buscar um gestor que termine corrompendo alguém para encontrar um mecanismo. E isso tudo pode custar até 40% para as exportações de um país.

Surpreendentemente, o Brasil está em uma boa posição, tanto nos custos de abertura como nos de funcionamento.

Sim, e eu fui a primeira a me surpreender. Pois esse resultado vai contra todas as outras pesquisas econômicas que conhecemos, como o Doing Business. A explicação dessa diferença é simples: o Doing Business mede a indústria mediana. O nosso índice acaba medindo as pequenas empresas. E no ano de 2020 o Brasil começou todo um processo de agilização para as micro e pequenas empresas que se enquadram no Simples Nacional. E isso melhorou de forma espetacular seu desempenho em termos burocráticos. Além disso, a experiência brasileira ensina algo muito válido: quando nossos países querem fazer algo bem-feito e corrigir os erros e os problemas, eles sabem e podem fazê-lo.

Qual é a situação da burocracia na América Latina hoje?

Nossas medições em nível nacional, tanto de funcionamento quanto de abertura, mostram uma situação de melhora substancial, pois os países levaram adiante programas de digitalização de processos, de melhoria da eficiência de seus sistemas etc. No entanto, quando você baixa a lupa para os governos locais ou municipais, para as licenças específicas, o problema começa a surgir. E as empresas começam a sofrer.

Por que você acha que isso acontece?

Há uma combinação de fatores. Por um lado, é a vontade de não perder poder. Os burocratas locais fazem resistência. Mas há outro elemento que tem a ver com o que eu chamo de autorreprodução da burocracia. Quando você elimina algo, aqueles que foram eliminados buscam um mecanismo para se reproduzir em outro nível. E, quando não o fazem em nível geográfico, o fazem setorialmente. Por exemplo, o setor de construção é um dos que mais horas consomem em trâmites burocráticos. Outro setor é o dos alimentos, principalmente nos países membros da União Europeia. Então, quando não é por uma via, é por outra. A burocracia não apenas consome tempo ou aumenta os custos, mas também é um mecanismo de controle. Não apenas gera corrupção, como tira a liberdade das pessoas e das empresas. Além disso, a burocracia pode ser considerada uma forma de protecionismo disfarçado. Por exemplo, a União Europeia tem uma série de leis ambientais, de qualidade dos alimentos, que são questões de mero protecionismo, de fato. São mecanismos para barrar a entrada da competição. Mas, sobretudo, o maior drama é que a burocracia acaba coibindo a inovação. Um exemplo típico é o das fintechs. Sem a autorização bancária, concedida pelo Estado, não se pode entrar nesse mercado. Não importa quão eficiente ou tecnologicamente desenvolvida uma empresa seja. Isso acaba afetando diretamente a inovação tecnológica de um país.

Qual é o efeito da burocracia na riqueza das nações?

Podemos dizer, sem dúvida, que a burocracia acaba deixando os países mais pobres, mais atrasados. Não permite que eles cresçam, impede qualquer aumento de produtividade, investimentos em inovação, em novas tecnologias. Paralelamente, planta e alimenta as redes de corrupção. A burocracia é uma das causas do subdesenvolvimento da América Latina. Não é o único fator, mas contribui de forma consistente.

Como professora latino-americana há anos nos Estados Unidos, você acha que os habitantes da América Latina querem empreender? Especialmente após tantos anos de paternalismo, populismo, peronismo, chavismo, lulismo, de Estado-babá?

Todos os nossos países têm enormes bolsões de informalidade. E o informal nada mais é que o empresário que trabalha paralelamente porque é impossível para ele se formalizar. Se nós facilitássemos sua entrada por meio de programas de formalização, veríamos que existe uma enorme classe de pequenos e médios empresários que estão produzindo riqueza, prosperidade e emprego para seus países. Além disso, existe uma visão liberal e a favor das empresas que está se espalhando pela América Latina. Eu posso falar particularmente do caso da Venezuela, onde nasci e cresci, e justamente após a experiência de mais de duas décadas do modelo de socialismo do século 21, que criou a maior rejeição à intervenção governamental. Eu nunca vi tantos jovens trabalhando, estudando e defendendo as ideias do livre mercado como hoje em dia. Na Venezuela, todo mundo entendeu perfeitamente o que significa um excesso de gasto público que não está apoiado por um aumento da produção. Quando você faz essa pergunta a qualquer pessoa na Venezuela, a resposta é uma só: inflação. Então o povo entendeu muito bem.

Leia também “Mercado já precificou: Haddad vai sair”

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2 comentários
  1. MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO
    MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO

    Faltou incluir no título da reportagem “de novo”

  2. MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO
    MAURO CESAR CALVAO MONNERAT DO PRADO

    Faltou incluir no título da reportagem “de novo”

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