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Celso Amorim, assessor-chefe do presidente da República | Foto: Montame Revista Oeste/Ronen Zvulun/Reuters
Edição 276

O pacifista do terror

Celso Amorim falou em guerra mundial depois dos ataques ao Irã, mas o cessar-fogo deu início a negociações de paz

Há menos de um mês, o mundo assistiu estarrecido à operação precisa e bem-sucedida de Israel na luta por sua sobrevivência. O país atacou alvos estratégicos no Irã. Conteve uma ameaça de destruição regional. Para o governo Lula (PT), porém, a derrota de um de seus aliados era mais um golpe de foice a arranhar sua imagem decadente. 

Dias depois do início dos ataques das Forças de Defesa de Israel (FDI), o assessor internacional, Celso Amorim, fingiu novamente ser um defensor da paz. Em tom dramático, o consultor de Lula falou em risco de uma guerra mundial, caso os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio “se comunicassem”.

Além da falta de percepção, a fala manteve aquele tom hipócrita de “vítima do Ocidente”. Mas não tinha novidades. Amorim apenas repetiu um discurso que isenta o Irã e transfere a culpa para os mesmos de sempre: Estados Unidos e Israel. Mas o tom alarmista escondia a convicção ideológica. Uma visão que chega ao ponto de tratar o Irã não como um regime que persegue minorias e financia o terror, mas como um injustiçado.

O Irã, que ameaça abertamente Israel, oprime sua população e arma grupos como Hamas e Hezbollah, foi pintado por Amorim como uma nação oprimida. A posição do assessor, fonte de desinformação para Lula, reforçou o alinhamento do governo brasileiro com regimes autoritários, desde que contrários aos interesses ocidentais.

A postura brasileira tem repercutido mal nos grandes veículos de países democráticos. O jornal The Economist afirmou em editorial que o discurso de Lula está isolando o Brasil:

A contundência da mensagem [contrária aos ataques de Israel ao Irã] colocou o Brasil em contradição com todas as outras democracias do Ocidente, que ou apoiaram os ataques ou apenas manifestaram preocupação.

Enquanto se calava sobre o Irã, o governo Lula acelerava a nomeação de André Veras Guimarães como embaixador em Teerã. Ao mesmo tempo, adia por meses a aceitação do novo embaixador de Israel, Gali Dagan. O posto diplomático em Tel-Aviv segue desocupado, depois de desentendimento entre os dois governos, em fevereiro de 2024.

A Federação Israelita do Estado de São Paulo reagiu. Declarou ser inaceitável que o governo do Brasil se feche ao diálogo com Israel, enquanto estreita relações com um regime marcado por ódio, repressão e apoio ao extremismo.

Amorim deu a tal declaração alarmista no dia 23 de junho. Já haviam se passado 11 dias desde os ataques israelenses contra instalações iranianas. Nesse período, Israel eliminou comandantes militares, cientistas nucleares e destruiu boa parte da infraestrutura usada na produção de mísseis.

Um dia antes da fala, os EUA completaram as ações israelenses. Atacaram Fordow, centro de enriquecimento de urânio encravado na montanha, e depósitos estratégicos em Isfahan.

Amorim tratou os ataques como violações do direito internacional. Sem nenhuma consideração à existência de Israel como Estado. 

Mas, em 24 de junho, os EUA começaram a contradizer as previsões do assessor pessimista. O país negociou um cessar-fogo e iniciou conversações para acordos futuros entre os envolvidos na região.

Outro cenário

O resultado foi imediato. Israel e o novo governo sírio ensaiam os primeiros contatos. O presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, marcaram uma reunião para a segunda semana de julho. Entre os objetivos estarão negociações com o Hamas, liberação de reféns e aproximação entre Israel e Arábia Saudita, em linha com os Acordos de Abraão.

O que Amorim previa como descontrole global virou o início de uma possível paz regional. O Irã, isolado, perdeu apoio da Rússia, atolada na guerra contra a Ucrânia, e da China, que evita confrontos diretos com o Ocidente por interesse comercial.

A fala dele revelou mais o desejo de um conflito do que a busca pelo diálogo. Refletiu a política externa do governo Lula: seletiva, ideológica, conivente com ditaduras e hostil à democracia liberal. Amorim é a voz desse modelo. Defende a diplomacia dos anos 2000, que fracassou. E segue protegendo o Irã e seu perigoso regime fundamentalista.

“Nós tentamos, há 15 anos, ajudar”, disse Amorim à CNN. “Conseguimos, junto com a Turquia, que o Irã aceitasse todas as condições. Mas o processo não evoluiu. Essa ideia de que ele pode ter a bomba em seis meses eu ouço desde 2010 e nunca se confirmou. Nada justifica esse bombardeio.”

Amorim insiste que houve violação do direito internacional, enquanto ignora os avanços do programa nuclear iraniano. Diz que a ameaça já existia dessa maneira desde 2010, o que não é verdade. Na época, o Irã enriquecia urânio a no máximo 3,67%, com inspeções constantes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e sob controle.

Hoje o cenário é outro. O Irã trabalhava com mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, quase no ponto de ruptura. Instalou centrífugas IR-6 em bunkers subterrâneos. Rompeu com o acordo nuclear desde 2018 e se recusa a aceitar inspeções, conforme denúncia da própria AIEA. Os ataques israelenses em 2024, em retaliação a bombardeios iranianos, enfraqueceram sua defesa aérea e criaram uma probabilidade que antes não existia.

Comparar 2010 com 2025 é distorcer os fatos. Amorim escolhe ignorar o risco atual, real e imediato. E se opõe, na prática, ao que chama de direito internacional.

“No regime do Irã, eles falam que seu objetivo é destruir o Estado de Israel”, destaca o escritor Henrique Cymerman. “Não há precedentes nas Nações Unidas em que um Estado diga que quer destruir outro Estado.”

O Mossad e Amorim

No mundo do conselheiro presidencial, pacifismo vira pretexto para proteger o terror. É a mesma lógica que levou o governo Lula a buscar aproximação com Nicolás Maduro, a relativizar a invasão da Ucrânia e a se distanciar de Israel depois da comparação indecente entre Gaza e o Holocausto, feita por Lula e nunca questionada por Amorim.

As promessas de protagonismo do grupo liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics), na Organização das Nações Unidas ou no Mercosul murcharam. Foram inócuos os resultados do tão exaltado Sul Global, formado por países em desenvolvimento da América Latina, África, Ásia e Oceania. A política externa brasileira virou palco de contradições e gastos extravagantes, muitos deles ligados ao entorno presidencial e à primeira-dama, Janja.

A cúpula do Brics, marcada para julho no Rio de Janeiro, deve repetir a irrelevância. Amorim já admite que não sabe a posição do Irã, convidado, nem se haverá qualquer consenso em relação às sanções sofridas pelo país. O Brasil será apenas anfitrião de um bloco fragmentado e sem direção.

Mesmo diante disso, ele não recua. Parece querer tudo, menos a paz. Assim, suas declarações não soam apenas incoerentes, mas também perigosas. O diplomata de 83 anos, que trata o Irã como o agredido, põe em dúvida até a destruição da capacidade nuclear iraniana e de seu arsenal balístico. “Não sei se realmente destruíram a capacidade do Irã”, disse. “O Irã não vai desistir de ter um programa nuclear pacífico.”

O Mossad, mais do que Amorim, sabe, depois de ter realizado a operação militar que para muitos foi a mais bem planejada da história. O general Eyal Zamir, chefe das FDI, também. Ele garante que o projeto nuclear iraniano foi fortemente destruído. E não era pacífico, conforme diz o “desinformado” Amorim. Pode vir a ser, com as negociações que o assessor de Lula não quer ver acontecer.

Leia também “Israel surrou o grandão arrogante”

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6 comentários
  1. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Este senhor aprisionou sua cabeça no século XV.
    Não tem diplomacia para representar nenhum país, salvo se for “governado” por Lula e sua trupe.

  2. Marcus Magalhães
    Marcus Magalhães

    Esse merda representa atraso, tudo que não precisamos atua como vendedor de ilusão com a meta de cacifar o ladrão de nove dedos a algum cargo na onu ou qualquer outra instituição inútil.

  3. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Celso Amorim é o comunista de pantufas na primeira classe do avião. Em uma história relatada por Augusto Nunes.

  4. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    O maior medo: que o STF e o bolsa família reelejam lula para mais quatro anos…… Ninguém pense que isso é impossível. Lula ainda é o candidato ideal do STF, da Globo, da Folha de São Paulo, do Estadão e do Nordeste como um todo. Prestem bastante atenção ao comportamento de Alcolumbre e daquele babaquinha da Cãmara dos Deputados…. O caminho está sendo pavimentado….

  5. Marcio Cruz
    Marcio Cruz

    O Celso Amorim ja prefaciou um livro a favor do Hamas. Como acreditar nessa figura?

  6. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Esse é outro ridículo do governo brasileiro sem nenhuma importância no cenário mundial vive dando palpites para o velho caduco

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