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Plenário do Congresso Nacional, em Brasília Foto: Eduardo Rocha Paz/Shutterstock
Edição 276

Carta ao Leitor — Edição 276

A parceria do governo Lula com o Irã e os imigrantes venezuelanos que continuam chegando ao Brasil estão entre os destaques desta edição

Até pouco tempo atrás, os políticos brasileiros tinham pudor suficiente para não se exceder no descaramento. Não se ouvia falar com tanta naturalidade, por exemplo, que certo ministro de Estado fazia parte da “cota” deste ou daquele partido, “cota pessoal do presidente”, e muito menos da “cota da primeira-dama”. Os deputados não condicionavam tão abertamente a aprovação de algum projeto mediante liberação imediata de emendas. E o Supremo Tribunal Federal não tentava revogar uma decisão aprovada pela maioria dos parlamentares.

Agora, como fica claro na reportagem de capa desta edição, está em curso no Brasil uma tentativa sem disfarces de anular o Poder Legislativo. “Ao contrário do que ocorreu em outros momentos da história do país, desta vez não há movimentação de tropas nem generais no comando: quem pretende dissolver o Congresso Nacional é o consórcio que venceu as eleições de 2022, formado pelo STF e pelo PT”, observa Silvio Navarro. “O que aconteceu em Brasília foi um festival de inabilidade política e autoritarismo.”

Esse coquetel de inabilidade e autoritarismo aparece na forma como o governo lidou com a guerra entre o Irã e Israel. J.R. Guzzo compara o Brasil de 1947, quando o chanceler Oswaldo Aranha presidiu os trabalhos da sessão da ONU que criou o Estado de Israel, ao país governado por Lula, aliado do terrorismo, do crime e das ditaduras mais sórdidas do planeta. “O Brasil piorou tanto que virou um país-bandido”, constata Guzzo.

Dias depois do início dos ataques, lembra Eugenio Goussinsky, Celso Amorim, assessor internacional de Lula, repetiu o discurso que isenta o Irã e transfere todos os pecados aos Estados Unidos e a Israel. “O tom alarmista escondia a convicção ideológica”, afirma Goussinsky. “É uma visão que chega a tratar o Irã não como um regime que persegue minorias e financia o terror, mas como um injustiçado.” Caso lesse a reportagem de Miriam Sanger, correspondente de Oeste em Israel, Amorim descobriria que o regime iraniano assombra os israelenses há décadas.

Guzzo ressalta que o país que poderia ter resultado do que existia em 1947 foi deformado por 40 anos de política “em torno, em função e em reação” permanente a Lula. Agora, com a ajuda do STF, ele está enfim construindo o que sempre quis: “uma ditadura no Brasil”, adverte Guzzo. “Como diz a ministra Cármen Lúcia, num grande outdoor do pensamento oficial, ter uma opinião pessoal é crime — coisa de ‘pequenos tiranos’.” Em seu artigo, Augusto Nunes mostra que a mulher que achava que cala a boca já morreu transformou-se na figura que faltava: a boba da corte.

A infâmia não para por aí. Além do caso de amor com o Irã no Oriente Médio, Lula continua a apoiar o ditador Nicolás Maduro na América Latina — alheio à catástrofe venezuelana que bate às portas do Brasil todos os dias. O repórter especial Cristyan Costa passou uma semana em Roraima acompanhando a chegada descontrolada de moradores do país vizinho. O IBGE revelou que a quantidade de venezuelanos que residem no Brasil deu um salto de mais de 9.000% entre 2010 e 2022. Eram cerca de 3 mil. Hoje são mais de 270 mil. Nos cálculos do Ministério da Justiça, esse número é quatro vezes maior.

A maioria dos imigrantes chega por Pacaraima (RR) e, depois de uma ligeira triagem, é liberada para a travessia da fronteira. Na reportagem especial, Costa conta quem são, como vivem e para onde vão as vítimas do amigo de Lula.


Boa leitura.

Branca Nunes,

Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 276. Plenário da Câmara dos Deputados | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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7 comentários
  1. PAULO GILBERTO MORAIS DOS SANTOS
    PAULO GILBERTO MORAIS DOS SANTOS

    Meu primeiro comentário não tem a ver com o que li, mas com a satisfação em chegar à condição de assinante da revista, e com a expectativa de que seja duradoura nossa “relação”. Quiçá, possa contribuir de alguma forma com o crescimento da Oeste e do que a ela disser respeito. Um fraterno abraço a todos.

  2. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    “O consórcio que venceu a eleição de 2022, STF e PT”
    É assim mesmo que deve ser chamado.
    Parabéns por mais uma brilhante edição.

  3. JOSE FERNANDO MOURAO CAVALCANTE
    JOSE FERNANDO MOURAO CAVALCANTE

    O DESGOVERNO LULA ESTÁ MAIS PERDIDO DO QUE CEGO EM TIROTEIRO! NÃO SABE PARA ONDE VAI….MAS SEMPRE CAMINHA PARA O BURACO, PARA O FRACASSO TOTAL! O POVO BRASILEIRO ESTÁ CANSADO E SÓ AGUARDANDO O DESFECHO FINAL DESSE GOVERNO MALIGNO! O PATROCINADOR DESSE DESGOVERNO LULA (LEIA STF!!!) TERÁ QUE ARCAR COM SUAS RESPONSABILIDADES DOA EM QUEM DOER!

  4. André Luiz Mendes Vinagre
    André Luiz Mendes Vinagre

    Prezada Branca, parabéns pelo panorama! Em poucas palavras fez um “retrato” do nosso país, ancorado em colunistas de peso.

  5. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Ele não ganhou a eleição, ele fraudou junto com o poder judiciário

  6. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    A foto de capa é impactante.
    Quero parabenizar Dani Giorno, responsável pela arte.

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