A ministra Cármen Lúcia estava a poucos quilômetros de Brasília quando um problema mecânico obrigou o carro oficial a estacionar no acostamento da rodovia que liga a capital federal a Goiânia. Dez minutos depois, o motorista continuava tentando descobrir o que houvera. Ao lado do capô, a passageira parecia especialmente aflita com o imprevisto: não chegaria ao Supremo Tribunal Federal no horário em que deveria começar uma importante reunião convocada pela própria Cármen Lúcia, então presidente da Corte. “Foi então que o socorro chegou de moto”, contou naquela noite de 18 de outubro de 2016 a mulher risonha, falante e extraordinariamente franzina.
Encerrada a entrevista concedida ao programa Roda Viva, ela resolveu continuar a conversa com o grupo de jornalistas com meia dúzia de boas histórias. Uma delas foi essa numa estrada do Brasil central. “Eram dois militares montados em motocicletas”, continuou a narrativa. “Um foi ajudar a examinar o motor, outro veio falar comigo. A cara era de alguém que já vira meu rosto em algum lugar, mas não sabia direito quem eu era. Contei que estava atrasada para um compromisso. Meio constrangido, ele disse que só podia me oferecer uma carona na traseira. Mesmo trajando um vestido e sem capacete, não tive dúvida: fui logo me ajeitando na moto. O rapaz quis saber se por acaso eu não era ministra do Supremo. Disse que sim. Em seguida perguntou meu nome. Também não tive dúvida. Respondi que me chamava Rosa Weber.”

Minha simpatia por Cármen Lúcia aumentou: quer dizer que, além de tudo, a mulher que presidia o STF era uma boa contadora de casos? A ministra nem precisava brilhar nesse quesito para merecer a admiração do Brasil que pensa e presta. Bastavam as sucessivas manifestações de independência intelectual e apreço pela Justiça. A ministra apoiava os avanços da Operação Lava Jato. Sabia impor limites ao sempre espaçoso Gilmar Mendes. Vivia rechaçando as teimosas piruetas e chicanas da bancada empenhada na revogação da norma segundo a qual a pena aplicada a um criminoso pode começar a ser cumprida depois da condenação em segunda instância. E condensara a paixão pela liberdade de expressão numa frase que todos os brasileiros um dia dissemos na infância: “Cala a boca já morreu”.
A ressurreição do cala a boca começou em outubro de 2022, quando Cármen Lúcia caprichou no papel de parteira da “censura temporária”, receitada em “situações excepcionalíssimas”. Nessa categoria a ministra enquadrou um documentário, produzido pela Brasil Paralelo, sobre o atentado sofrido por Jair Bolsonaro. Depois de reincidir nas declarações de amor à livre expressão, a mineira em mutação ponderou que, em certos casos, a censura funciona “como veneno ou remédio” — e proibiu a exibição do filme até a realização do segundo turno da eleição presidencial. “Este é um caso extremamente grave, porque de fato temos uma jurisprudência do STF, na esteira da Constituição, no sentido do impedimento de qualquer forma de censura”, declamou a ministra. Depois de receitar o veneno, procurou consolar o envenenado: “Não se pode permitir a volta da censura sob qualquer argumento no Brasil”.
Neste fim de junho, novamente a serviço da bancada que reduziu o STF a capitão do mato das liberdades democráticas, Cármen Lúcia aprovou a mutilação do Marco Civil da Internet. Ao justificar o apoio à transformação das redes sociais em castradoras do direito de expressão, nossa flor de esquizofrenia elevou a contradição à categoria de arte: “Censura é proibida constitucionalmente, é proibida eticamente, é proibida moralmente, é proibida, eu diria, até espiritualmente. Mas não pode também permitir que nós estejamos numa ágora em que haja 213 milhões de pequenos tiranos soberanos”.
É uma tese de assustar Napoleão de hospício: se toda a população brasileira é composta de pequenos tiranos, não restaria nenhum a oprimir — com exceção dos grandes tiranos que controlam a Corte Suprema. Ali já existiam monarcas à espera de especialistas na lida com maluquices, conselheiros do rei providos de dois neurônios, eunucos achando que falam grosso, atiradores estrábicos e a multidão de patifes intrigantes. Nesta semana, a sede do reino foi invadida por uma mulher entoando a reveladora ladainha: “Alguém, em qualquer espaço, em praça pública, pode gritar: eu odeio Cármen Lúcia”. Chegou a figura que faltava. Já temos a Boba da Corte.
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Joga em qualquer time menos o da Justiça.
Sempre demonstrou ser uma eminência parda !
Nunes,o que fez essa sujeita mudar tanto? Será que o Xandão sabe de algo estranho?
Ganha uma babá de dinheiro para os padrões brasileiros e, no entanto, vota com Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes para impor a censura aos brasileiros. Ou é psicopata ou é a boba da corte.
Ganha uma babá de dinheiro para os padrões brasileiros e, no entanto, vota com Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes para impor a censura aos brasileiros. Ou é psicopata ou é a boba da corte.
Augusto Nunes, como sempre cirúrgico! Parabéns pelo excelente texto!
Uma transformação impressionante e intrigante. Seria alguma ameaça do ET de Varginha que provocou esta mudança?
Só no serviço publico uma pessoa com estas características se mantem. É para que servem as leis neste triste pais, sinceramente, demostra um total incapacidade como mebro de uma corte com as desiguinaçoes para que foi criada. Lamentavel.
Só posso dizer q todas as resposta são brilhantes e a carmem Lúcia concretamente é descendente do Bento Carneiro o vampiro brasileiro 😝Cruz credo
Perfeito o texto
Perfeito o texto
Sim, dona Carmen não tem medo de pegar uma carona na moto de um policial, também não chorou por noites seguidas quando o MST
jogou meia tonelada de fezes na altura do seu apartamento em BH. É uma mulher destemida, muito apegada aos prazos emergenciais para
cobrar seja do presidente da República ou da secretária sonolenta. Mas a pergunta que cabe hoje, depois que dona Carmen aprovou com
louvor a censura à internet, mesmo tendo um cérebro e um sentimento analógico, em especial no quesito liberdade de opinião. Mas a pergunta que qualquer “tirano soberano” se obriga a fazer: Dona Carmen, por acaso não tem um medinho do Moraes?
Cristalino
“O tal sistema é pho@da parceiro’
Realmente a idade deve ser analisada para continuar numa Suprema Corte, pois hoje lamentavelmente a idade não está colaborando com a sabedoria mas politica, mnas com o momento de sair da vida publica e ir descansar. Penso que a humanidade esta com uma suprema carga de trabalho e nao de sabedoria.
Muito bom. Orgulho de ser um pequeno tiraranete
Muito bom. Orgulho de ser um pequeno tiraranete
Além de seguir calada quando sua única parceira Rosa Weber foi substituída por um homem.
Fosse no governo Bolsonaro, ela ficaria caladinha como hoje?
⁶
excelente artigo Augusto Nunes !!
Seu excelente artigo, Augusto Nunes, fizeram-me até gargalhar. Todavia, já tem algum tempo, pela sua cronologia desde outubro de 2022, andava me horrorizando, quase chorando copiosamente, com as dissonantes posições jurídicas inconstitucionais da “nossa Boba da Corte”.
Amei as metáforas, prezado Augusto Nunes: se ainda desse aulas, eu as usaria, mesmo sem a sua permissão. Dei a coluna de presente a um ex-aluno, agora meu amigo.
Amei as metáforas, prezado Augusto Nunes: se ainda desse aulas, eu as usaria, mesmo sem a sua permissão. Dei a coluna de presente a um ex-aluno, agora meu amigo.
É incrível, a capacidade de Augusto Nunes, diante de uma situações bizarras, sua verve literária, propicia bom humor e conhecimentos.
Se alguem chutar as bolas do Augusto Nunes com certeza ira matar um baba ovos. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
O filme “Idiocrassia” está se tornando lenda futurista igualmente como “1984”.
Ler os textos de Augusto Nunes é como saborear o melhor dos manjares.
… flor de esquizofrenia… kkkk 👏
Uma suprema côrte medíocre pra não falar de outras coisas que nos faz de 220 milhões de idiotas. Cadê a integridade dos homens e a soberania da nação?
Carmem Lucia uma grande decepção, envrrgonha as mulheres.
Isso aí existe ou seria assombração?
Augusto, não entendo quando essa senhora teve algum mérito jurídico, apenas disfarçada militância esquerdista. Quando tomou posse na Presidência do STF levou o canhoteiro CAETANO VELOSO e seu violãozinho para cantar o HINO NACIONAL.
Nada contra o compositor e cantor da TROPICÁLIA mas leva-lo a tão importante evento na CORTE, é pura demonstração de como pensa.
E vfizem que ela é incompetente?? Bobagem!! Nenhum dos onze é!! Elles sabem muito bem o que fazem e o que querem! Bobos somos nós e o borso!!
Com o salario que recebe tambem gostaria de ser o trouxa da corte. Talvez o missao cumprida ou qualquer outro delirio de justiça.
CUIDADO , NAO VAMOS CRITICAR OU VOMITAR AS NOSSAS MAGOAS. QUE A REBELIAO DO GALINHEIRO FIQUE EM SEGREDO……. SENAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
Injúria e difamação são crimes contra a honra, que afetam a reputação de uma pessoa na sociedade. A injúria atinge a honra subjetiva, ou seja, o sentimento de respeito pessoal, enquanto a difamação afeta a honra objetiva.
A pena para injúria e difamação pode variar de acordo com a gravidade e as circunstâncias do crime. A injúria pode ser punida com multa ou prisão de até um ano. A difamação pode ser punida com multa ou prisão de até um ano, mas a pena pode aumentar para dois anos se for cometida em locais públicos ou por meio de um meio de comunicação social.
Para provar um crime de injúria, difamação ou calúnia, é necessário um acervo documental que demonstre a ocorrência do fato. Esse acervo pode incluir: Boletim de ocorrência, Testemunhas que presenciaram o fato, Prints de conversas, Filmagens do ato ilícito.
A vítima pode entrar com uma ação indenizatória para obter uma decisão judicial que lhe conceda uma indenização por danos morais e/ou materiais.
“Não pode ser uma ágora de 213 milhões de pequenos tiranos”. Vão sugerir quantos podem ser? E se forem médios ou grndes tiranos? Aí pode? Eu tolero que falem mal de mim, desde que isto me confira o direito de fazer outra leitura da Constituição.
Vingança ‘maligrina’!
👍
O texto é uma joia preciosa.
Existe a Cármen, minha vizinha, tradutora e garota de programa.
Existe a Cármen de Bizet, cigana livre e sedutora.
E existe a Cármen do stf, ministra e boba de tudo. A que tem sangue de barata.
“Eles” estão trabalhando incansavelmente para atingir seus objetivos: a “Ditadura no pais” comandada por “eles”. Infelizmente com a nossa leniência estão conseguindo….
Essa mineira é a própria decepção em carne e osso a serviço do Senhor Alexandre !
Transformou se em vassala do mesmo !
texto magnifíco do mestre das letras Augusto Nunes.
a mudança de opinião dessa gente do STF é assustadora.
mas, como o Brasil virou uma corte … VIVA A BOBA DA CORTE.
fazendo um paralelo ao que o “llulladrão” fez outro dia em Paris, atirando-se ao chão para ter uma visão “artística” do local …. digna de um grande bobo desta mesma corte.
quanta coisa ridícula a se lamentar.
pobre e podre Brasil.
Bobagem é horrível.
Essa mulher é falsa,tirana e sem qualquer noção da realidade brasileira. Vive em uma redoma de luxo,cercada de seus asceclas e os piores mentores possíveis. Deplorável.
Todos os ministros do STF fazem o juramento solene de posse: “Prometo bem e fielmente cumprir os deveres do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com a Constituição e as leis da República”. A Constituição inequivocamente proíbe a censura. Então…
Sem dúvida uma mentirosa e sem escrúpulos, mentiu até para pegar carona de moto, se é que isso foi verdade. Esse é o Bento Carneiro, o vampiro brasileiro, e já mostrou que sua vingança será maligna.,
Aprendeu a mentir sem sentir, a mentir compulsivamente, a produzir nonsenses seriais, seu professor com certeza foi o encantador de jumentos(as)!