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Manifestantes com bandeiras palestinas no Festival de Glastonbury demonstram apoio ao discurso de ódio contra Israel e os judeus | Foto: Reuters/Jaimi Joy
Edição 276

A banalidade do ódio aos judeus

Devemos nos opor a essa histeria violenta antes que seja tarde demais

Se você não consegue enxergar isso agora, nunca conseguirá. A cena de dezenas de milhares de pessoas no Festival Glastonbury, no dia 28 de junho, entoando em coro “morte, morte às FDI [Forças de Defesa de Israel]”, representou a transformação oficial da Inglaterra, temo dizer, em um país bem diferente. Um país em que a histeria anti-Israel ressuscitou o ódio aos judeus ao ponto extremo de torná-lo completamente irracional, conformista, quase mundano. Um cântico ao som do qual idiotas de condados abastados podem dançar antes de ajeitar seus shorts para ir assistir ao show de Charli XCX — cena transmitida pela BBC para milhões de lares. É a banalidade do novo antissemitismo.

Não vamos enrolar aqui. No sábado 28, quando a dupla de punk-rap Bob Vylan conclamou a morte de soldados israelenses — enquanto aquecia a multidão no palco West Holts para o novo trio de rap irlandês favorito de todo israelofóbico, Kneecap —, eles não estavam manifestando oposição à guerra. Eles estavam clamando por guerra, e contra o único exército na Terra encarregado de proteger os judeus do genocídio. O exército que agora está em guerra com um culto jihadista que, em 7 de outubro de 2023, assassinou, estuprou e sequestrou pessoas em um festival israelense não muito diferente de Glastonbury. O exército no qual se espera que praticamente todos os israelenses sirvam. De fato, todo mundo que quer arrumar uma desculpa para aquela incitação e reação asquerosa de sábado, assim esperamos, não tem ideia de que o Hamas justifica o assassinato de civis israelenses sob o argumento de que todos estão, basicamente, “contaminados” pelo serviço militar obrigatório. Que todos são combatentes inimigos. “Morte, morte às FDI”?

Bob Vylan e Kneecap incitaram violência contra os soldados israelenses, ignorando a luta legítima de Israel contra o Hamas e sua missão de proteger civis do genocídio | Foto: Shutterstock

Pouco importa se chegamos a isso por ignorância ou ódio consciente. O resultado final são judeus britânicos — em Glasto ou em casa — assistindo a milhares de pessoas aplaudindo a entoada de slogans que incitam a morte de judeus. O vocalista Bobby Vylan também brindou a multidão com um disparate ensandecido sobre as indignidades que sofreu trabalhando para um sionista em uma gravadora — tudo isso porque ele tinha que ouvir seu chefe falar bem de Israel. Eu me pergunto se ele sabe que a vasta maioria dos judeus britânicos são sionistas. Eu me pergunto se ele se importa. “Do rio ao mar, a Palestina será livre”, cantou Vylan em outro momento de seu showzinho abjeto. Será que ele sabe o que isso significa? Será que ele se lembra da pequena nação de 10 milhões de habitantes que fica entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo, 74% da qual é judia? Será que ele sabe que, quando os islamofascistas que atualmente ameaçam Israel cantam isso, eles estão explicitamente pedindo o genocídio de judeus? Será que você sabe, Bob?

De certa forma, os delírios assassinos daquele infeliz me revoltam menos do que a adulação estrondosa da multidão. Após o 7 de outubro, sabíamos como os esquerdistas e os islamistas reagiriam. Eles nos mostraram quem realmente são há muito tempo e, fiéis à sua natureza, têm nos submetido a desfiles de antissemitismo em nossas ruas por quase dois anos. É deprimente pensar que tudo isso já estava tão óbvio. O que tem sido mais impressionante é como a supostamente “respeitável” opinião burguesa, de forma mais ampla, se voltou tão violentamente contra Israel — e contra os judeus. O tipo de gente que antes até concordava com os que odeiam Israel, mas, ao mesmo tempo, balbuciava “é complicado”, foi radicalizada pela propaganda do Hamas em seus feeds. A clientela do Gail’s, os frequentadores de Glastonbury, hoje está completamente envenenada. Agora considera-se uma “boa pessoa” aquela que grita pelo derramamento do sangue da única nação judaica do mundo. Estar “do lado certo da história” significa atacar “aquelas pessoas”.

Manifestantes com bandeiras palestinas no Festival de Glastonbury, no Reino Unido (28/6/2025) | Foto: Reuters/Jaimi Joy

Temos um setor cultural que, acima de tudo, se define como guerreiro implacável contra o racismo. No entanto, essas pessoas não só permanecem em silêncio sobre o assustador retorno do antissemitismo militarizado — dos vidros quebrados em áreas judaicas, dos ataques incendiários a sinagogas e judeus de Colorado a Sydney —, como também dão apoio moral a esse movimento. Em meio à mais violenta explosão de racismo em muitas décadas, um número alarmantemente alto de “antirracistas” não está apenas em silêncio sobre isso. Eles estão acobertando o antissemitismo. Estão sendo coniventes com ele. Estão participando dele.

Os judeus britânicos sabem há algum tempo que não podem contar com a solidariedade dessa gente. Mais um motivo para que a maioria sã, verdadeiramente antirracista — aqueles que são capazes de ver o que está acontecendo e estão discretamente horrorizados com isso —, apoie seus irmãos e irmãs judeus, em alto e bom som, e com orgulho. Esse realmente não é problema só deles. É nosso.


Tom Slater é editor da Spiked. Ele está no X: @Tom_Slater_

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1 comentário
  1. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Nao é só na Inglaterra;. Esta semana houve manifestações na Austrália. NOs Estados Unidos grandes universidades permitiram atos antisemitas e que gritavam o fim de Israel e de todos os judeus. Aqui no Brasil a onda pegou artistas e jornalistas. Até rabinos! O que aconteceu nos últimos anos para esta mudança? Infelizmente tudo está acontecendo ao contrário do que aprendemos. Sou contra a guerra, mas parece que é a solução entrarmos num conflito que não se sabe qual seu fim. A Espanha já mostrou sua posição, mas lá a gente conhece a história aonde marcas do catolicismo, judaísmo e islamismo são fortes culturalmente. Assim mesmo, a ONU foi invadida pela extrema-esquerda nazista, hoje uma combinação com o comunismo.

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