A criação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (NPT, na sigla em inglês), um acordo multilateral, surgiu como uma resposta ao temor da devastação e tragédia causada pelas bombas nucleares lançadas em Hiroshima e Nagasaki — onde, em um único dia de 1945, mais de 200 mil civis evaporaram instantaneamente ou foram condenados a uma morte agonizante —, e à crescente proliferação de armas nucleares durante a guerra fria. O risco de uma guerra nuclear em um momento de rivalidade política e de crescente hostilidade entre os Estados Unidos e a União Soviética aumentou a pressão sobre a comunidade internacional para a busca de um plano capaz de conter a disseminação da tecnologia nuclear para fins bélicos.

Em outubro de 1958, o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Frank Aiken, apresentou às Nações Unidas a primeira versão de uma resolução que abordava os perigos da proliferação nuclear. Funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos inicialmente a consideraram “potencialmente perigosa” e “perturbadora”, mas três anos depois o governo americano votou, juntamente com o restante da Assembleia Geral da ONU, a favor da “Resolução Irlandesa”, amplamente considerada a precursora do NPT.
O acordo foi costurado por soviéticos, americanos, britânicos e representantes de outros 59 Estados. Foi assinado no dia 1º de julho de 1968, em Moscou. A proposta entrou em vigor apenas em 1970 e conta com três pilares fundamentais: prevenir a guerra nuclear por meio do incentivo ao desarmamento, interromper a proliferação e promover o uso pacífico da energia nuclear. De modo geral, trata-se de uma fonte de combustível reutilizável e não finita, que pode melhorar os meios de subsistência em todo o mundo. Portanto, promover seu uso é importante para muitos países. As aplicações pacíficas abrangem desde inovações em saúde, gestão hídrica e alimentar até a manutenção de procedimentos de segurança e proteção nuclear.

Os países sem armas nucleares comprometeram-se a não fabricar ou adquirir armas ou outros dispositivos explosivos nucleares, enquanto os países com esses artefatos comprometeram-se a não auxiliar, encorajar ou induzir, de forma alguma, qualquer outro país a tê-los. Os “Estados partes com armas nucleares”, no âmbito do Tratado, foram definidos como aqueles que fabricaram e detonaram uma arma ou outro dispositivo nuclear antes de 1º de janeiro de 1967. Eram eles: Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido, França e China.

O presidente americano Lyndon Johnson assim descreveu a assinatura do tratado:
“… um momento muito reconfortante e esperançoso nas relações entre as nações. Esperamos e queremos que praticamente todas as nações se movam nas próximas semanas e meses para aceitar este tratado, que foi elogiado ao mundo pela esmagadora maioria dos membros da Assembleia Geral das Nações Unidas.”
Os três principais signatários — União Soviética, Estados Unidos e Inglaterra — concordaram em não auxiliar outros Estados na obtenção ou produção nuclear. Três países com armas nucleares nunca aderiram ao Tratado: Índia, Israel e Paquistão. A Coreia do Norte, que também possui armas nucleares, retirou-se do acordo em 2003. O Irã é um signatário do NPT desde 1968, mas tem sido objeto de controvérsia e suspeitas internacionais, sendo acusado de violar suas obrigações relativas ao tratado e de desenvolver um programa nuclear secreto com fins militares.
O tratado conta com a adesão de 191 países. Poucos acordos internacionais alcançam número tão elevado. Em 1995, sua validade foi estendida indefinidamente.
Como medida de fortalecimento da confiança entre os Estados partes e para promover o objetivo da não proliferação, o tratado estabelece um sistema de salvaguardas sob a responsabilidade da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês). Cada Estado parte não nuclear é obrigado a permitir que a agência inspecione o cumprimento das suas obrigações nos termos do tratado, com vista a impedir o desvio de material físsil para uso em armas.

O principal objetivo de impedir a disseminação de armas nucleares para um maior número de países tem sido um sucesso. Poucos países adquiriram capacidade nuclear desde sua negociação. Mas o tratado também inclui a obrigação de “prosseguir com as negociações” para o desarmamento nuclear e, nesse sentido, tem sido pouco eficaz, uma vez que os países com armas nucleares não estão engajados em negociações de desarmamento e continuam a gastar dezenas de bilhões de dólares todos os anos para aprimorar seus arsenais nucleares.

O NPT não estabelece uma proibição total de armas nucleares para todos os países que aderiram a ele nem inclui disposições detalhadas que estipulem como e quando o desarmamento deve ocorrer. Diante desse cenário, como medida complementar, a maioria dos países do mundo decidiu negociar, em 2017, o Tratado de Proibição de Armas Nucleares (TPNW, na sigla em inglês), que entrou em vigor em 2021. Até o momento, cerca de metade dos países do mundo aderiu ao TPNW, seja como parte, seja como signatário. É provável que mais países se juntem a eles nos próximos anos em busca da tão sonhada Pax Atomica.
Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Parabens pelo seu trabalho Daniela! É a primeira matéria da Revista Oeste que leio as sextas-feiras. De acordo com o diario de Nikita Krushov, liberado apos a perestroika, os russos só obtiveram a tecnologia da bomba atômica com ajuda do Casal Julius e Ethel Rosemberg, os quais foram julgados e condenados a morte na cadeira eletrica pela Justiça Americana.
Vinicius, fico muito feliz em saber que você aprecia as histórias que escrevo semanalmente. Obrigada por compartilhar esta informação do diário de Nikita Krushov. Abs.,