Sob o pretexto de supostos planos de golpe, o regime de Adolf Hitler eliminou oponentes políticos que considerava uma ameaça, principalmente dentro da organização paramilitar nazista Sturmabteilung (SA), cujos membros eram conhecidos como “camisas pardas”. A operação ocorreu entre 30 de junho e 2 de julho de 1934 e ficou conhecida como “Noite das Facas Longas” (“Nacht der langen Messer“, em alemão), em referência ao verso de uma das canções da SA.
As principais responsabilidades da SA eram servir como segurança de Adolf Hitler, fornecer apoio militar para fazer cumprir as suas ordens e impedir o funcionamento de partidos opositores, por quaisquer meios necessários. Sob o comando de Ernst Röhm, amigo de longa data de Hitler, a SA cresceu e se tornou muito mais organizada. Possuía uma força de quase 3 milhões de homens, superando significativamente o Exército Alemão. O Tratado de Versalhes (1919), assinado após a Primeira Guerra Mundial, limitou o Exército Alemão a 100 mil homens. A SA era um desafio à consolidação do poder de Hitler. A tropa paramilitar havia se tornado poderosa demais, especialmente sob a liderança ideológica de Röhm, que não era bem-visto pelos compatriotas e líderes nazistas. Ele tinha muitos desafetos entre os oficiais e era rejeitado por sua homossexualidade. Os adversários apontavam sua fraqueza, seus vícios e o risco de que ele derrubasse o regime nazista e Hitler.

Em abril daquele ano, Heinrich Himmler e Reinhard Heydrich, membros da liderança da Schutzstaffel (SS), passaram a conspirar com Hermann Göring, o vice-chefe do Partido Nazista, para persuadir Hitler a acabar com Ernst Röhm. Documentos sugerindo que o líder dos camisas pardas planejava um golpe para derrubar Hitler foram falsificados em 24 de junho por Himmler e Heydrich. Em seguida, pessoas que poderiam ameaçar o partido e que deveriam ser eliminadas também estavam na lista dos nazistas.
Em 27 de junho, Hitler reuniu um grupo especial para a operação e planejou todos os passos para o expurgo em sua própria organização paramilitar. O Führer ordenou que Röhm reunisse os principais líderes da SA em um hotel na cidade de Bad Wiessee, na Baviera, e, na noite do dia 30 de junho, Hitler — acompanhado por membros da SS e da Gestapo — invadiu o hotel e ordenou a morte de pelo menos 85 filiados ao Partido Nazista considerados possíveis opositores no futuro.


A maioria dos chefes e soldados foi retirada da cama e executada no local. Mais de 85 membros da SA, incluindo seu líder, Ernst Röhm, foram presos, torturados e executados sumariamente, sem julgamento. Foi uma caçada cruel e impiedosa daqueles que eram tidos como aliados e amigos. Entre eles estava o vice-chanceler Franz von Papen, que havia discursado contra o Nazismo. Preso, foi liberado e proibido de fazer qualquer referência ao regime. Em contrapartida, Herbert von Bose, secretário de Papen, e Edgar Jung, autor de seu discurso antinazista, foram perseguidos e mortos. Gregor Strasser, ex-nazista que deixou o partido em 1932, também foi executado. Até o dia 2 de julho, outras centenas de pessoas foram presas e executadas.
Hitler apresentou-se como um salvador da ameaça à soberania da Alemanha e justificou as mortes fora da lei como um ato de defesa do Estado. Foi aplaudido pelo Exército Alemão e por grande parte da população. Com isso, foi ganhando espaço e consolidando o Partido Nazista. Pouco a pouco, conquistou uma legião cega de seguidores alemães obedientes.
A “Noite das Facas Longas” marcou um ponto de virada na consolidação do poder de Hitler com controle absoluto sobre o partido e o governo, além do estabelecimento do terror nazista. Isso permitiu que Hitler se autoproclamasse Führer da Alemanha Nacional-Socialista. Naquele momento, ele se tornou a maior autoridade do Terceiro Reich. A partir de então, direitos básicos foram abolidos. Reprimir condutas consideradas ameaçadoras se tornaria um padrão do regime nazista.
Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Excelente artigo, Daniela, é muito oportuno!
Excelente, Daniela! Vc sempre nos presenteia com verdadeiras aulas de história. Muito obrigada e parabéns!
Apesar dos anos o nacional socialismo volta pra seu caminho no Brasil
Excelente coluna que fecha com chave de ouro a edição.
Ótimo artigo para despertar os incautos. Qualquer semelhança com o Brasil de hoje é “mera coincidência”!
É sempre assim que começa. De boas intenções o inferno está cheio.
Mais uma ótima matéria da Daniela. Sensibilidade na escolha dos temas e na forma de relatá-los. Um prazer a leitura!
Como sempre, uma coluna marcante de Daniela na Oeste. E, em nossa realidade distopica, muito oportuna. Imagino quem estará na foto que será vista daqui a 91 anos para mostrar “A Tarde do Batom” com um ébrio, um calvo e uma ga.inha de óculos.
Você se supera.
Adoro a coluna.