— Quando me falaram dessa história de “governo do amor”, custei a acreditar.
— Por quê?
— Porque governo não é amoroso. Governo é governo.
— E agora? Você acredita?
— Mais do que acredito. Eu vejo!
— E como você definiria o governo do amor?
— É um governo que só traz boas notícias. Entendo isso como uma forma de amor.
— Qual foi a notícia boa que mais aqueceu seu coração nos últimos tempos?
— Acho que foi sobre impostos. A parte tributária sempre me acalenta.
— Em que aspecto?
— A gente se sente bem com a gente mesmo quando percebe que está ajudando a construir uma grande nação.
— Você está dizendo que se sente orgulhoso como contribuinte.
— Mais que isso. Toda vez que o Haddad aparece na TV, me sinto um patriota.
— Pena que ele saiu de férias. Tá com saudade?
— Muita. Mas ele merecia. Até um trabalhador incansável pelo seu país tem uma hora que cansa.
— Cansou bem no meio da discussão do novo pacote de impostos, né?
— Evidente. Você já segurou um pacote desses? O negócio é pesado. Não fica achando que é moleza, não. É porque o Haddad tá sempre com aquela expressão serena, aquele ar tranquilo de quem a qualquer momento vai dedilhar um violão na TV. Mas essa doçura esconde um esforço monumental pra segurar o pacote.
— Será que as novas medidas passam no Congresso?
— Isso é o de menos.
— De menos?!
— Claro. A mensagem principal já foi passada: o governo não medirá esforços para dar ao contribuinte a chance de pagar tudo que o governo gastar. O nome disso é responsabilidade fiscal. Nem um centavo gasto pelo governo ficará descoberto pelo contribuinte.
— Pra não se endividar, né?
— Exatamente. Você pegou o espírito da coisa. Melhor pagar agora do que depois com juros.
— E os juros estão altos.
— Os juros estão altos porque os impostos estão baixos.
— Baixos?
— Quanto você paga pra usar o WhatsApp? Zero! Não existe almoço grátis, meu amigo. Falta muita coisa pra taxar. É que o governo é tímido nessa área. Mas pode deixar que com o tempo vamos pagar imposto até pra fazer selfie.
— Como seria isso?
— Direito de imagem. Isso sempre existiu e sempre foi cobrado. Mas com a explosão das selfies as pessoas passaram a produzir e divulgar sua própria imagem, num aumento preocupante da informalidade. O governo tem que entrar pra regular isso.
— Taxando as selfies.
— Claro. Como falei, não existe almoço grátis. Se você está se beneficiando de algo gratuitamente, alguém está perdendo. No caso, o país. Acredito até que, com a taxação da selfie, será possível revogar o aumento do IOF.
— Aí o mercado reagiria bem.
— Entendeu como funciona? Tudo é uma questão de expectativa. Acho até que o Haddad poderia antecipar o plano de taxação da selfie pra acalmar o mercado.
— Por que você não dá essa ideia pra ele?
— Não gosto de interromper as férias dos outros. Deixa o homem descansar.

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“A clandestinidade da produção de selfies sem proteção dos direitos de imagem” é o fim, mesmo!
Kkkkkkkkkkk
Fiúza é inacreditável!
Um ministrinho medíocre como taxades só pode pensar em aumentar impostos mesmos!
Maravilhoso Fiuza. Valeu a manhã desta quarta-feira.
É osso! Deixar de prover seus sonhos e sua família para prover a gastança desta quadrilha de volta a cena do crime.
Fiuza, suas ironias são fantásticas.
Fantástico mas cuidado com as “dicas”.
Fiuza, não dê ideias para esse desgoverno.
Kkk muito boa.
Só mesmo levando na ironia e fazendo gozação dos atos levianos do desgoverno atual para tornar a amargura de viver aqui mais suportável.
NÃO DÁ IDEIA FIUZA.