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Política

Wellington Callegari: ‘O político de direita deve se colocar contra a onda revolucionária’

O deputado estadual pelo Democracia Cristã do Espírito Santo comentou sua atuação na Assembleia Legislativa do Estado

O deputado estadual Wellington Callegari (Democracia Cristã-ES) é um dos representantes da direita no Espírito Santo | Foto: Lucas S. Costa/Ales
O deputado estadual Wellington Callegari (Democracia Cristã-ES) é um dos representantes da direita no Espírito Santo | Foto: Lucas S. Costa/Ales

O ano de 2013 foi o ponto de virada na política brasileira. O fortalecimento da polarização fez parte da população perder a confiança nas instituições. A esquerda passou a ser rejeitada de forma simultânea e o sistema político tornou-se mais criticado. Esse movimento permitiu o surgimento da direita popular, fora do âmbito partidário.

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Wellington Callegari (Democracia Cristã), deputado estadual pelo Espírito Santo, afirma que o político de direita deve se colocar contra a maré revolucionária. “O conservador luta para preservar aquilo que é sagrado, como a família”, diz. “Não pretende conservar instituições que estão caducas, mas lutar pelos valores, pela herança portuguesa e cristã, porque nossa matriz tem essa base.”

A direita e as políticas sociais

Para Callegari, a direita deve defender as políticas sociais, que são diferentes das assistenciais. “O assistencialismo destrói a família”, diz. “A proteção dos mais pobres passa pelo fortalecimento desse núcleo.” O parlamentar afirma que “ninguém garante a autonomia das pessoas em uma sociedade que tem o Estado cada vez mais poderoso”.

Para Wellington Callegari, a direita deve defender as políticas sociais, que são diferentes de assistenciais | Foto: Divulgação/Ales
Para Wellington Callegari, a direita deve defender as políticas sociais, que são diferentes de assistenciais | Foto: Divulgação/Ales

Em entrevista a Oeste, o deputado comentou as movimentações políticas no Espírito Santo e sua atuação na Assembleia Legislativa do Estado.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como é sua atuação política no Espírito Santo?

Sempre falo que pratico o que chamo de conservadorismo de base. É um estilo antigo de fazer política, mas a roupagem conservadora ensina que devemos formar grupos nos municípios ligados à nossa pessoa por laços de ideais. Minha atuação política é muito focada no ensino. Trabalho muito com grupos políticos, dou palestras dentro do contexto da minha atividade. Nossa estratégia é essa: organizar, informar e formar lideranças.

A direita ocupa espaço dentro da Assembleia Legislativa do Espírito Santo?

O Espírito Santo é um estado conservador, embora em algumas regiões, principalmente em algumas cidades do norte e do sul, a esquerda tem a maioria. Mas as pessoas no geral são de centro e direita. Conseguimos na eleição de 2022 eleger o senador Magno Malta (PL) e o deputado federal Gilvan da Federal (PL). O Partido Liberal ainda elegeu cinco deputados estaduais em uma assembleia de 30, entre os quais eu. Parte do espectro à direita em geral, contando Republicanos e Progressistas, elegeu três deputados federais e oito estaduais. Então conseguimos dar à Assembleia Legislativa do Espírito Santo um perfil bem conservador. Por isso conseguimos fazer articulações. Graças a isso, por exemplo, consegui aprovar leis.

Pode me citar uma lei de sua autoria que foi aprovada?

Sou autor da Lei do Parto Livre, que foi aprovada e sancionada. É única no Brasil e garante às gestantes do Espírito Santo direito de escolha na hora do parto. A mãe opta entre a cesariana e o parto normal custeado pelo Sistema Único de Saúde. A lei combate os principais pilares da violência obstétrica, como o respeito à vontade materna. Temos casos no Brasil de partos forçados em que a mulher, muitas vezes, não tem condições de ter um parto normal.

Por que o senhor decidiu entrar na disputa para o Senado Federal nas próximas eleições?

Não tenho apego a cargos ou mandatos. Contudo, considero que a eleição para o Senado é a mais importante para enfrentar o ativismo judicial, que é a tirania do Supremo Tribunal Federal. Meu objetivo é garantir uma presidência do Parlamento digna. Outro ponto importante é lutar por uma reforma política profunda. Defendo mandatos para os ministros da Suprema Corte e que os magistrados sejam de carreira. Acredito que os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes precisam responder por aquilo que considero uma prevaricação. Vemos escândalos absurdos, sem falar dos abusos de poder.

Leia mais: “Naomi Seibt, ativista alemã: ‘O Estado sempre gravita lentamente rumo à tirania'”, entrevista publicada na Edição 216 da Revista Oeste

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