Uma investigação do Ministério Público do Maranhão revelou um sofisticado esquema de corrupção que operava na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia, situada a 157 km de São Luís, desviando mais de R$ 56 milhões de recursos públicos, principalmente das áreas de Saúde e Assistência Social.
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A Operação Tântalo II, realizada na segunda-feira 22, resultou na prisão do prefeito Paulo Curió (União) e da vice-prefeita Tânia Mendes. A ação é um desdobramento da primeira fase, deflagrada pelo Gaeco em fevereiro deste ano, e também implicou empresários, servidores, dez vereadores e um secretário municipal de agricultura.
Foragidos e estrutura da organização criminosa em Turilândia
Enquanto parte dos investigados já foi presa, cinco vereadores seguem foragidos: Gilmar Carlos (União), Savio Araújo (PRD), Mizael Soares (União), Inailce Nogueira (União) e Ribinha Sampaio (União). Todos são suspeitos de integrar uma organização criminosa com estrutura hierárquica e funções bem definidas.
De acordo com o Ministério Público, o prefeito Paulo Curió liderava o grupo e comandava a destinação dos valores desviados, atuando como ordenador de despesas, direcionando licitações e autorizando pagamentos sem comprovação dos serviços.
O órgão detalhou que o desvio ocorria por meio de “venda de notas fiscais”, em que empresas simulavam a prestação de serviços, mas devolviam a maior parte do dinheiro ao núcleo político.
Tânia Mendes, vice-prefeita, foi identificada como figura importante no núcleo empresarial, vinculada a empresas usadas no esquema e participante ativa na movimentação dos recursos. A Justiça destacou que sua atuação era fundamental para dar aparência de legalidade aos contratos e facilitar a lavagem de dinheiro.
Envolvimento de ex-vice-prefeita e pagamentos ilícitos
A ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima também foi apontada como peça central, especialmente no controle do Posto Turi, que recebeu R$ 17,2 milhões do município. Ela atuava como procuradora da empresa, retinha porcentuais dos contratos e cobrava repasses diretamente do prefeito.
Janaina e seu marido, Marlon Zerrão, chegaram a firmar um acordo com Paulo Curió para reter 10% dos valores dos contratos do Posto Turi. Esse montante era usado para pagar a faculdade de medicina de Janaina, enquanto os outros 90% eram destinados ao prefeito ou a seus indicados.
Segundo a apuração, vereadores foram cooptados e recebiam pagamentos periódicos em troca de apoio político e omissão na fiscalização.
Operação financeira e empresas de fachada
O operador financeiro do esquema, Wandson Jonath Barros, era responsável por gerir a movimentação do dinheiro, distribuir valores entre políticos e empresas, criar empresas de fachada e utilizar “laranjas”. Ele recebia 3% sobre contratos fraudulentos e era descrito como o “braço direito” do prefeito, com tarefas que incluíam redigir documentos oficiais e administrar propinas.
Entre as empresas usadas para desviar recursos, o Posto Turi foi a principal beneficiada, além de outras como Luminer Serviços, Climatech Refrigeração, SP Freitas Júnior, JEC Empreendimentos e Potencial Empreendimentos, todas envolvidas em contratos incompatíveis com a realidade local.
Depois de serem presos, Paulo Curió e Tânia Mendes foram levados à Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís, para cumprir prisão preventiva. Já os onze vereadores tiveram a prisão convertida para domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica.
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