A organização Transparência Internacional criticou o depósito de R$ 11,5 milhões das empresas J&F e JBS para a advogada Maísa Marciano. A profissional do Direito, por sua vez, repassou R$ 3,5 milhões ao empresário Paulo Humberto Barbosa.
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De acordo com a entidade, duas coisas chamaram atenção: Maísa tem um salário de R$ 9 mil, enquanto Barbosa comprou cotas do Tayayá Resort, do qual o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), era sócio.
Para a Transparência Internacional, trata-se de “revelações gravíssimas”. A organização também criticou a omissão de instituições como a Procuradoria-Geral da República, o STF e a Ordem dos Advogados do Brasil sobre esse caso.
Os escândalos da J&F e da JBS
A entidade lembrou que as empresas, ligadas aos irmãos Batista, estiveram estampadas em manchetes que revelaram “um dos maiores esquemas de corrupção da história”. As informações dos depósitos estão em um documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O orgão classificou a operação como de “alto risco para a lavagem de dinheiro”. A ação ocorreu no mesmo mês em que Toffoli suspendeu, de forma monocrática, a multa de R$ 10 bilhões da J&F.
“Há de se lembrar que os acordos assinados pela J&F, tanto no Brasil quanto nos EUA, além da multa que a empresa nunca pagou, a obrigaram a implantar programa de compliance de padrão internacional”, escreveu a Transparência Internacional no X. “Que tipo de compliance permite contratações de terceiros com alto risco de lavagem de dinheiro? Tudo isso se torna ainda mais grave por não se tratar de caso isolado, mas parte de uma série de operações suspeitas da empresa com advogados que vêm sendo reportadas pela imprensa.”
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A entidade também destacou que, “em qualquer país do mundo com instituições independentes, um caso de tamanha gravidade já estaria, há muito tempo, sob investigações”. Também afirmou que “a corrupção não é um crime sem vítimas”. “Por trás dessa história existem inúmeras violações de direitos humanos, degradação ambiental e danos às instituições democráticas”, lembrou. “Nesse caso específico, ainda há centenas de milhares de vítimas que podem ser identificadas por nome e sobrenome, que são os aposentados dos fundos de pensão lesados pela J&F.”
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