publicidade
Política

Toffoli anula provas de acordo da Odebrecht em processo contra ex-senador petista

Com a decisão do ministro, ação penal contra Delcídio do Amaral deve ser arquivada

delcídio odebrecht lava jato
Defesa de Delcídio do Amaral usou mesmo argumento utilizado para anular as sentenças de Lula | Foto: Divulgação/PT

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), estendeu ao ex-senador petista Delcídio do Amaral a decisão que anulou provas do acordo de leniência firmado pela Odebrecht (atual Novonor) com o Ministério Público Federal. A decisão foi proferida na terça-feira 27.

Com isso, Delcídio, delator do esquema investigado pela Operação Lava Jato, será beneficiado em uma ação penal que tramita na 36ª Zona Eleitoral de Campo Grande. Sem as provas, o processo deverá ser arquivado.

Receba nossas atualizações

No pedido feito ao STF, a defesa de Amaral argumentou que os elementos de prova colhidos nos sistemas do chamado “departamento de propina” da empreiteira já foram anulados pela Segunda Turma do STF.

Esse mesmo argumento levou à anulação das sentenças contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os advogados do ex-senador solicitaram a extensão dessa decisão para beneficiar Amaral, e Toffoli atendeu ao pedido.

“De fato, verifico que o ora requerente responde a imputações que possuem lastro no acordo de leniência da Odebrecht”, afirmou o ministro, em decisão. “Os elementos encontram-se nulos, não se prestando, em consequência, para subsidiar as acusações contra ele [Delcídio] subscritas”

Delcídio do Amaral atuou como líder do governo de Dilma Rousseff (PT) no Senado, em 2015, e foi preso pela Polícia Federal por, segundo investigadores, atrapalhar as apurações da Operação Lava Jato. Ele foi citado por Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, por suposta participação em irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A anulação das provas também levou à suspensão de multas e à revisão dos acordos de leniência das empresas envolvidas por 60 dias, segundo decidiu o ministro André Mendonça na última segunda-feira, 26. A anulação feita por Toffoli seria julgada nesta terça-feira, mas os ministros da Segunda Turma decidiram adiar a análise durante o prazo dado pelo magistrado.

As anulações de Toffoli

Desde o ano passado, Toffoli tem anulado as provas dos inquéritos da Operação Lava Jato | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Em setembro de 2023, Toffoli concedeu uma liminar que anulou todas as provas obtidas por meio do acordo de leniência da Odebrecht. Em dezembro, suspendeu a multa acertada com a J&F. Logo depois, cancelou a multa da Odebrecht.

Toffoli acatou pedidos feitos por advogados das empresas depois de anular todas as provas colhidas a partir dos sistemas Drousys e My Web Day B.

Na decisão sobre o cancelamento da multa, em 31 de janeiro, Toffoli também autorizou que a empreiteira acesse provas da Operação Spoofing, apelidada de Vaza Jato, para tentar comprovar que foi coagida a assinar o acordo com o MPF no qual admitiu corrupção em 49 contratos de obras públicas e aceitou pagar multa de R$ 3,8 bilhões.

Leia mais em: “PGR recorre de decisão de Toffoli que suspendeu multa bilionária da Odebrecht”

O argumento sobre a suposta coação de empresários na Lava Jato foi usado em todas as decisões. Essa alegação não se sustentou na audiência de conciliação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou, em 14 de fevereiro, um recurso contra a suspensão da multa. No documento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pede a Toffoli que reconsidere a própria decisão ou que submeta o recurso a análise no plenário do STF.

Além do processo que envolve Amaral, as anulações ordenadas por Toffoli também resultaram na suspensão do inquérito que investigava o envolvimento do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em repasses ilegais nas campanhas de 2010 a 2014.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

7 comentários
  1. Christian
    Christian

    Que vergonha e que calamidade para o Brasil.
    Estes Ministros do Supremo Talibã deveria ser todos depostos.

  2. Virgílio Maro Sperandio Juliatto
    Virgílio Maro Sperandio Juliatto

    “Não podemos ser iguais ao Popó e ao Bambam” na luta contra a corrupção: SEM COMENTÁRIOS OS CAPINHAS PRETAS! Que esculhambação o Brasil virou!

  3. José Roberto Manfio
    José Roberto Manfio

    Agora, está tudo invertido, para os culpados as provas são anuladas, e para os inocentes que nem participaram da depredação, são julgados em griposte condenados a 14 a 19 anos de prisão.

  4. Gladner Cardeal Stasiuk Paes
    Gladner Cardeal Stasiuk Paes

    Cada dia uma nova vergonha nos é causada por este stf, as vossas excrescências honram aqueles que os colocaram nessa pequenina corte.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade