publicidade
Política

Títulos de propriedade: ex-presidente do Incra rebate ministro de Lula

Geraldo Melo Filho afirma que durante o governo Bolsonaro houve avanços na distribuição de terras a assentados

Ex-presidente Incra ministro Lula
O governo não tem autonomia para conceder escrituras para assentados, segundo Melo Filho | Foto: Marcello Casa Jr/Agência Brasil

Geraldo Melo Filho, ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), rebateu a declaração do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, sobre a distribuição de títulos de propriedade concedidos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Teixeira disse que os documentos obtidos pelos sem-terra não têm valor jurídico. “É papel de pão”, afirmou, no sábado 28. “Fizeram de maneira açodada, malfeita, sem aprovar legislação. Queremos aperfeiçoar esse programa e entregar escrituras para os assentados.”

Receba nossas atualizações

Melo Filho discorda. “Os documentos emitidos pelo governo Bolsonaro têm a mesma natureza que os emitidos por outros governos”, observou, em entrevista a Oeste. “Títulos de domínio e contratos de concessão de uso de terras têm valor jurídico.”

No ano passado, parlamentares alinhados a Bolsonaro apresentaram o Projeto de Lei (PL) 3.768/2021, que visa a aperfeiçoar a legislação e simplificar o processo de titulação de terras. A proposta ficou estacionada na Câmara, visto que a oposição pediu vista — mais tempo para analisar o texto. O PL foi aprovado apenas no fim da legislatura anterior, com voto contrário do Partido dos Trabalhadores, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Agora, a matéria está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

Relacionadas

Nova política

Desde 2019, Bolsonaro transformou o programa de reforma agrária brasileiro. O modelo aplicado anteriormente, que consistia em desapropriações de “terras improdutivas” e instalações de novos assentamentos, deu lugar à titulação de propriedades rurais aos agricultores que já ocupavam um terreno, mas não tinham sua situação fundiária regularizada.

A política de assentamentos com base em desapropriações, iniciada durante a administração de José Sarney, reverberou nas gestões de Fernando Collor, Itamar Franco, FHC, Lula e Dilma, mas perdeu o ritmo com a ascensão de Temer ao Planalto e praticamente foi extinta no atual governo.

“O Incra deu ênfase à política de titulação porque acredita que essa medida melhora a qualidade de vida das famílias dos assentados”, explicou Melo Filho. Ele afirma que a reforma agrária não parou — apenas mudou o foco. “Isso reduz a evasão. A entrega dos títulos permite aos assentados acessarem novas linhas de crédito.”

A nova política, acompanhada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), permitiu que 340 mil famílias tivessem sua situação regularizada — um recorde. Quase 100% dos títulos de propriedade beneficiam pequenos proprietários rurais.

Queda no número de invasões

Segundo o Incra, 11 invasões de fazendas foram registradas no país em 2021. No ano anterior, foram apenas seis. Em 2019, sete. Trata-se dos menores números verificados desde 1995, quando o Incra passou a organizar as estatísticas.

Nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os sem-terra invadiram quase 2,5 mil fazendas. A administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou cerca de 2 mil invasões. Na era Dilma Rousseff (PT), por sua vez, houve menos de mil crimes dessa natureza. Os números mostram que o governo liderado por Bolsonaro apresenta um desempenho melhor até mesmo que o verificado na gestão de Michel Temer (MDB), que durou de agosto de 2016 a dezembro de 2018: foram 54 invasões durante o tempo em que o emedebista esteve à frente do Palácio do Planalto, enquanto nos últimos quase quatro anos elas não passaram de 15.

O assinante pode ler uma reportagem completa sobre a derrocada do MST ao clicar neste link.

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Romeu José Paludo
    Romeu José Paludo

    O pt não sabe como tratar qualquer assunto. Para disfarçar, inventa que o anterior não usou o papel correto. Observem as diversas estruturas dos ministérios: nenhuma sabe o que fazer. E só sai besteira…e gastança. Gastar eles sabem…

  2. JOSÉ EDUARDO OLIVEIRA DE LIMA
    JOSÉ EDUARDO OLIVEIRA DE LIMA

    15 invasões contra mais de 2500 invasões. Como pode o governo do Bafo de Onça tolerar este crime nesta magnitude sem ter sido impichado??? Alguma coisa está muito errada neste país. E as mentiras e fakenews agora são perfeitamente toleradas e não denunciadas pela grande mídia que teve sua chapa branca recolocada…..

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.