publicidade
Política

TCU recua e autoriza governo a usar limite inferior da meta fiscal

Decisão do Tribunal de Contas da União ocorre depois de pressão da gestão de Lula e evita bloqueio imediato de R$ 30 bi no Orçamento federal

fachada TCU
Fachada do prédio do Tribunal de Contas da União | Foto: Divulgação/ TCU

Decisão recente do ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), concedeu ao governo federal a possibilidade de continuar o uso do limite inferior da meta fiscal como referência para o Orçamento, ao menos até o julgamento definitivo do recurso apresentado. Com isso, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva evita, por enquanto, um bloqueio estimado em R$ 30 bilhões.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

A Advocacia-Geral da União (AGU) justificou o pedido de suspensão ao TCU com a alegação de que a exigência de perseguir o centro da meta fiscal traria “grave risco à execução de políticas públicas”, conforme consta no documento protocolado. O efeito suspensivo ocorreu nesta quarta-feira, 15, e adiou a necessidade de ajustes imediatos nas contas públicas.

“Permito que, nos próximos relatórios bimestrais de execução orçamentária, a União e os respectivos gestores do Poder Executivo Federal continuem considerando como parâmetro de cumprimento da meta fiscal o limite inferior do seu intervalo de tolerância”, decidiu Zymler.

Decisão do TCU e impactos na meta fiscal

Ministro Vital do Rêgo Filho, presidente do TCU
Ministro Vital do Rêgo Filho, presidente do TCU | Foto: Divulgação/TCU

A meta fiscal fixada para 2025 prevê resultado primário nulo, ou seja, equilíbrio entre receitas e despesas. Contudo, admite variação entre déficit de R$ 31 bilhões e superávit de R$ 31 bilhões, o que representa 0,25% do PIB.

O governo Lula atua próximo ao piso desse intervalo para evitar cortes adicionais em políticas públicas. Isso que gerou críticas tanto internas quanto externas ao tribunal.

Leia mais: “Vai mais uma taxa aí?”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 291 da Revista Oeste

O debate começou no fim de setembro, quando o plenário do TCU julgou inadequado o foco do Executivo no limite inferior da meta, de modo a entender que o correto seria mirar o centro, conforme determina a legislação de responsabilidade fiscal. “Zero é zero”, chegou a afirmar o presidente da Corte de Contas, ministro Vital do Rêgo Filho.

Para o tribunal, o contingenciamento deveria priorizar o centro da meta, e não apenas a margem mínima permitida. A AGU argumentou que a criação das faixas de tolerância da meta fiscal, implementadas desde 2023, assegura flexibilidade na administração das contas. O órgão afirmou que “o contingenciamento de despesas há de ter como baliza, obrigatoriamente, o limite inferior do intervalo de tolerância”.

Argumentos do governo e reações

O Executivo também sugeriu que bloquear despesas não impacta diretamente a sustentabilidade da dívida pública. A gestão Lula relacionou a medida apenas ao cumprimento das metas fiscais estabelecidas em lei.

Depois da decisão, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, avaliou a suspensão de forma positiva. Segundo ele, “é bom que tenha suspendido”. “Nós vamos ter o relatório bimestral em um mês, mais ou menos, pouco mais de um mês a ser apresentado, e é bom que a gente não tenha incerteza jurídica para poder fechar”, afirmou o secretário.

Leia também: “O cobrador de impostos”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 291 da Revista Oeste

No decorrer de 2025, o governo já foi obrigado a congelar R$ 31,3 bilhões em gastos para buscar o equilíbrio das contas. Já em julho, uma melhora na arrecadação permitiu liberar R$ 20,6 bilhões, o que reduziu o valor bloqueado para cerca de R$ 10 bilhões.

4 comentários
  1. Daniel BG
    Daniel BG

    Ui, eu justifico o governo poder usar 30 bi porque tenho um pelo encravado… Nível de justiça.

  2. David S
    David S

    Vital do Rego, hum.
    Tá explicado, este triste ser, é o presidente desta…

  3. TALITA CASTRO DE FREITAS
    TALITA CASTRO DE FREITAS

    E tudo continua igual no pais das Maravilhas ………

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.