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Política

TCE-BA vê 'erros administrativos grosseiros' em contas de Rui Costa

Auditoria cita pagamento antecipado de R$ 48,7 milhões para compra de respiradores durante a pandemia que nunca foram entregues

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo os auditores, Rui Costa e seu então secretário-executivo autorizaram o desembolso sem verificar adequadamente as condições legais e a capacidade operacional da empresa contratada | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) recomendou a rejeição das contas do ex-governador Rui Costa (PT) referentes à gestão do Consórcio Nordeste em 2020, apontando "erros administrativos grosseiros" na compra de respiradores durante a pandemia. O relatório critica o pagamento antecipado de R$ 48,7 milhões à Hempcare, que não entregou os equipamentos, e destaca falhas na avaliação da empresa, que não tinha experiência ou registro na Anvisa.

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) recomendou a rejeição das contas do ex-governador da Bahia Rui Costa (PT) relativas à gestão do Consórcio Nordeste em 2020.

O relatório aponta “erros administrativos grosseiros” na compra de respiradores durante a pandemia de covid-19 e atribui responsabilidade ao então presidente do consórcio e ao ex-secretário-executivo Carlos Gabas pelo pagamento antecipado de R$ 48,7 milhões à empresa Hempcare, que não entregou os equipamentos.

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O processo ainda está em fase de instrução no TCE-BA, conforme publicado pelo jornal Folha de S.Paulo. O relator é o conselheiro João Bonfim, e o parecer ainda será submetido ao plenário da Corte. A decisão definitiva sobre a aprovação ou a rejeição das contas caberá à Assembleia Legislativa da Bahia.

Assembleia Legislativa da Bahia
Assembleia Legislativa da Bahia | Foto: Reprodução/X

Segundo os auditores, Rui Costa e Carlos Gabas autorizaram o desembolso sem verificar adequadamente as condições legais e a capacidade operacional da empresa contratada. O relatório afirma que houve “erros administrativos grosseiros no manejo dos recursos públicos” e sustenta que ambos poderão ser responsabilizados pelo ressarcimento dos R$ 48,7 milhões aos cofres públicos.

A auditoria destaca que a Hempcare Pharma Representações, especializada em produtos à base de Cannabis, possuía capital social de apenas R$ 100 mil, equivalente a 0,2% do valor do contrato.

A empresa havia sido criada poucos meses antes da contratação, não possuía registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercializar equipamentos médicos e foi aceita como intermediária de uma compra internacional sem experiência comprovada no setor.

Respiradores
Carlos Gabas, aliado do ministro da Casa Civil, Rui Costa, participou da aquisição dos aparelhos junto à empresa Hempcare | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasil

Os técnicos também afirmam que o contrato continha cláusulas consideradas frágeis e isentava a empresa de responsabilidade por atrasos ou pela não entrega dos respiradores. Conforme o parecer, houve “evidente descuido” na avaliação dos riscos da operação.

O relatório acrescenta que alertas da Procuradoria-Geral do Estado da Bahia foram desconsiderados. Os pareceres jurídicos condicionavam o pagamento antecipado à adoção de cautelas, como estimativa de preços, apresentação de certidões negativas e outras garantias para reduzir o risco da contratação.

Além da compra dos respiradores, a auditoria identificou falhas contábeis, irregularidades em contratos, ausência de transparência e deficiência nos controles internos do Consórcio Nordeste entre 1º de janeiro e 27 de setembro de 2020.

Também foram registradas divergências em informações sobre licitações, dispensas, inexigibilidades e contratos, além da ausência de planilhas obrigatórias e da classificação incorreta de modalidades de contratação.

Consórcio Nordeste
O Consórcio do Nordeste foi obra de nove governadores da região | Foto: Divulgação/Consórcio do Nordeste

O parecer recomenda ainda que o TCE-BA determine ao Consórcio Nordeste a continuidade das medidas para recuperar os R$ 48,7 milhões pagos à Hempcare. Paralelamente, a Polícia Federal e o Superior Tribunal de Justiça mantêm investigações sobre o caso, que tramitam sob sigilo.

Criado pelos governadores dos nove Estados da região em meio à pandemia, o Consórcio Nordeste foi instituído para coordenar ações conjuntas e realizar compras compartilhadas de insumos e equipamentos de saúde.

Defesa de Rui Costa alega emergência para justificar gasto milionário

Em sua defesa apresentada ao TCE-BA, Rui Costa sustentou que a contratação ocorreu em um contexto excepcional de emergência sanitária e escassez mundial de respiradores. O ex-governador argumentou que a escolha da Hempcare foi aprovada de forma colegiada pela assembleia de governadores e que o pagamento antecipado refletia as condições do mercado naquele momento.

Rui Costa - Casa Civil
Rui Costa foi governador da Bahia e é o ministro da Casa Civil | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A defesa também afirmou que a responsabilização do gestor dependeria da comprovação de dolo ou erro grosseiro, hipótese que, segundo os advogados, não ocorreu. Rui Costa declarou ainda que a administração adotou providências imediatas para tentar recuperar os recursos.

Carlos Gabas também negou ter agido com dolo ou má-fé. Sua defesa atribuiu parte das falhas às limitações estruturais enfrentadas pelo Consórcio Nordeste em seu primeiro ano de funcionamento e informou que medidas corretivas foram implementadas nos exercícios seguintes.

Procurada pelo TCE-BA, a Hempcare não apresentou defesa no âmbito da auditoria. Em abril de 2025, o Tribunal de Contas da União arquivou o processo contra Rui Costa e Carlos Gabas e determinou a abertura de uma tomada de contas especial contra a empresa para buscar o ressarcimento dos prejuízos ao Erário.

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3 comentários
  1. MARCOS ANTONIO RAINHO GOMES DA COSTA
    MARCOS ANTONIO RAINHO GOMES DA COSTA

    NÃO EXISTE UMA SÓ PESSOA NO BRASIL QUE NÃO SAIBA DESSE ROUBO E DA IMPUNIDADE DOS LADRÕES. DEMOROU CINCO ANOS PARA O TCE DA BAHIA DESCOBRIR ISSO? KKKKKK

  2. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    O TCE está usando e eufemismos, da atitude “politicamente correta”, quando o assunto é apenas corrupção na sua forma mais bruta. Ladrões, canalhas, aproveitaram-se de uma situação de fragilidade extrema da população para roubar, pura e simplesmente, roubar.
    Há algo que eu não percebi? Estou equivocado na minha análise. Se for esse o caso, gostaria muito de ser esclarecido a respeito.

  3. Celso Eveling Caetano
    Celso Eveling Caetano

    Resumindo: aconteceu em 2020, quando estiver perto de caducar, algum juiz idiota vai enrolar ate que prescreva e nao condena a curiola dos políticos cirruotos que assolam este país.

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