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Política

Tarcísio defende intervenção na Enel depois de apagão

A concessionária informou que restabeleceu o serviço para cerca de 1,2 milhão de consumidores dos 2,5 milhões afetados

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na premiação da Câmara de Comércio Brasil-França | Foto: Reprodução/Instagram/sp.fr
O governador de São Paulo avaliou como insuficiente o desempenho da empresa diante do novo apagão | Foto: Reprodução/Instagram/sp.fr

A crise no fornecimento de energia elétrica depois do vendaval que atingiu a região metropolitana de São Paulo nesta quarta-feira, 10, levou o governador Tarcísio de Freitas a defender a intervenção na Enel, concessionária responsável pelo serviço.

Ele avaliou como insuficiente o desempenho da empresa diante do novo apagão, destacando que a normalização do atendimento ainda deve demorar alguns dias devido ao contingente de equipes em campo.

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Tarcísio ressaltou que a regulação do contrato pertence à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e que o governo estadual não dispõe dos meios necessários para exigir melhorias rápidas.

O governador afirmou que a intervenção está sob análise, depois da recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para estudos sobre os riscos e impactos dessa medida.

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Tarcísio critica ministro de Minas e Energia

“A gente oficia imediatamente, envia relatórios para a agência reguladora e comunica sobre a situação de todas as concessionárias”, afirmou Tarcísio durante entrega de moradias populares em Carapicuíba. “O maior tempo de restabelecimento, os maiores problemas são na área da Enel.

“Nós tivemos um período extremamente longo e, assim, a velocidade de restabelecimento, quando acontece em outros lugares, tem uma melhor performance”, seguiu. “É isso que a gente tem que buscar. A gente não pode ficar refém.”

Em resposta a críticas sobre politização do tema, Tarcísio lembrou comentários do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que, em setembro, classificou como “linguajar populista” as cobranças do governador e do prefeito Ricardo Nunes.

Leia também: “A implosão fiscal do Brasil: o déficit que rouba o futuro”, artigo de Gustavo Segré publicado na Edição 299 da Revista Oeste

O ministro garantiu que os contratos seriam analisados tecnicamente, sem “politicagem”.

“Todo evento climático vai ter o mesmo problema”, ressaltou Tarcísio. “Isso eu falei no último, lembra? Eu falei a mesma coisa. E aí teve uma crítica do ministro da pasta, dizendo que se está querendo fazer política com isso. Não é. Quanto a essas pessoas que estão sem energia, que iam fazer política com elas? Qual é a previsibilidade? Quando a energia vai ser restabelecida?”

“As pessoas só podem ter um dia sem restabelecimento” completou. “Pode ter certeza que esse restabelecimento completo vai levar alguns dias, e a gente vai ver isso acontecer de novo.”

Alternativas para a concessão

O chefe do Executivo paulista considera a intervenção uma alternativa ao rompimento do contrato, a fim de forçar investimentos para modernizar a rede elétrica, desde que a concessão seja financeiramente sustentável.

Tarcísio defendeu ainda que a divisão do contrato na região metropolitana facilitaria a fiscalização. O contrato da Enel vence em 2028, e a Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de renovação antecipada.

Posicionamento da Enel

A Enel informou que restabeleceu o serviço para cerca de 1,2 milhão de consumidores dos 2,5 milhões afetados, e classificou o vendaval como um evento “histórico”.

“O evento climático causou danos severos à infraestrutura elétrica, afetando o fornecimento em diversas regiões”, declarou a Enel. “Para acelerar a recomposição do sistema, a distribuidora está mobilizando mais de 1.600 equipes em campo ao longo do dia.”

A companhia acrescentou que ainda não há previsão para normalização total, pois algumas áreas precisam de reconstrução completa da rede, incluindo troca de postes, transformadores e cabos.

Fiscalização e consequências do vendaval

A Aneel afirmou que suas equipes técnicas, em conjunto com a Arsesp, fiscalizam a Enel para verificar o cumprimento do plano de contingência e as medidas adotadas diante do novo evento climático extremo.

O vendaval, com rajadas próximas a 100 km/h, deixou mais de um quarto dos clientes da Enel na região metropolitana sem energia.

Além disso, houve queda de árvores, danos a imóveis e veículos, atrasos em aeroportos, prejuízos ao comércio e interrupção no abastecimento de água.

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