publicidade
Brasil

Justiça suspende renovação antecipada do contrato da Enel em São Paulo

A prefeitura diz ser necessário concluir as investigações e as fiscalizações antes de decidir sobre a continuidade do serviço

Justiça suspende multas contra Enel
A decisão, desta quinta-feira 9. ocorreu depois de questionamentos da prefeitura de São Paulo | Foto: Aloisio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo

A Justiça Federal suspendeu o processo de renovação antecipada do contrato de concessão da Enel Distribuição São Paulo. A medida, de caráter liminar, impede que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a União avancem em qualquer etapa para prorrogar o contrato da concessionária.

A decisão, desta quinta-feira 9, ocorreu depois de questionamentos da Prefeitura de São Paulo sobre falhas no serviço e falta de transparência no processo conduzido pela agência reguladora.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

A prefeitura argumenta ser necessário concluir investigações e fiscalizações em andamento antes de decidir sobre a renovação.

O contrato vigente da Enel com o município expira em 2028, mas a administração municipal exige mudanças nos critérios de avaliação da concessionária antes de qualquer prorrogação.

Decisão judicial

O juiz Maurílio Freitas Maia de Queiroz afirmou que antecipar a renovação “ignora a necessidade de fiscalizar e apurar o implemento das medidas e sanções impostas” à empresa por falhas recorrentes.

Entre as razões para a suspensão, o juiz citou multas de R$ 320 milhões aplicadas à Enel em 2023, motivadas por dificuldades no restabelecimento do serviço após temporais.

Há também um processo administrativo na Aneel que pode levar à caducidade do contrato, procedimento ainda não concluído.

A prefeitura diz que não se pode considerar renovação antes do encerramento dessas apurações nem da revisão dos critérios de avaliação.

Leia mais:

O fornecimento de energia elétrica foi apontado pelo magistrado como serviço essencial, que precisa ser prestado de forma contínua, eficiente e segura.

A decisão judicial também destacou impactos recentes de eventos climáticos, que deixaram milhares de pessoas sem luz na região.

A Enel é responsável pela distribuição de energia em 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, atendendo cerca de 8 milhões de pessoas sob concessão federal regulada pela Aneel.

Enel tentou impor sigilo ao processo

O processo de caducidade diz respeito à possibilidade de extinção do contrato de concessão por indícios ou comprovação de falhas graves da concessionária.

Na decisão, a Justiça determinou que a Aneel apresente documentos e esclarecimentos sobre a fiscalização e eventual caducidade; que Aneel e União não avancem na renovação até desfecho definitivo da ação; e que a Enel adote medidas extras de contingência e compartilhe dados operacionais com a prefeitura durante eventos climáticos extremos.

O juiz rejeitou ainda o pedido de sigilo judicial, citando o princípio da transparência por tratar-se de serviço público.

O que diz a Enel

A Enel afirmou, em nota, que “tem um compromisso de longo prazo com o país, traduzido por investimentos massivos em tecnologia, renovação de redes e contratação e formação de pessoal” e reafirmou confiança nos ritos regulatórios e no cumprimento das cláusulas contratuais.

A empresa já havia solicitado a renovação antecipada com base no Decreto Federal nº 12.068/2024, que estabelece novas diretrizes para distribuidoras de energia.

Leia também: “Falsificação escancarada”, reportagem de Artur Piva publicada na Edição 291 da Revista Oeste

Desde 2023, a distribuidora enfrenta críticas de consumidores, prefeitos e autoridades por apagões prolongados e demora no atendimento em períodos de chuvas intensas.

Na última terça-feira 7, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, declarou que as infrações cometidas pela Enel precisam ser analisadas antes da renovação do contrato.

Atuação do MPF e críticas à Aneel

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo manifestou-se logo depois pela suspensão imediata da renovação, em defesa da ação civil pública movida pela prefeitura depois de episódios de má prestação do serviço.

Segundo o MPF, a Aneel não pode dar continuidade ao pedido de renovação enquanto tramita o processo administrativo que pode resultar na caducidade da concessão.

Esse procedimento foi instaurado em outubro de 2024 depois de falhas no fornecimento e multas superiores a R$ 320 milhões.

Consumidores vêm enfrentando interrupções frequentes e longos períodos de espera para restabelecimento do serviço desde 2023, principalmente em épocas de temporais.

Apesar disso, a Aneel vinha tramitando o pedido de prorrogação antecipada e chegou a aprovar, em fevereiro de 2025, uma versão preliminar do termo aditivo que poderia estender o vínculo da Enel com o município.

O MPF revela que o decreto federal suspende qualquer recomendação de prorrogação caso haja processos administrativos de caducidade em andamento. Para o órgão, antecipar a renovação poderia dificultar a apuração de responsabilidades da concessionária.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.