Durante décadas, Olímpia (SP), uma pequena cidade do noroeste paulista, construiu sua reputação em torno das águas termais. Depois, vieram os parques aquáticos, os resorts e uma rede hoteleira que transformou a cidade em um dos principais destinos turísticos do Estado e do país. Agora, o município pretende dar um passo além.
A Câmara Municipal aprovou um projeto de lei do Executivo que autoriza futuras concessões para a exploração de serviços turísticos ligados a jogos regulamentados, como cassinos integrados a resorts. Para ser válida, a medida ainda depende da aprovação do Projeto de Lei nº 2.234/2022, que tramita no Congresso Nacional. Mesmo assim, a Prefeitura de Olímpia decidiu agir antes de Brasília.
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Na prática, a lei não autoriza a instalação imediata de cassinos nem cria uma operação de jogos no município. O texto permite que a prefeitura inicie estudos e modele futuras concessões para empreendimentos turísticos integrados, em parceria com a iniciativa privada. A administração pretende utilizar o mecanismo do diálogo competitivo, previsto na Lei de Licitações, para discutir projetos com potenciais investidores e definir a melhor estrutura para os complexos. Alguma concessão, porém, só poderá avançar caso o Congresso aprove a regulação dos cassinos em âmbito federal.
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A iniciativa revela mais do que uma aposta nos cassinos. Ela mostra uma cidade que tenta ocupar uma posição privilegiada em um mercado que ainda nem existe oficialmente no Brasil.
Segundo o prefeito Geninho Zuliani, trata-se de uma medida estratégica e proativa. “Estamos nos preparando para um novo ciclo de desenvolvimento”, explicou. “Queremos atrair empreendimentos de alto padrão, gerar empregos, movimentar a economia e consolidar Olímpia como o destino turístico mais completo do país.”
O movimento chama a atenção porque poucas cidades avançaram tanto no planejamento. Enquanto o debate sobre a legalização dos jogos permanece travado há anos no Congresso, Olímpia já aprovou legislação local, estruturou modelos de concessão e iniciou conversas com investidores.
A estratégia parte de uma avaliação simples. Se a lei federal sair do papel, os empreendimentos não serão construídos da noite para o dia. Os grupos interessados procurarão locais que já ofereçam infraestrutura, demanda turística e segurança jurídica.
Olímpia, uma cidade em transformação

A discussão sobre cassinos costuma despertar debates morais e políticos. Em Olímpia, porém, o projeto aparece inserido em um plano mais amplo de desenvolvimento.
A cidade recebe cerca de 5 milhões de visitantes por ano. Possui aproximadamente 35 mil leitos de hospedagem, a segunda maior rede hoteleira do Estado de São Paulo. Abriga ainda o Thermas dos Laranjais e o Hot Beach, dois dos parques aquáticos mais visitados da América Latina.
Nos próximos anos, esse ecossistema turístico deve ganhar novos elementos. Está em andamento a implantação do Aeroporto Internacional de Olímpia, projetado para movimentar até 1 milhão de passageiros por ano. A cidade também investe em um centro de convenções capaz de ampliar sua participação no turismo corporativo e de eventos.
Nesse contexto, o cassino surge como mais uma peça de um projeto maior, numa inspiração diferente daquela de Las Vegas, nos Estados Unidos. O modelo discutido no Congresso segue experiências adotadas em países como Singapura, onde resorts integrados combinam hotelaria, gastronomia, centros de convenções, entretenimento e jogos em um único complexo.
Para os defensores da proposta, o objetivo não consiste apenas em atrair apostadores. A meta é ampliar o tempo de permanência dos turistas, aumentar o consumo local e estimular novos investimentos privados.
A corrida começou antes da lei
Existe outro fator que ajuda a explicar a movimentação de Olímpia. O projeto em análise no Senado prevê limites para a concessão de licenças de cassinos.
Em vez de uma liberação ampla e irrestrita, a proposta estabelece um número reduzido de autorizações. Isso cria uma disputa antecipada entre cidades interessadas em receber esses empreendimentos.
Sob essa perspectiva, o projeto aprovado pela Câmara de Olímpia funciona como um posicionamento estratégico. O município tenta demonstrar ao mercado que pretende disputar espaço desde o primeiro momento.
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A prefeitura também decidiu utilizar o mecanismo do diálogo competitivo, previsto na nova Lei de Licitações. A modalidade permite que o poder público construa soluções junto ao setor privado antes da definição final do projeto. O instrumento costuma ser usado em contratos complexos e de grande porte.
Ainda não existe garantia de que os cassinos serão legalizados. Também não há certeza de que Olímpia receberá um empreendimento desse tipo caso a legislação seja aprovada. Contudo, a cidade já fez sua escolha.
Ao aprovar uma legislação própria, investir em infraestrutura e buscar investidores antes da definição do Congresso, Olímpia demonstra que pretende participar da disputa desde o início. Se os planos da prefeitura se concretizarem, Olímpia poderá consolidar uma transformação iniciada há décadas, quando uma pequena cidade do interior paulista decidiu construir sua economia em torno do turismo. Agora, tenta dar o próximo passo.






































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