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Política

STF retoma julgamento sobre ampliação do foro privilegiado

Decisão do Supremo pode impactar casos como o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), instância superior do Poder Judiciário do Brasil | Foto: Pedro França/Agência Senado
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), instância superior do Poder Judiciário do Brasil | Foto: Pedro França/Agência Senado

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na sexta-feira 20, em sessão virtual, o julgamento sobre a manutenção do foro por prerrogativa de função, mesmo depois da saída do cargo, conhecido como foro privilegiado.

O tribunal já possuía maioria para ampliar o foro, mas um pedido de vista do ministro André Mendonça adiou a decisão. O julgamento será concluído na próxima sexta-feira, 27.

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Em 2018, o STF havia decidido que políticos ou autoridades perdiam o foro privilegiado ao deixar seus cargos, transferindo os processos para instâncias inferiores. Com a nova interpretação, julgamentos de autoridades que tinham foro voltam ao STF.

Isso pode impactar casos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida. Há risco de sobrecarga no Supremo.

Casos em análise pelo STF

Dois processos estão em análise. Um é um habeas corpus do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), que questiona se o STF pode julgar uma ação contra ele por “rachadinha” quando era deputado federal.

Marinho diz que deveria ser julgado pelo STF, e não pela primeira instância, devido à ocupação contínua de cargos com prerrogativa de função.

O outro processo envolve a ex-senadora Rose de Freitas (MDB-ES), acusada de corrupção passiva, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada à Codesa. Depois de não ser reeleita em 2023, o ministro Nunes Marques transferiu o caso para a Justiça Estadual do Espírito Santo. Rose recorreu ao STF para pedir o arquivamento.

Votos dos ministros sobre foro privilegiado

Ministros STF e Paulo Gonet, PGR
Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet | Foto: Reprodução/@lrobertobarroso

O relator Gilmar Mendes votou a favor da ampliação do foro, mesmo após o término do mandato. “A competência dos Tribunais para julgamento de crimes funcionais prevalece mesmo após a cessação das funções públicas, por qualquer causa (renúncia, não reeleição, cassação etc.)”, afirmou Gilmar.

Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Roberto Barroso (presidente) acompanharam o voto do relator. A maioria dos ministros entende que enviar processos para outra instância ao término do mandato prejudica o andamento e atrasa as investigações.

Se a regra for validada, processos contra políticos e autoridades deverão ser encaminhados ao STF, desde que os crimes tenham sido cometidos no exercício do cargo. Processos em andamento no STF continuarão sob sua competência, mesmo que o ocupante perca o cargo.

Ainda faltam votar os ministros André Mendonça, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Luiz Fux e Nunes Marques.

Segundo a Constituição, têm foro especial o presidente e o vice-presidente da República, congressistas, o procurador-geral da República, ministros da União, membros do TSE, STJ, TCU e os próprios ministros do Supremo, entre outros.

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4 comentários
  1. M. M J
    M. M J

    Que interessante. Com essa nova interpretação do foro “privilegiado” pelo STF, tão casuística como contraditória com a anterior, agora mesmo após deixar o Cargo o investigado seguirá com o “alvo” grudado nas costas, pronto pra ser “abatido” pelo STF à qualquer momento… Um verdadeiro “prisioneiro” eterno dos togados “supremos”…

    Cabe indagar porque a PEC que põe fim a esse maldito foro “privilegiado” não anda no Congresso???

    Será que os Deputados e senadores não têm interesse em se verem livres dessa situação triste em que se encontram, permanentemente à mercê do STF, onde, se condenados, sequer direito ao duplo grau de Jurisdição terão?????

  2. Iramar Benigno Albert Júnior
    Iramar Benigno Albert Júnior

    Os abutres querem os pintinhos embaixo de suas asinhas. Não entenderam isso? O poder de troca valerá ainda mais, principalmente para quem eles “acham” que tem o rabinho sujo. Tem é que acabar com essa excrescência, já que a justiça deve ser igual para todos.

  3. Paulo
    Paulo

    Alterar seu entendimento de 2018? Julgar um processo pela capa já é ruim, agora alterar a jurisprudência pela capa de um processo é uma inovação.

  4. Isaque Dantas Júnior
    Isaque Dantas Júnior

    Se engana quem acha que essa tese para ampliação de foro, é porque querem agilizar os processos que estão em outras instâncias, o intuito é fazer valer a tese de GOLPE de ESTADO e prender o Bolsonaro, depois das eleições o Gonet já deu a deixa de que vai aceitar a denúncia e torná lo Réu. Sempre foi esse o objetivo.

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