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Política

STF: 31 empresas têm ministros e familiares como sócios

Levantamento indica presença de magistrados e parentes diretos em escritórios, holdings, institutos e companhias imobiliárias

STF honra
O levantamento da Folha identificou 13 empresas ligadas a escritórios de advocacia ou institutos jurídicos I Foto: Divulgação/STF

A presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares no quadro societário de empresas privadas alcança pelo menos 31 registros ativos. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo, nove integrantes da Corte e 12 parentes diretos figuraram como sócios em companhias que atuam nas áreas jurídica, educacional, imobiliária, agropecuária e patrimonial.

A Lei Orgânica da Magistratura autoriza juízes a integrar sociedades e receber dividendos. A norma veda apenas o exercício de funções de administração. Filhos e cônjuges não enfrentam restrição legal.

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O levantamento da Folha identificou 13 empresas ligadas a escritórios de advocacia ou institutos jurídicos. Outras seis atuam na gestão, compra, venda ou locação de imóveis próprios. Há ainda holdings de participação, empresas agropecuárias, companhias de cursos e sociedades na área de saúde.

O caso que gerou efeito direto na atuação da Corte envolve o ministro Dias Toffoli. Ele admitiu ser sócio da Maridt Participações, holding que mantinha participação no Resort Tayayá. O empreendimento foi vendido a fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A Polícia Federal indicou elementos de suspeição depois de identificar que Toffoli recebeu recursos de fundo associado a Vorcaro. A relação levou ao afastamento do ministro da relatoria do processo.

Toffoli não mantém empresas com registros públicos acessíveis em seu nome. A advogada Roberta Rangel, ex-mulher do magistrado, integra a Rangel Advocacia e o Instituto Brasiliense de Estudos em Direito. As duas sociedades somam R$ 20 mil de capital social.

Participações se distribuem entre familiares

Parte relevante das participações concentra-se na área jurídica. O ministro Cristiano Zanin integra a Attma Participações, com capital social de R$ 260 mil, e o Instituto Lawfare, voltado a cursos. O instituto mantém registro ativo, mas seus canais permanecem desatualizados desde 2022.

Valeska Zanin, mulher do magistrado, participa da Triza Participações e da Mito Participações, ambas de incorporação imobiliária, que somam R$ 1,2 milhão de capital. Ela também integra a Zanin Martins Advogados, aberta em 2022, cujo site destaca atuação na defesa em crimes financeiros.

+ Leia também: “Arrancar as fantasias”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 309 da Revista Oeste

Gilmar Mendes figura como sócio direto ou indireto em seis empresas. A Roxel Participações, com capital social de R$ 9,8 milhões, participa de três companhias ligadas ao Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), além da GMF Agropecuária, com capital de R$ 2,2 milhões, e da Mt Crops, com capital de R$ 500 mil.

Os filhos de Gilmar — Laura e Francisco Schertel — mantêm sociedades próprias. Francisco participa do IDP e da Schertel Ferreira Mendes Advogados. Laura possui sociedade individual de advocacia.

Guiomar Lima, advogada e ex-mulher do ministro, integra o escritório Sergio Bermudes. À Folha, afirmou que decidiu atuar no local depois de se aposentar com 32 anos de serviço público.

O levantamento se espalha pela Corte

Nunes Marques participa da Nunes & Marques Administradora de Imóveis e da Educacional e Capacitação Ltda. As duas somam R$ 130 mil de capital social e contam com administração de familiares.

O filho Kevin de Carvalho mantém sociedade individual de advocacia aberta em 2024 e participa do Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária. As duas empresas somam R$ 150 mil de capital. A assessoria informou que “não há nenhuma relação [das empresas] com o ministro”.

+ “Toffoli associa Lula à remessa de relatório da PF ao STF”

André Mendonça integra a Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global, aberta em maio de 2022. Janey Mendonça, mulher do magistrado, foi sócia do Instituto Iter, que participa da Editora Iter. O jornal O Estado de S. Paulo informou em 2025 que o instituto faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano. Flávio Dino participa do Idej, aberto no Maranhão em 2003, com capital social de R$ 10 mil.

Alexandre de Moraes não possui empresas registradas em seu nome. A mulher, Viviane Barci, integra o escritório Barci de Moraes, com capital social de R$ 500 mil, além do Barci e Barci Sociedade de Advogados, aberto em 22 de setembro de 2025, com capital de R$ 100 mil.

Viviane e os três filhos também participam do Lex — Instituto de Estudos Jurídicos, com capital social de R$ 5 milhões.

Fachin e Fux não registram empresas próprias

Luiz Fux e o presidente do tribunal, Edson Fachin, não mantêm empresas registradas em seus nomes. Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, possui dois registros do escritório Fux Advogados, que somam R$ 82 mil de capital social.

Melina Fachin, filha do presidente da Corte, integra a Mahalta Participações, com capital de R$ 720 mil, e o escritório Fachin Advogados Associados.

Camila Fachin, outra filha, mantém duas empresas na área da saúde no Paraná — Anfabi Serviços Médicos e Empresa Paranaense de Locação de Equipamentos Médicos para Cirurgia Fetal — que somam R$ 11 mil de capital social.

1 comentário
  1. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    A herança MALDITA do golpe militar dado na COVARDIA da Monarquia em 1888/89!
    Ninguém percebeu mas o modus operandi da república recém instalada em virtude da COVARDIA de Pedro II…já foi sentida na concessão para se construir do ZERO o Porto de Santos…
    Num processo HONESTO os GUINLE e seu sócio solteiro ganharam…quebrando todas as esperanças das grande empresas inglesas., os GUINLE já tinham 1500 km de ferrovias.
    Ganharam com o prazo de concessão de 44 anos.
    CHEGOU a REPÚBLICA e seus barões do CAFÉ…atuais famílias de banqueiros hoje no BOSTIL…e foi aumentando para 99 anos o monopólio absoluto da exportação de café e importação de bens comprados pela riqueza cafeeira…
    OLHA só o negocião!
    Robou aí a primeira ODERBRECHT corrupção da Nojenta República…
    COVARDIA e DEIXAR SER SISTEMATICAMENTE TRAÍDO…é o Binômio da Nojeira que o BOSTIL é hoje.
    POVO COVARDIA NÃO TEM o Futuro Brilhante que Invejam dos EUA
    Somos relegados a sarjeta imunda do desenvolvimento social civilizador….e se regozijamos com essa situação. QI 83 se contenta com as migalhas que nos jogam…sorrimos e acovardamo-nos num balé eterno de escravidão estrutural.
    SIM ! A escravidão brasileira existe e só fingiu alforria os negros para colocar toda a massa populacional numa prestação de trabalho cuja remuneração gera custos menores do que o senhor de escravos tinha em manter um negro.
    Salário mínimo de 1500 reais É a forma de escravizar mais nojenta possível…os QI 83 não percebem e se alegram com o pão e circo diário

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