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Política

Secom nega relação com rede 'anti-fake news' mantida pelo governo com orçamento milionário

Apesar de funcionar dentro da estrutura do governo, a rede atua em sigilo e já financiou ida de pesquisador à Cuba

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O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, e o presidente Lula durante conversa | Foto: Reuters/Adriano Machado

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, chefiada pelo ministro Sidônio Palmeira, negou qualquer relação com a rede Minerva, projeto de combate à desinformação ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e orçado em R$ 54 milhões.

A projeto é mantido com verbas do Ministério da Saúde (R$ 12,1 milhões) e do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), ligado ao Ministério da Justiça (R$ 42 milhões).

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Os dados são de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada neste domingo, 8. A reportagem explica que embora a iniciativa não seja propriamente do governo, o projeto “anti-fake news” surgiu a partir de discussões que envolveram dirigentes da Secom.

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Questionada pelo jornal, a Secom afirmou que “não participa da governança e não aporta recursos no conjunto de iniciativas que fazem parte da rede Minerva”.

Segundo Tiago Emmanuel Nunes Braga, diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), responsável pela rede, o projeto nasceu a partir da “interlocução com a Secretaria de Análise, Estratégia e Articulação [da Secom]”.

O projeto começou no fim de 2023 e um ano depois, segundo apuração do Estadão, o Ibict já havia recebido R$ 10,5 milhões.

Rede atua em sigilo com dinheiro destinado à reparação de direitos

Apesar do orçamento milionário e da ligação com o governo, a rede não dá transparência a toda a sua produção. De acordo com a reportagem, foi só depois do início dos questionamentos que o Ibict publicou alguns dos levantamentos.

O Ibict informou que os trabalhos da rede serão disponibilizados para consulta pública ao longo do tempo. O projeto se estende até 2026.

Parte das pesquisas da rede, como relatórios de monitoramento de redes sociais, são restritos a órgãos públicos, segundo a entidade.

Em seu site, a rede Minerva informa que tem parceria com:

  • Ministério da Saúde;
  • Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior;
  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico;
  • Financiadora de Estudos e Projetos;
  • Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; e
  • Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

O Fundo de Defesa de Direitos Difusos, responsável pela maior parte do orçamento do projeto, tem como função usar o dinheiro resultante de multas impostas a empresas para reparação de algum direito difuso, ou seja, um direito que é conferido a um número grande de pessoas.

Grupo monitora posts com temas de interesse do governo

Dentre o material enviado pelo Ibict à reportagem, o Estadão identificou relatórios que citam publicações em redes sociais de políticos, opositores e jornais sobre temas como vacinação, Bolsa Família, PCC e Movimento Sem-Terra.

Parlamentares da oposição aparecem entre os perfis monitorados pela rede. Publicações dos deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ), Julia Zanatta (PL-SC) e Gustavo Gayer (PL-GO) com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram no radar dos pesquisadores da rede Minerva.

Leia também: “A esquerda está nua”, artigo de J.R. Guzzo publicado na Edição 272 da Revista Oeste

Quem executa o monitoramento das publicações não é o Ibict. Esse trabalho cabe ao Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo.

À reportagem, o Labic disse que o volume total de postagens monitoradas é bem maior do que o volume enviado ao Estadão.

Ministério da Justiça nega monitoramento de “perfis específicos”

Procurado pela Revista Oeste, o Ministério da Justiça disse que o projeto é uma “iniciativa voltada à pesquisa e à produção de conhecimento técnico-científico, e não ao monitoramento de qualquer perfil específico”.

“O objetivo é contribuir com instrumentos que auxiliem na proteção de direitos coletivos e na promoção da integridade da informação”, finaliza a nota. (Conteúdo atualizado às 14h15 de 09/06/2025).

A pasta não respondeu ao questionamento da Oeste sobre a fórmula usada para definir o valor total do orçamento destinado ao projeto.

A Oeste enviou os mesmos questionamentos ao Ministério da Saúde e aguarda resposta.

Diretor aumentou o próprio salário

O dinheiro para custeamento das pesquisas chegam até a rede Minerva através da Fundação de Apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundep). Isso é possível graças a uma portaria de julho de 2024.

Com o dinheiro disponível, o Ibict concede bolsas de pesquisas aos próprios integrantes. Um desses bolsistas é o atual diretor do Ibict, Tiago Emmanuel Nunes Braga.

Em fevereiro deste ano, segundo dados da Fundep acessados pela reportagem, Tiago passou a receber uma bolsa para “classificar e sistematizar os dados” coletados na pesquisa. São R$ 7 mil por 16 horas mensais de trabalho, ou 4 horas por semana.

A bolsa de Tiago teve como método a “indicação do coordenador”, ou seja, dele mesmo.

À reportagem, Tiago informou que concessão da bolsa foi validada pela Subsecretaria do MCTI. “A gente tem um processo de coordenação dupla do projeto”, disse.

Rede já financiou viagem de pesquisador à Cuba

Além do gasto com bolsas de pesquisa, que é o principal tipo de gasto, a rede também tem custos com a contratação de serviços de monitoramento, compra de equipamentos e viagens.

Leia também: “Regular e coçar é só começar”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 272 da Revista Oeste

Segundo a reportagem, a viagem mais cara financiada pelo projeto até o momento foi o envio de um dos pesquisadores à Cuba. Foram gastos R$ 16,5 mil.

O pesquisador viajou para participar do IV Colóquio Internacional Pátria, organizado pela Unión de los Periodistas de Cuba.

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4 comentários
  1. RENATO
    RENATO

    A atual diretora da CAPES também esteve em cuba. Existe relação, uma vez que a rede minerva tem parceria com a capes?

  2. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Fede igual a roubalheira do INSS…
    Se abrirem investigação adivinha quem vai investigar….

  3. Ralf Pol
    Ralf Pol

    Corrupção é controle das massas…
    Mais do mesmo, em dose dupla!

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