O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) não seria aprovada se fosse votada hoje. “Hoje, é claro que não passa”, declarou o senador durante entrevista ao programa Oeste Sem Filtro nesta quarta-feira, 3. “Se passasse, o governo já teria mandado a mensagem para que ele fosse sabatinado o mais rápido possível.”
Segundo Marinho, a oposição já decidiu majoritariamente votar contra o nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou ainda que Messias, enquanto advogado-geral da União, “se comportou como a extensão de um partido político” e que “criou dentro da AGU uma espécie de extensão do Ministério da Verdade”.
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Marinho também recordou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria influência sobre um grupo expressivo de parlamentares que rejeita a indicação. Ele afirmou que Alcolumbre “deve ter 25 a 30 senadores que o ouvem, que o escutam, que aceitam a sua liderança, que gostaria que tivesse sido um outro indicado”.
O senador disse que a combinação da oposição com parte dos aliados de Alcolumbre fortalece a chance de derrota de Messias no plenário. “Nesse caso, o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, afirmou.
Críticas ao perfil de Messias
Ao justificar o posicionamento da oposição, Marinho fez críticas diretas ao chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). Ele declarou que Messias “faz parte do grupo Prerrogativas, que tem uma clara condição política”. Nesse sentido, disse que o indicado ao Supremo “demonizou aqueles que participaram do movimento de 8 de janeiro, inclusive ajudando nessa exacerbação de penas”.
O senador mencionou ainda que, na visão dele, o ministro da AGU não agiu com a postura esperada de um magistrado. Segundo Marinho, indicados ao STF deveriam atender a critérios de “notório saber jurídico”, “imparcialidade” e comportamento “como juiz, como árbitro e não como integrante de um partido político”.
No entanto, Marinho também afirmou que não vê o atual Senado com disposição para avançar em temas que confrontem os interesses do STF. “Não vejo a composição atual do Senado da República como uma composição favorável a esse tipo de atuação”, declarou.
Para o senador, a renovação de dois terços da Casa nas eleições de 2026 poderá alterar esse cenário. Ele disse esperar que, com a mudança, o Congresso avance em debates hoje “varridos para debaixo do tapete” ou “relativizados”.
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