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Política

O que acontece com uma cidade sem prefeito?

São Caetano do Sul (SP) está na lista de municípios em que eleitos estão impedidos de tomar posse

são caetano do sul - tite campanella - prefeito interino
Fachada do Palácio da Cerâmica, sede da prefeitura de São Caetano do Sul (SP), cidade que começa 2021 com prefeito interino | Foto: Divulgação

Mais de 90 prefeitos eleitos em novembro não tomaram posse na manhã desta sexta-feira, 1º de janeiro de 2021. Eles compõem a lista de políticos que, apesar de vitoriosos nas urnas no pleito do ano passado, estão enrolados com o Poder Judiciário. Sem julgamento em definitivo por parte da Justiça Eleitoral, ficam impedidos de assumir cargos públicos — ao menos momentaneamente.

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É o caso de São Caetano do Sul (SP). Localizado na região chamada de Grande ABC Paulista, o município de 160 mil habitantes reconhecido por ser o detentor do melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil começou o ano com prefeito interino. Isso porque o candidato mais bem votado em novembro, José Auricchio Júnior (PSDB), teve no primeiro momento o registro invalidado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). No aguardo de parecer definitivo por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele não foi diplomado e, assim, está impedido de seguir à frente da prefeitura.

Tucano aguarda julgamento do TSE

Se seus advogados tiverem êxito junto ao TSE, o tucano Auricchio exercerá seu quarto mandato como prefeito de São Caetano do Sul. Então filiado ao PTB, ele venceu as eleições de 2004 e 2008. Já no PSDB, também sagrou-se vitorioso da disputa realizada em 2016. Em 2000, recebeu mais de 42 mil votos (45% dos votos válidos) e superou os outros sete concorrentes à prefeitura sul-caetanense.

Nova eleição?

Há a possibilidade, no entanto, de José Auricchio Júnior ser derrotado no TSE. Caso a mais alta Corte da Justiça Eleitoral considere o tucano culpado, impedindo-o de tomar posse no Poder Executivo municipal, nova eleição será realizada. Por ora, não há definição de qual será a decisão por parte dos ministros do TSE — e nem quando o julgamento será realizado. Além de São Caetano do Sul, ao menos outras 95 cidades chegam ao ano novo com problema similar, conforme registrou Oeste: prefeitos eleitos fora do cargo e aguardando decisão do TSE. Assim como no município do Grande ABC Paulista, a regra é a mesma: caso o político em questão seja derrotado, nova eleição (a chamada eleição suplementar) será realizada para se definir o mandatário local.

Prefeito interino

Nesse sentido, eis que surge a figura do prefeito interino, que fica com a responsabilidade de tocar o Executivo municipal até o momento em que o eleito em 2020 seja liberado para tomar posse ou novo pleito ser realizado. A saber: a função de prefeito interino cabe ao vereador eleito presidente da Câmara Municipal, o que ocorre justamente no dia 1º de janeiro do ano subsequente à eleição local. Em São Caetano do Sul, por exemplo, o parlamentar eleito presidente da Câmara foi Tite Campanella (Cidadania).

tite campanella - prefeito interino de são caetano do sul
Tite Campanella (Cidadania) inicia o ano como prefeito interino de São Caetano do Sul (SP) | Foto: Reprodução/Facebook

Vereador reeleito em 2020, Campanella recebeu 12 dos 19 votos possíveis na disputa realizada na manhã de hoje. Dessa forma, diante da situação de Auricchio, ele deixa o Poder Legislativo para assumir como prefeito interino de São Caetano do Sul. Com o presidente da Câmara Municipal tendo de dar expediente na prefeitura, o vice-presidente da Casa tocará os trabalhos do Legislativo. Na cidade do Grande ABC Paulista, tal cargo ficou por conta de Pio Mielo (PSDB).

Suplente com cargo

O efeito cascata — prefeito eleito sem poder tomar posse, presidente da Câmara Municipal se tornando prefeito interino e vice-presidente da Câmara à frente do Poder Legislativo — acaba por beneficiar alguém que, tecnicamente, saiu das urnas derrotado em 2020. Com a ida provisória de Tite Campanella para o Executivo, a primeira suplente do Cidadania na Câmara de São Caetano do Sul, Professora Magali começa o ano com mandato ativo como vereadora.

Leia também: “A reinvenção necessária dos partidos tradicionais”, artigo de Manoel Fernandes publicado na Edição 41 da Revista Oeste.

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