O relator da da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deputado Alfredo Gaspar (União-AL), anunciou que apresentará um pedido de prisão preventiva contra Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB).
Felipe Macedo prestou depoimento à CPMI do INSS na segunda-feira 20, mas decidiu permanecer calado diante de quase todas as interpelações sobre seu suposto envolvimento com as fraudes contra aposentados. Ele estava resguardado por um habeas corpus concedido pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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O silêncio do ex-presidente da Amar Brasil fez com que Gaspar anunciasse o pedido de prisão. O requerimento deve ser apresentado ao colegiado na próxima reunião, prevista para esta quinta-feira, 23.
Ao ser indagado pelo relator e demais parlamentares, Felipe Macedo limitou-se a responder: “Vou me manter em silêncio”. O ex-presidente da Amar Brasil também se recusou a fazer o juramento de dizer a verdade e a assinar o termo correspondente.
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Diante da comissão, a defesa do ex-dirigente, advogado Levy Magno, alegou que Felipe Macedo não comparecia como testemunha, mas na condição de investigado. A afirmação foi rebatida pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
“O senhor Felipe Macedo Gomes está aqui na condição de testemunha, uma vez que o inquérito da Polícia Federal, como o senhor mesmo disse, corre em outra instância, em outra situação, em que nós estamos com uma investigação totalmente autônoma”, declarou. “Vai ser respeitado o direito dele de não se incriminar.”
CPMI do INSS demonstra movimentação da Amar Brasil

Durante sua exposição no colegiado, Gaspar detalhou o funcionamento do esquema supostamente comandado por Gomes. Segundo o relator, a Amar Brasil movimentou R$ 143 milhões entre 2022 e 2024, e 96,9% dos aposentados afirmaram não ter autorizado os débitos.
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Além da Amar Brasil, o relator afirmou que Gomes também está ligado a outras entidades sob investigação — Master Prev, Andiapp (Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas) e Aasap (Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista). Juntas, essas quatro instituições teriam movimentado ao menos R$ 700 milhões em descontos irregulares.
“Felipe, Américo Monte, Anderson Cordeiro e Igor Delecrode”, iniciou o relator. “Todos eles tiveram facilidades dentro do INSS. Os funcionários concursados do INSS abriram as portas da corrupção, permitindo o desvio de recursos de aposentados e pensionistas.”
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De acordo com o relator, a Polícia Federal identificou na investigação sobre a fraude uma frota milionária de carros de luxo em nome dos quatro — entre eles, uma Ferrari, cinco BMWs e 16 Porsches.
Segundo o relator, o contador Mauro Concilio Palombo e o advogado Daniel Dirani tiveram papel central na estruturação da rede: “O senhor Felipe Macedo Gomes lucrou bastante, o senhor Américo Monte lucrou bastante, o senhor Igor e o senhor Anderson Vasconcelos”.
“Mas tem duas pessoas aqui que lucraram tanto ou mais: o doutor Daniel Dirani e o senhor Mauro Concilio Palombo, um advogado e um contador, e eles montaram essa teia”, prosseguiu Gaspar.
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