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Política

Procurador reafirma que Toffoli ignorou documentos em decisão sobre a Odebrecht

Um deles é o pedido de colaboração internacional com autoridades suíças

Ubiratan Cazetta, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República: 'Estamos apenas dizendo que a atuação dos membros do MPF já foi objeto de investigação pela Corregedoria do MPF' | Foto: Divulgação/ANPR

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Ubiratan Cazetta, afirmou que o ministro Dia Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ignorou documentos enviados pela Corregedoria do Ministério Público Federal (MPF). Segundo Cazetta, tais materiais continham a informação sobre o acordo de colaboração internacional com a Suíça no caso da empreiteira Odebrecht.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o procurador reafirmou os termos de uma nota pública emitida depois da decisão de Toffoli e do recurso já protocolado pela ANPR.

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Toffoli, em decisão proferida em 6 de setembro, anulou todas as provas do acordo de leniência com a construtora (e manteve a anulação dos sistemas Drousys e do MyWebDay, já anuladas pela 2º Turma do STF).

+ Ministério da Justiça agora diz que ‘achou’ documento do caso da Odebrecht

O principal argumento do ministro foi que os procuradores do MPF não teriam feito o pedido formal às autoridades suíças, ou seja, sem cumprir formalmente o que prevê a legislação. Em razão disso, o ministro determinou uma ampla investigação dos procuradores da Operação Lava Jato pela suposta burla à lei.

Porém, o presidente da ANPR ressaltou que Toffoli ignorou os documentos da Corregedoria do MPF, em que constavam as informações detalhadas sobre o acordo de cooperação. Conforme Cazetta, isso foi feito por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça.

Anteriormente, no processo no qual Toffoli deu a decisão (uma reclamação ajuizada pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva), o DRCI informou que não existia um pedido de cooperação com o governo suíço. Porém, na terça-feira 12, uma semana depois da decisão de Toffoli, o DRCI encontrou o documento que atestava a negociação.

Anulação de provas da Odebrecht não pode ser revertida

Ministro Dias Toffoli anulou todas a provas do acordo de leniência da Odebrecht | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O procurador Ubiratan Cazetta explicou que o surgimento desse documento não muda a decisão do STF que anulou os sistemas em que a Odebrecht registrava as propinas milionárias pagas a agentes públicos. Concedida em 2022, a decisão não é mais passível de recurso.

“Esta discussão toda é importante para trazer os fatos, mas nada disso altera as decisões do Supremo que declararam nulas as provas do Drousys e do MyWebDay”, afirmou Cazetta ao Estadão. “Estas decisões já transitaram em julgado. Certas ou erradas, elas estão afirmando uma nulidade. Já transitaram em julgado e não há como reiniciar o processo. Esta discussão não está sendo feita pela ANPR.”

+ Com decisão de Toffoli, TCU começa a reavaliar processos da Odebrecht

O que a ANPR quer é impedir que a ordem de Toffoli para investigar os procuradores tenha validade. Os membros do MPF que atuaram nesses casos já foram investigados pela Corregedoria, e os processos foram arquivados.

“Não estamos buscando a recuperação da validade probatória. Estamos apenas dizendo que a atuação dos membros do MPF já foi objeto de investigação pela Corregedoria do MPF, que concluiu pela sua validade, e isso foi informado ao Supremo”, explicou Cazetta. “Não se pode investigar de novo para punir essas pessoas, pois elas já foram investigadas, e não há nada de irregular.”

8 comentários
  1. Route 66
    Route 66

    Depois que inventou o “CEP errado”, o STF pode fazer o absurdo que quiser.

  2. Luís Fernando Belix
    Luís Fernando Belix

    Se apresentando fatos concreto não haverá reversão da decisão, pergunto se há necessidade de procuradores. No atual estado em que vivemos, melhor fechar o Congresso e toda o Judiciário do país. Falta nesses procuradores a coragem.

  3. Luiz Renato
    Luiz Renato

    Bandido é bandido independentemente da posição que ocupe. Só não entendi direito o fato dos procuradores não quererem reverter a decisão e sim estarem preocupados em não serem punidos. Seria isso mesmo?

  4. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Depois desta notícia é melhor trocar o jogo. Quer dizer que usam provas falsas, roubam peças processuais ou ignoram provas e não acontecerá nada? Se anularam procedimentos técnicos da lava-jato, só no STF não podem ser anulados? Tá me cheirando enxofre por aí. Esta notícia é para desanimar.

  5. PCC
    PCC

    O STF vem nos últimos anos simplesmente ignorando o Ministério Público Federal e este por sua vez, tem ficado absolutamente calado. Agora falou, mas deveria se manifestar contra todas as ilegalidades praticada por Alexandre de Moraes e seus pares, como usurpação de poder, prisões ilegais, etc.

  6. MNJM
    MNJM

    Toffoli é o eterno advogado do PT, não tem nenhum pudor e foi citado por Marcelo Odebrecht em delação “o amigo do amigo do meu pai” . Instituição política não passa de um puxadinho do PT, Se tivesse dignidade nem deveria se envolver em ações referentes ao corrupto Lula e a Lava Jato, o correto era declarar SUSPEITO. Mas precisa agradar o seu criador pela boquinha q conseguiu, mesmo tendo sido reprovado 2 X no concurso p Juiz em SP. STF vergonha nacional

  7. Alzira Conceição Pacheco de Lima
    Alzira Conceição Pacheco de Lima

    Se entendi bem o povo, que foi lesado pela empreiteira e seus comparsas, terá que devolver o dinheiro ressarcido aos cofres públicos? É isso mesmo? E eles simplesmente dizem que não há o que fazer? Por que não fizeram nada quando ocorreu o erro? Só se mexeram quando o STF mandou investigá-los, ou seja, como sempre, quem lhes paga os altos salários e mordomias é tratado com desprezo. Infelizmente é impossível esperar algo de bom num país como esse.

    1. Alexandre Silva
      Alexandre Silva

      Exatamente, “só se mexeram quando o STF mandou investigá-los”…

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