publicidade
Política

PGR recorre de decisão de Toffoli que suspendeu multa bilionária da Odebrecht

Paulo Gonet salientou que empreiteira não recuou da confissão dos crimes de corrupção

PGR Gonet Odebrecht
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse, no recurso, que a Odebrecht 'e os seus executivos sempre puderam dispor da melhor assessoria jurídica, administrativa, contábil e de relações públicas', o que afasta a hipótese de coação | Foto: Leobark Rodrigues/MPF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou na quarta-feira 14 um recurso contra a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o pagamento da multa bilionária do acordo de leniência da Odebrecht (atual Novonor).

+ Leia as últimas notícias de Política no site da Revista Oeste.

Receba nossas atualizações

Toffoli determinou a suspensão da cobrança da penalidade por tempo indeterminado em 31 de janeiro, com fundamento de que a suspeita de “conluio” entre o julgador e os procuradores do Ministério Público Federal gera “dúvida razoável” sobre a legalidade do acordo de leniência da Odebrecht com o MPF, assinado em 2017.

O ministro também autorizou que a empreiteira acesse provas da Operação Spoofing, apelidada de Vaza Jato, para tentar comprovar que foi coagida a assinar o acordo com o MPF, no qual admitiu corrupção em 49 contratos de obras públicas e aceitou pagar multa de R$ 3,8 bilhões.

PGR diz que argumentos da Odebrecht são “precários”

paulo gonet - lula - pgr 2
Gonet salientou que todo negócio jurídico goza de presunção de validade | Foto: Carlos Moura/SCO/STF

No recurso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pede a Toffoli que reconsidere a própria decisão ou que submeta o recurso para análise no plenário do STF.

“A presunção de que goza todo negócio jurídico é o da sua validade”, sustentou Gonet, conforme trecho citado pelo Estadão. Segundo ele, os argumentos da Odebrecht de que foi pressionada a fechar o acordo para garantir sua sobrevivência financeira e de que foi vítima de “chantagem institucional” são precários.

+ Toffoli determina investigação da ONG Transparência Internacional, crítica do governo Lula

“É óbvio que o particular estará sempre numa posição de pressão. Seria ingênuo supor que alguma grande empresa se apresentaria ao Ministério Público Federal para fechar um acordo de leniência se não percebesse a probabilidade de sofrer danos intensos aos seus interesses se optasse por não colaborar”, afirmou o PGR.

No acordo com o MPF, a Odebrecht mencionou 415 políticos de 26 partidos e jamais se retratou sobre os acordos de corrupção. “Não deixa de ser significativo que o peticionário não esteja arguindo que mentiu ao indicar casos de corrupção e de malfeitos de que participou. A prática de crimes foi efetivamente reconhecida pela empresa e por seus executivos, em confissões e com entrega de documentos comprobatórios”, segue Gonet.

Gonet alerta para efeitos da suspensão do acordo 

Dias Toffoli Lava Jato
Ministro Dias Toffoli também suspendeu a multa da J&F | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O procurador-geral também alertou para os efeitos do acordo, cuja multa, corrigida, chegaria a R$ 8,5 bilhões ao longo dos 23 anos em que seria paga e alerta para o efeito sobre outros acordos firmados ao longo da Operação Lava Jato.

“A decisão, pelo seu efeito de espelhamento futuro, e tendo em vista os tantos acordos de leniência e de colaboração já celebrados e homologados, é apta para afetar previsões orçamentárias de órgãos do Poder Público e a sua capacidade financeira de concluir metas de ação”, sustentou Gonet.

+ Estadão: ‘Toffoli parece profundamente empenhado em reescrever a história de corrupção do PT

O PGR disse que as conversas entre o ex-juiz da Lava Jato e hoje senador Sergio Moro (União-PR) e membros do MPF, hackeadas por Walter Delgatti Netto e vazadas à imprensa (objetos da Operação Spoofing), embora possam demonstrar “comportamentos censuráveis de agentes públicos, não revelam prática de nenhum ato que componha o conceito de coação moral irresistível”. “A empresa e os seus executivos sempre puderam dispor da melhor assessoria jurídica, administrativa, contábil e de relações públicas.”

Gonet também recorreu, há uma semana, da suspensão da multa da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, também determinada por Toffoli. O ministro ainda não analisou o recurso. 

3 comentários
  1. Paulo
    Paulo

    Este senhor Toffoli, deveria ser afastado do cargo por ter decidido pela anulação da multa do J&F, caso que a advogada é a sua própria esposa. Se forem casados por comunhão de bens, em teoria ele ganha dinheiro, por ter anulado a multa.

  2. Daniel BG
    Daniel BG

    Se tiver a corda de que precisa, toffoli vai processar os órgãos que o repetiram nas duas vezes em que REPETIU para o cargo de juiz. Por que darem corda para esse?

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade