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Política

PF procura 3 foragidos da operação que prendeu pai de Vorcaro

O fugitivos são dois especialistas em tecnologia e um policial federal aposentado

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes sociais
Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução/Redes sociais

A Polícia Federal está à procura de três pessoas que não foram localizadas durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, realizada na quinta-feira 14. Os foragidos são o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior e os especialistas em tecnologia David Henrique Alves e Victor Lima Sedlmaier. A ação teve como objetivo desarticular uma rede de espionagem, ataques cibernéticos e intimidação ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

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Segundo informações do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Sebastião Monteiro Júnior atuava como peça-chave do núcleo coercitivo apelidado de “A Turma”. Ele adotava estratégias furtivas, como o uso de telefones internacionais e aplicativos que apagavam mensagens automaticamente, em busca de eliminar registros de suas atividades. A investigação flagrou o ex-policial em encontros reservados com os líderes do grupo, ao intermediar demandas ilegais e ao funcionar como ligação no braço policial do esquema.

David Henrique Alves, apontado como o principal articulador do núcleo hacker “Os Meninos”, recebia instruções diretas para realizar ataques virtuais e eliminar perfis contrários ao grupo. Ele era remunerado com até R$ 35 mil mensais para comandar as ações digitais. Durante a terceira fase da operação, David foi visto ao tentar fugir de madrugada, conduzindo um veículo de luxo do chefe, com computadores e malas para ocultar possíveis provas.

Atuação dos demais envolvidos e operações de ocultação

Victor Lima Sedlmaier, estudante de ciência da computação e desenvolvedor, atuava subordinado a David e prestava serviços tecnológicos e logísticos. Depois da fuga de David, Victor compareceu à residência do líder com um caminhão de mudanças e autorização de acesso e retirou todos os equipamentos que pudessem comprometer o grupo cibernético.

Entre os detidos na sexta fase da operação está o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Henrique foi alvo de um dos sete mandados de prisão preventiva autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, e validados pela Procuradoria-Geral da República.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu sete prisões preventivas e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Também foram aplicadas medidas como bloqueio de bens, afastamento de funções públicas e sequestro patrimonial.

Esquema criminoso e estrutura de monitoramento

A investigação apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, ameaça, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. De acordo com a Polícia Federal, o esquema teria movimentado bilhões de reais em operações fraudulentas que envolviam o Banco Master e negociações de ativos financeiros sem respaldo.

Entre os aspectos que mais chamaram atenção dos investigadores está a existência de uma estrutura paralela para monitorar e intimidar pessoas, descrita como uma “milícia privada”. Decisões judiciais relatam que o núcleo “A Turma” vigiava jornalistas, autoridades, ex-funcionários e adversários empresariais, protegendo interesses do grupo ligado ao Banco Master.

O comando operacional desse núcleo, conforme a Polícia Federal, estava sob responsabilidade de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Mourão foi preso em fase anterior da operação e faleceu enquanto estava detido. Ele era responsável por ações de monitoramento, coleta de informações sigilosas e intimidação de alvos.

Acesso ilícito a sistemas e movimentação financeira

As apurações revelam que o grupo acessava de forma irregular sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e de órgãos internacionais, como FBI e Interpol, com uso de credenciais de terceiros para obter dados protegidos por sigilo.

Leia também: “Os tentáculos do Master”, artigo de Carlo Cauti na Edição 305 da Revista Oeste

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