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Política

PF: diretor da Abin indicado por Lula impediu investigações e perseguiu colegas

Relatório policial sugere que Luiz Fernando Corrêa, enquanto chefe do órgão de inteligência, cometeu crimes como prevaricação e coação em inquérito

Luiz Fernando Corrêa, diretor da Abin, indicado por Lula
Luiz Fernando Corrêa, diretor da Abin, indicado por Lula | Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O relatório final da Polícia Federal (PF) sugere que o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, escolhido em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interferiu em investigações e perseguiu servidores do órgão.

O documento ainda mostra que Corrêa tentou impedir o avanço das apurações sobre o uso irregular do sistema First Mile, no episódio conhecido como “Abin paralela”. Ele buscou proteger o ex-diretor de Operações de Inteligência da agência Paulo Maurício Fortunato.

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Apontado como um dos principais responsáveis pelo uso indevido do First Mile para fins pessoais e políticos, especialmente durante a gestão de Alexandre Ramagem (PL-RJ), Fortunato foi posteriormente indicado por Corrêa para liderar a Secretaria de Planejamento e Gestão da Abin.

Segundo a Polícia Federal, mesmo antes da nomeação oficial em maio de 2023, Corrêa já exercia influência na agência, desde fevereiro. Ele tinha conhecimento das ações ilegais adotadas pela administração anterior, incluindo a suposta instrumentalização da Abin para ações sobre o sistema eleitoral.

Estratégias para dificultar investigações

Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR/Flickr

O relatório detalha uma reunião realizada em março de 2023 entre Corrêa, Fortunato e Alessandro Moretti, ex-diretor adjunto, na qual teria sido definida uma estratégia para dificultar a investigação federal e centralizar a apuração no âmbito interno da Abin e no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Prometeu-se que uma sindicância interna seria ‘suficiente para a Polícia Federal’, buscando substituir a apuração criminal por um procedimento administrativo controlado internamente”, diz o relatório da PF. “Estabeleceram-se ‘acordos e entendimentos internos’, criando-se uma comissão para ‘participar das decisões junto com a direção-geral’ e ‘construir uma estratégia de defesa em conjunto’, visando unificar discursos e impedir colaborações espontâneas.”

Leia mais: “A esquerda volta a atacar”, reportagem de Branca Nunes publicada na Edição 273 da Revista Oeste

O documento também ressalta que Corrêa e outros diretores difundiram internamente a narrativa de que a investigação da PF teria caráter político e seria motivada por perseguição.

O afastamento de Fortunato ocorreu em 20 de outubro de 2023 por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua exoneração se deu quatro dias depois. Em janeiro de 2024, Moretti também foi demitido por decisão de Lula, depois de avanços no inquérito.

Assédio e perseguição a servidores

Além das tentativas de obstrução, a PF relata episódios de assédio moral e perseguição à então corregedora Lidiane Souza dos Santos, que teria sido alvo de retaliação por colaborar com as investigações conduzidas pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Corrêa, conforme o relatório, chegou a classificar a Corregedoria como “bandalha” e defendeu de forma agressiva a necessidade de “intervenção”. “A insatisfação com aqueles que colaborassem com a presente investigação era devidamente exposta pelo Diretor Geral da Abin, tanto que defendeu em tom agressivo a ‘intervenção na corregedoria’”, afirmou a autoridade policial. “A intervenção realmente ocorreu com a sucessão da unidade por José Fernando de Moraes Chuy.”

O texto revela que Lidiane e sua equipe apoiaram as apurações da PF e da CGU, mas, em resposta, foram alvo de assédio, perseguição e de um dossiê elaborado por Chuy. Um servidor do gabinete relatou à PF, sob sigilo, que Corrêa chegou a minimizar violações de sigilo funcional e disse que “às vezes temos que ir até o limite do precipício”.

Indiciamento e acusações formais contra diretor da Abin

Luiz Fernando Corrêa foi indiciado por crimes como obstrução de investigação envolvendo organização criminosa, prevaricação e coação no curso do processo. Segundo a PF, ele teve “participação ativa” na estratégia para afastar a apuração da corporação, recusou-se a fornecer provas e omitiu nomes de usuários do sistema First Mile.

A Polícia Federal ainda afirmou que Corrêa deixou de impedir operações ilegais sob sua gestão e usou assédio moral para intimidar servidores. Com as ações, ele buscou favorecer interesses próprios e de terceiros durante as investigações, segundo o relatório.

Leia também: “Lula 3: já acabou, mas ainda precisa terminar”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 273 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Manoel
    Manoel

    A coisa vai de mal a pior – não da para acreditar onde chegamos. O fato é que nada ira acontecer, pois o ‘indicado’ faz parte da qua-dri-lha

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