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Política

Parecer inicial da PEC da Escala 6x1 prevê 10 anos para transição de jornada

Relator da proposta na CCJ da Câmara defende admissibilidade da proposta, mas sugere cautela e maior espaço para negociação coletiva

Paulo Azi
O relator da PEC da Escala 6x1 na Câmara, deputado Paulo Azi (União-BA) | Foto: | Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados

O deputado Paulo Azi (União-BA) apresentou nesta terça-feira, 15, o parecer oficial sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fim da Escala 6×1, em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A matéria deve ser apreciada pelo colegiado depois do feriado de Tiradentes, na terça-feira da próxima semana, 21. 

+ CCJ da Câmara vai votar PEC da Escala 6×1 depois do feriado

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No relatório, Azi se posiciona pela admissibilidade da proposta — ou seja, considera que o texto pode avançar na tramitação. Apesar disso, o parlamentar destacou que o mérito da matéria ainda precisará de amplo debate em comissão especial, antes de seguir ao plenário da Câmara.

Logo na abertura do voto, o relator defendeu um tratamento técnico do tema e alertou para distorções no debate público. Segundo Azi, é necessário evitar que a discussão seja “contaminada pelo populismo e pela demagogia”.

O parecer inicial da PEC do Fim da Escala 6×1

O relatório analisa a PEC nº 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal para 36 horas em um prazo de dez anos, além da PEC Apensada nº 8/2025, que propõe jornada de quatro dias por semana, também limitada ao mesmo período de carga horária.

Principais pontos: 

  • Redução da jornada semanal de 44 para 36 horas;
  • Implementação gradual ao longo de 10 anos;
  • Debate sobre o fim da escala 6×1;
  • Manutenção de salários como premissa do texto.
Debate sobre o fim da escala 6x1 (PEC 221/19) na CCJ da Câmara
Debate sobre o fim da escala 6×1 (PEC n° 221/19) na CCJ da Câmara | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

+ Escala 6×1: projeto de Lula enfrenta críticas por risco de desemprego e inflação

O parecer reconheceu que a redução da jornada é uma tendência internacional e pode trazer ganhos sociais relevantes. O texto destaca que jornadas extensas representam risco à saúde dos trabalhadores e impactam diretamente a qualidade de vida.

Entre os pontos levantados, o relator analisou que o modelo atual pode gerar “grave ameaça à saúde física e mental dos trabalhadores”, além de afetar de forma mais intensa mulheres, jovens e trabalhadores de baixa renda.

O que pode mudar na proposta

Embora não altere diretamente o texto — já que a CCJ analisa apenas a admissibilidade —, o parecer de Azi sinalizou ajustes importantes para a próxima fase da tramitação, especialmente na comissão especial:

  • Evitar engessamento constitucional das escalas: o relator apontou que regras rígidas sobre jornada e escala não devem ser totalmente fixadas na Constituição, abrindo espaço para negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.
  • Transição estruturada: Azi levantou a necessidade de regras claras de transição para evitar impactos abruptos no mercado de trabalho.
  • Avaliação de compensações econômicas: o parecer mencionou a possibilidade de medidas como desoneração da folha para mitigar custos às empresas.
  • Análise diferenciada por setor: o relator destacou que os efeitos da redução da jornada não serão uniformes e devem considerar a realidade de cada segmento econômico.

Impactos econômicos no radar

O parecer dedicou um espaço relevante aos possíveis efeitos econômicos da medida. Estudos citados apontaram para um aumento expressivo de custos para empresas e risco de impacto no emprego.

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Há estimativas de que a redução da jornada para 40 horas poderia gerar impacto de até R$ 158 bilhões na folha salarial, que pode chegar a R$ 610 bilhões em cenários mais amplos.

O relator também menciona a possibilidade de aumento de preços, redução do PIB e efeitos negativos sobre pequenos negócios, especialmente no setor de serviços.

Debate dividido

O relatório também incorporou discussões realizadas em audiências públicas que evidenciaram forte divergência sobre o tema.

De um lado, representantes do governo e centrais sindicais defendem a redução da jornada como medida de melhoria da qualidade de vida e estímulo à produtividade. De outro, entidades empresariais alertam para os riscos de desemprego, inflação e perda de competitividade.

Próximos passos

Com o parecer favorável à admissibilidade aprovado pela CCJ, a PEC pode avançar para a próxima etapa, que será a criação de uma comissão especial para análise do mérito.

Será nesse estágio que eventuais mudanças estruturais deverão ser efetivamente definidas, como o formato final da jornada, regras de transição e impactos econômicos.

Leia também: “O desastre do fim da escala 6×1“, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 317 da Revista Oeste

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