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Política

O ditador chinês causa furor nos decotes dos nossos juristocratas

A frase de Gilmar foi, ao mesmo tempo, um escárnio e uma confissão

Gilmar Mendes, decano do STF, disse, durante sessão da Corte: 'Nós somos todos admiradores do regime chinês de Xi Jinping'; nenhum colega o rebateu | Foto: Ton Molina/STF
Gilmar Mendes, decano do STF, durante sessão da Corte | Foto: Ton Molina/STF

“Nós todos somos admiradores do regime chinês de Xi Jinping”. Como testemunhou uma sociedade cada vez mais debilitada por doses cavalares e diárias de radioatividade juristocrata, essa frase foi proferida no plenário do STF, por ninguém menos que Gilmar Mendes, decano da nossa mais alta (e cada vez mais baixa) Corte.

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Abordando a discussão sobre o famigerado artigo 19 do Marco Civil da Internet, o tiete de ditador resolveu, como é de seu feitio, fazer o papel de mentor político, filósofo moral e porta-voz de seus pares. Ocorre que, pelo silêncio destes últimos, podemos inferir que concordam com o colega, cuja atribuição de consensualidade à referida opinião parece, portanto, correta.

Que o leitor releia e torne a apreciar a fala repugnante: “Nós somos todos admiradores do regime chinês de Xi Jinping”. Sim, o sujeito não se vexou em qualificar adequadamente de regime — e não de um reles governo — o objeto de sua admiração. Não se trata, portanto, de uma metáfora mal colocada ou de um comentário tirado de contexto. O que foi dito está dito. E não apenas dito: celebrado.

STF
Cada ministro defendeu um modelo próprio de responsabilização das redes sociais | Foto: Bruno Moura/STF/Flickr

Em suma, o homem que ajudou a moldar o ativismo político-judicial da última década presta homenagem aberta à tirania tecnológica que vigia mais de um bilhão de almas, censura qualquer dissidência, aprisiona minorias, destrói igrejas e controla a internet como um demiurgo totalitário.

Mas Gilmar Mendes foi apenas coerente com o projeto de poder de sua casta. Há anos, sob o pretexto tragicômico de “proteger a democracia”, a corte vem reproduzindo — com verniz jurídico e pose de superioridade moral — os mecanismos que fazem da China o exemplo máximo do Leviatã digital moderno. De censura judicial escancarada a mandados de remoção sem base legal, passando pela criminalização seletiva da palavra, o STF não esconde mais sua vocação: substituir o Estado de Direito pelo estado de vontade dos covers de Xi Jinping.

Na China, não há separação de Poderes. Também aqui, ela é cada vez mais ficcional. Lá, não existe liberdade de expressão. Por aqui, ela dá seus últimos suspiros, enquanto Alexandre de Moraes decide — como um mandarim de toga — o que é “discurso de ódio” e o que é “manifestação democrática”. E enquanto o maoísta Flávio Dino, em novilíngua castiça, pontifica que “liberdade regulada é a única liberdade”.

Lula e Xi Jinping em viagem diplomática na China | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Lula e o ditador chinês Xi Jinping | Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A frase de Gilmar foi, ao mesmo tempo, um escárnio e uma confissão. Escárnio porque zombou, sem disfarce, da inteligência dos brasileiros. Confissão porque revelou, em poucas palavras, aquilo que muitos intuíam, mas hesitavam em crer: que o projeto da Suprema Corte brasileira não é salvar a democracia — é substituí-la por uma Nomenklatura togada.

Leia também: A Ópera do juiz doidão, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 273 da Revista Oeste

5 comentários
  1. ALEX
    ALEX

    Temos que cobrar publicamente de todos os que estão consentindo com isso para quando esse regime autoritário cair, e vai cair, os ajudantes, comparsas e covardes que fizeram parte possam ser exemplarmente punidos.

  2. ELIAS
    ELIAS

    A marcha totalitária liderada pelo STF, à medida que não encontra resistência e, até pelo contrário, identifica apoios na midia e na intelectualidade compradas, avança livrando-se de disfarces. O escárnio se exibe e a dominação pela força se consolida.

  3. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    Gilmar boca de sapo Mendes, se vc gosta tanto do fdp chinês, DÊ O “FIÓ Ó FÓ” PRA ELE.

  4. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    Está definitivamente iaugurado o neonazismo judicial tupininquim. Pensado e teorizado por Gilmar Mendes e dirigido por Moraes, com a anuência de, pelo menos mais sete ministros, dedicou-se a prender, cassar opositores, perseguir milhares de pessoas humildes, simples e até generais, para dar exemplo ao povo. Agora, avançam sobre a liberdade de expressão e sobre a internet. Principalmente, abrindo orgulhosamente o jogo a que se ptopuseram::: todos nós admiramos o regime chinês de Jimping!!!!!! TODOS NÓS, NÃO, MINISTRO: VOCÊS DO CONSÓRCIO!!. O povo brasileiro nào quer. Aliás, a Cinha está repetindo os portugueses, enchendo o Brasil e bugingangas. Quando o povão descobrir, vai chorar sangue!!!!!

  5. Leonardo de Almeida Queiroz
    Leonardo de Almeida Queiroz

    Para destruir de vez alguma esquecida ilusao de eventual(mas improvavel) tucano bem intencionado.

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