publicidade
Política

Moraes determina preservação integral de provas da megaoperação policial no Rio de Janeiro

Ministro do STF exige documentação detalhada e garante acesso à Defensoria Pública para assegurar transparência e direito à contraprova

Ministro Alexandre de Moraes, relator Ação Penal 2694 -Núcleo 4 (21/10/2025) | Foto: Rosinei Coutinho/STF
Familiares de Bolsonaro se manifestaram nesta terça-feira | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Depois da megaoperação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro — incluindo quatro agentes de segurança —, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a preservação completa e detalhada de todas as provas relacionadas à ação, incluindo registros periciais, laudos e materiais coletados em campo. 

+ Gilmar cobra ‘equilíbrio’ em operações policiais

Receba nossas atualizações

A determinação, segundo Moraes, busca garantir transparência e permitir que a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro tenha acesso pleno às evidências para análise e eventual produção de contraprovas.

“A documentação rigorosa das provas é essencial para garantir transparência e permitir controle social sobre as ações do Estado”, afirmou Moraes ao determinar o cumprimento imediato da decisão.

A decisão do ministro atende a um pedido da Defensoria Pública da União (DPU), que solicitou ao STF o acompanhamento técnico das investigações e a presença de profissionais especializados durante as perícias. Segundo o ministro, o objetivo é assegurar a lisura e a credibilidade da produção probatória, diante da dimensão inédita da operação.

Rio de Janeiro - Pesquisa
Membros da unidade especial da Polícia Militar patrulham uma rua durante uma operação policial contra o tráfico de drogas na favela da Penha, no Rio de Janeiro, Brasil — 28/10/2025 | Foto: Reuters/Aline Massuca

Moraes marca audiências no Supremo

O ministro também marcou duas audiências no STF. A primeira, nesta segunda-feira, 3, reunirá o governador Cláudio Castro (PL), o secretário de Segurança Pública, os comandantes da Polícia Militar e da Polícia Civil, além do diretor da Superintendência-Geral de Polícia Técnico-Científica.

Leia também: “Territórios sequestrados”, reportagem de Isabela Jordão e Uiliam Grizafis na Edição 294 da Revista Oeste

Embora tenha atendido parte do pedido da DPU, Moraes negou a participação direta da instituição na primeira sessão. Além de Castro e demais autoridades, devem participar:

  • Conselho Nacional de Direitos Humanos — órgão federal de promoção e proteção dos direitos humanos;
  • Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj);
  • Instituto Anjos da Liberdade — organização de defesa jurídica e social;
  • Associação Direitos Humanos em Rede (Conectas Direitos Humanos) — entidade de atuação internacional em direitos humanos;
  • Associação Redes de Desenvolvimento da Maré (Redes da Maré) — organização comunitária sediada no Complexo da Maré;
  • Educação e Cidadania de Afrodescendentes Carentes (Educafro) — movimento de inclusão educacional e combate ao racismo;
  • Justiça Global — organização de direitos humanos voltada à responsabilização por violações;
  • Instituto de Estudos da Religião (ISER) — centro de pesquisa e promoção de direitos humanos e diversidade;
  • Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência — articulação de familiares de vítimas e coletivos comunitários;
  • Coletivo Fala Akari — movimento social de comunicação comunitária e direitos humanos;
  • Coletivo Papo Reto — coletivo de mídia e direitos humanos do Complexo do Alemão;
  • Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial — grupo de pesquisa e ativismo antirracista;
  • Movimento Negro Unificado (MNU) — organização histórica de luta contra o racismo no Brasil;
  • Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) — entidade internacional de advocacia em direitos humanos;
  • Laboratório de Direitos Humanos da UFRJ (LADIH) — núcleo acadêmico de pesquisa e extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro;
  • Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Luiza Mahin (NAJUP) — grupo estudantil de assessoria jurídica popular;
  • Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) — organização voltada à promoção da igualdade racial e jurídica;
  • Movimento Mães de Manguinhos — associação de mães e familiares de vítimas de violência policial; e
  • Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (IARA) — entidade de defesa jurídica com foco em causas raciais e ambientais.

+ Megaoperação provocou prejuízo de R$ 13 milhões ao Comando Vermelho

A segunda audiência, prevista para a próxima quarta-feira, 5, deve ser aberta a entidades de direitos humanos e movimentos sociais, que poderão enviar representantes até a terça-feira 4, conforme despacho do gabinete do ministro.

ADP das Favelas

paraná pesquisas - cariocas x operações policiais - bope
Agente do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em ação em viela de uma favela carioca | Foto: Reprodução/X/@BOPE_PMERJ

Alexandre de Moraes é o relator interino da ADPF das Favelas, ação apresentada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), que questiona a violência e a alta letalidade de operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

A ação aberta pelo PSB, que antes estava sob relatoria do agora ministro aposentado Luís Roberto Barroso, estabeleceu regras para o uso proporcional da força, proteção de civis e planejamento estratégico das ações policiais.

Em abril de 2025, o STF determinou que o governo fluminense apresente um plano de reocupação das áreas dominadas por facções e milícias, com presença permanente de serviços públicos como saúde, educação e moradia, visando a reduzir o poder do crime organizado e restaurar a autoridade estatal.

9 comentários
  1. FRANCISCO FERREIRA
    FRANCISCO FERREIRA

    Me pergunto onde na lei está que é atribuição do ésseteéfe investigar esse tipo de ação? Mais uma arbitrariedade em defesa da criminalidade, haja vista a quantidade de “órgãos e instituições” de defesa dos manos. No mínimo vergonhoso.

  2. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Com certeza ele não conhece uma favela, avisa que a população retirou a camuflagem dos terroristas expostos nas ruas.

  3. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Vai forjar um jeito de incriminar o governador, é sua especialidade

  4. jose luiz Corte
    jose luiz Corte

    O governo do Rio deveria preservar as provas da mesma forma como o governo federal no 08 de janeiro. Prá estes narcoterroristas, tem um monte de entidades e até do governo federal prá defender.

  5. Paulo Sérgio Gusson
    Paulo Sérgio Gusson

    Que absurdo , vivemos para ver um dia a mais Alta corte de justiça do Brasil defender explicitamente os bandidos .

  6. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    O velho parça , advogado da facção atuando novamente…

  7. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Claudio castro foi eleito para governar o . Estado do Rio de Janeiro.

  8. Luiz fernando Chalet ferreira
    Luiz fernando Chalet ferreira

    E desta vez foi provocado , e assim que funciona . Vai ter tudo em mãos.

  9. Luiz fernando Chalet ferreira
    Luiz fernando Chalet ferreira

    É o rei, se mete em tudo . Só não vou nsrgue enviar as imagens de 8/1 e as do aeroporto na Itália , quando seu filho foi ofendido por uma Familia mau educada de brasileiros

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.