A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi votou, nesta quarta-feira, 17, pela condenação do governador do Acre, Gladson Cameli (PP) a 25 anos e 9 meses de prisão. Ela também votou pela perda imediata do cargo e pelo pagamento de R$ 11,7 milhões.
Apesar disso, com o pedido de vista do ministro João Otávio Noronha, revisor do caso, o julgamento foi suspenso e só deve ser retomado em 2026.
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Cameli é suspeito dos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
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O STJ aceitou a denúncia e tornou Cameli réu em 15 de maio de 2024. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele lidera o esquema de corrupção. O governador, porém, prestou depoimento em 5 de novembro de 2024 e negou as acusações.
Relatora aponta comando de esquema de desvio
Para a ministra, o governador chefiou uma organização criminosa que desviava recursos públicos por meio de superfaturamento de serviços de duas construtoras sem licitação. Andrighi afirmou que o contrato da empresa Murano, ligada à empresa do irmão do governador, foi usado para corrupção e lavagem de dinheiro.
Segundo a relatora, Cameli coordenava o esquema e indicava pessoas de confiança para garantir a aprovação de obras e reformas, mesmo com irregularidades. Ela também afirmou que a empresa contratada mantinha ligação com negócios dos irmãos do governador.
Segundo a PGR, o esquema envolveu a adesão da Secretaria de Infraestrutura do Acre a uma ata de registro de preços vencida, vencida pela empresa Murano, sediada em Brasília. A empresa não tinha estrutura física no Estado nem histórico de serviços no Acre.
Quem fez a licitação foi um instituto federal de Goiás para serviços de manutenção predial. No Acre, a Murano executou grandes obras rodoviárias por meio de subcontratações, incluindo a empresa Rio Negro Construções, que tem como sócio Gledson Cameli.
Gladson Cameli encerra mandato em 2026
Com o pedido de vista, Cameli pode não estar mais no cargo quando o STJ retomar o julgamento. Ele deve deixar o governo no fim de março para disputar uma vaga ao Senado pelo Acre.
Cameli citou um recurso apresentado por sua defesa em novembro de 2025, antes do julgamento inicialmente marcado para 19 de novembro. Os advogados alegaram falta de acesso a todas as provas da acusação, incluindo relatórios de inteligência financeira do Coaf repassados à Polícia Federal.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acolheu o recurso. Para ele, a ausência dos documentos comprometeu o direito de defesa. O magistrado determinou o envio dos dados antes do julgamento.
Apesar de permanecer no cargo, Cameli cumpre medidas cautelares, como proibição de contato com testemunhas e investigados, impedimento de deixar o país, entrega do passaporte e bloqueio de bens e valores.





































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