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Política

Membro do PCC: 'Arrancamos o coração dele'. É este um homem?

O horror absoluto está descrito em uma reportagem sobre o 'Novo Cangaço', a modalidade de crime que o PCC pratica em pequenas cidades

A marca PCC
A marca 'PCC' em parede de penitenciaria | Foto: Divulgação/Marco Gomes/Flickr

O horror absoluto está descrito em uma reportagem dos jornalistas Pepita Ortega, Marcelo Godoy e Fausto Macedo. O horror absoluto é o PCC.

Os jornalistas tiveram acesso a trocas de mensagens e áudios de criminosos da facção criminosa. Eles foram captados pela Polícia Federal e pela Promotoria de São Paulo no curso das investigações sobre o “Novo Cangaço”, como vêm sendo chamados os assaltos a blindados e bancos que os criminosos promovem em pequenas cidades do interior, acompanhados de barbaridades.

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No material obtido pelas autoridades, “os investigadores da Operação Baal encontraram um rastro de sangue do PCC em três estados — Mato Grosso, São Paulo e Piauí —, cenas de uma guerra interna da organização pelo controle de biqueiras e vinganças. Decapitações e a extração de órgãos vitais das vítimas, como fígado e coração, marcam esse conflito e assombram até veteranos do combate ao crime”, diz a reportagem.

Há fotos de órgãos humanos arrancados à mão e cabeças decepadas. Sim, você leu certo: os criminosos não apenas matam os seus desafetos, como os estripam e exibem o que estriparam como se fossem troféus.

Em um áudio, um dos criminosos diz: “Aí irmão, arrancamos aí o coração e o fígado dele, tá ligado, cortamos ele todinho, pedacinho por pedacinho. Daquele jeito, daquele modelo que esses lixos aí merece.”

Alguém que arranca o coração e o fígado de alguém, que corta o seu corpo meticulosamente, “pedacinho por pedacinho”: é este um homem?

Quem acha que a pena de morte é a punição para matadores como esses, como se a Justiça fosse extensão da vingança, não a sua substituta: é este um homem?

Sim, são todos demasiadamente humanos.

Vem-me à cabeça Crime e Castigo, de Dostoiévski: incontornável. Vem-me à cabeça o que o escritor francês J.-B, Pontalis escreveu em um dos capítulos do seu livro sobre crimes, Un Jour, un Crime: “O próprio pai de Dostoiévski foi assassinado por seus servos. Eu os imagino se revezando para acertá-lo golpe por golpe, eu os imagino atacando o seu senhor como se quisessem garantir que ele não renasceria. Matar o inimigo não é suficiente. É preciso alcançá-lo na sua carne”.

O horror nunca é inimaginável, porque já nos habitou, até introjetarmos a civilização que tanto falta no Brasil.

Leia também: “Vigiando a polícia e soltando o bandido”, reportagem publicada na Edição 236 da Revista Oeste

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6 comentários
  1. José Francisco Schulte Ulguim
    José Francisco Schulte Ulguim

    “Pranto e ranger de dentes”, não só dos que perpetram tais barbáries, mas sim, também, de TODOS que sejam coniventes e complacentes! O ajuste de contas far-se-á! Os culpados e responsáveis do “desgoverno”, da “desjustiça” dos legislativos vendidos, arcarão altos custos, inimagináveis perante suas próprias consciências ignorantes.

  2. Paulo Dultra
    Paulo Dultra

    Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

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