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Política

Comissão do Senado aprova projeto que penaliza ‘deepfake’ sexual infantil

Texto amplia punições para crimes digitais contra menores, responsabiliza agressores pelos custos do tratamento das vítimas e substitui o termo ‘pornografia infantil’ por ‘violência sexual’

Damares Alves
A proposta foi relatada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou nesta terça-feira, 24, um projeto de lei que endurece o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital. A proposta amplia a tipificação de crimes praticados pela internet, cria mecanismos para punir o uso de inteligência artificial na produção de conteúdos ilícitos e aumenta a responsabilização dos agressores.

O texto, de autoria do deputado Osmar Terra (MDB-RS), recebeu parecer favorável da relatora, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

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Ao defender a proposta, Damares argumentou que a legislação precisa acompanhar a evolução das tecnologias utilizadas por criminosos para aliciar, explorar e revitimizar crianças e adolescentes.

“A proposição concretiza esse mandamento constitucional de criminalização, atualizando a legislação penal aos desafios impostos pela rápida transformação do ambiente digital”, afirmou a senadora em seu relatório.

Damares Alves
A senadora Damares Alves durante reunião deliberativa para analisar o PL n° 3.066/2025, que aumenta as penas para crimes de natureza sexual contra crianças e adolescentes | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Projeto mira deepfake

Uma das principais novidades do texto é a ampliação das punições para conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial. A proposta prevê sanções mais rigorosas para casos que envolvem imagens adulteradas, montagens e deepfakes de violência sexual contra crianças e adolescentes.

O projeto também criminaliza a visualização deliberada de material de abuso infantil por meio de plataformas digitais e serviços de streaming, além de prever agravantes para criminosos que utilizem ferramentas destinadas a ocultar a própria identidade na internet, como sistemas de mascaramento de endereço IP.

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Segundo o relatório, as mudanças buscam fechar lacunas que dificultam a responsabilização dos autores desses crimes.

“Apesar dessa atuação intensiva, lacunas normativas vêm comprometendo a adequada responsabilização dos agressores”, ressaltou a senadora em seu relatório.

Mudança de terminologia

Outro ponto central da proposta é a substituição da expressão “pornografia infantil” por “violência sexual contra criança ou adolescente” em diversos dispositivos legais.

De acordo com o relatório, a alteração busca refletir com maior precisão a gravidade dos crimes praticados contra menores.

A relatora argumentou que a mudança “reconhece, com a seriedade devida, a inexistência de consentimento e a natureza abusiva dessas condutas”, alinhando a legislação brasileira a recomendações internacionais.

Agressores terão de pagar tratamento das vítimas

A proposta também amplia a responsabilização civil dos condenados. Pelo texto aprovado, os autores dos crimes deverão arcar integralmente com os custos do tratamento psicológico e psicossocial das vítimas, incluindo despesas eventualmente custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida busca garantir assistência continuada às vítimas e evitar que os gastos decorrentes da violência sejam suportados pelo poder público.

Punição para quem consome conteúdo ilegal

Durante a tramitação da matéria, Damares defendeu o endurecimento das penas não apenas para quem produz ou compartilha conteúdos ilícitos, mas também para quem os consome.

“Não podemos tolerar a impunidade quando vemos casos como o do ex-servidor do Senado ou daquele empresário de Canoas, que foram pegos armazenando milhares de arquivos de pornografia infantil”, afirmou a relatora. “Quem guarda e consome esse material está financiando diretamente o abuso, o estupro e a tortura de crianças.”

Número de operações cresce no país

Os dados citados no relatório também apontaram o aumento das investigações relacionadas à violência sexual infantil no ambiente digital.

Segundo a Polícia Federal, foram realizadas 1.132 operações contra cibercrimes de abuso infantil em 2025, média de três ações por dia. As investigações resultaram no resgate de 123 vítimas.

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No ano anterior, a corporação havia registrado 1.003 operações e 367 prisões em flagrante. Em 2022, o número de ações desse tipo foi de 447.

Para a relatora, os dados demonstram a necessidade de atualização da legislação diante da crescente sofisticação dos crimes praticados pela internet.

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