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Política

Master: Investigadores da PF rebatem Toffoli sobre 'inércia' em operação

O ministro do STF acusou a corporação de 'falta de empenho', mas oficiais dizem ter aguardado informações para o cumprimento de mandados

Ministro parece ter se incomodado mais com jornalismo profissional do que com viagem ao exterior | Foto: Divulgação/STF
Dias Toffoli é o relator no Supremo do processo referente ao Banco Master | Foto: Divulgação/STF

Investigadores da Polícia Federal (PF) contestaram as críticas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli a uma suposta “inércia” da corporação na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo o magistrado, as diligências realizadas nesta quarta-feira, 14, já estavam autorizadas desde o dia 7.

De acordo com uma fonte próxima às investigações, ouvida sob reserva pela coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, a avaliação é oposta à do ministro. “Pelo contrário, passamos meses aguardando essa operação”, afirmou o integrante da PF.

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Na decisão em que autorizou a prisão preventiva de Fabiano Zettel — cunhado do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro — e concedeu mandados de busca e apreensão contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, Toffoli mencionou ainda uma “falta de empenho” da PF no andamento do inquérito.

O ministro do STF afirmou ter dado aval à operação na quarta-feira 7. Toffoli determinou o cumprimento das diligências em até 24 horas a partir do dia 12, citando “a gravidade dos fatos” e a necessidade de aprofundar as apurações, diante de “fartos indícios de práticas criminosas”.

pf - São Paulo (SP), 19/11/2025 - Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 19/11/2025 – Fachada da sede do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, no bairro do Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Causa espécie a este relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, como também a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial”, escreveu Toffoli. “Para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências.”

Segundo os investigadores, a segunda fase da operação não havia sido deflagrada antes porque a PF ainda não dispunha de todos os endereços necessários. O último deles só foi obtido na noite desta terça-feira, 13, quando a corporação acionou o STF em caráter de urgência para pedir a prisão preventiva de Zettel e as buscas contra Tanure.

O pedido recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi acolhido por Toffoli, embora com ressalvas. O ministro fez questão de registrar que a PF acionou o Supremo às 19h13 de terça-feira, e que a PGR se manifestou favoravelmente às 20h49, pouco mais de uma hora depois.

Além de cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel é CEO do fundo de investimento Moriah Asset | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Além de cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel é CEO do fundo de investimento Moriah Asset | Foto: Reprodução/Redes sociais

Na petição ao STF, a PF argumentou que o embarque de Zettel para Dubai, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) representava uma “oportunidade única” para a obtenção de elementos que reforçassem sua participação nos fatos investigados, além de possíveis provas de outros crimes. O cunhado de Vorcaro foi preso na manhã desta quarta-feira.

No caso de Nelson Tanure, abordado no embarque de um voo doméstico no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, com destino a Curitiba (PR), a PF sustentou a necessidade de busca e apreensão no local em que o empresário fosse encontrado, e não em sua residência. Isso porque, com a decolagem prevista para as 7h30, ele poderia sair de casa antes do horário legal para o cumprimento de mandados judiciais, fixado em 5h.

Outro alvo da operação é João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, administradora de fundos suspeitos de integrar o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Como noticiou o colunista Lauro Jardim, também de O Globo, Mansur está no exterior.

As autoridades investigam a relação de Tanure com o Banco Master | Foto: Reprodução/Redes sociais
As autoridades investigam a relação de Tanure com o Banco Master | Foto: Reprodução/Redes sociais

Toffoli já teve outro atrito com a PF no caso Master

Não é a primeira vez que há atritos entre a PF e o gabinete de Toffoli no caso Master. Em dezembro, o depoimento de Daniel Vorcaro no STF foi marcado por desconforto e tensão entre a equipe de delegados da PF, liderada por Janaina Palazzo, e os procuradores da República presentes na audiência.

Toffoli determinou que 82 perguntas fossem feitas a Vorcaro, mas a delegada afirmou que não poderia formular questionamentos que não tivessem sido previamente preparados por ela. Janaina só concordou em submeter as perguntas depois de constar em ata que elas haviam sido apresentadas pelo gabinete do relator.

As perguntas elaboradas por Toffoli estavam organizadas em seis blocos e abordavam temas como a venda do Banco Master ao BRB e a reunião de Vorcaro com integrantes do Banco Central em 17 de novembro — o mesmo dia em que ele acabou preso por decisão da Justiça Federal de Brasília.

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