O Banco Central (BC) identificou indícios de que o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza simulou a venda de um imóvel rural em Minas Gerais para ocultar o recebimento de propina ligada ao Banco Master ou a pessoas próximas do grupo.
Relatório obtido pelo jornal Folha de S.Paulo cita evidências de enriquecimento incompatível com a renda do ex-servidor. A apuração indica pelo menos R$ 2,6 milhões sem origem conciliável com seus rendimentos.
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Segundo a Folha, o caso gira em torno da negociação do sítio Mirante, localizado em Juruaia (MG). A propriedade pertencia a Souza e a seu irmão, Luís Roberto Neves de Souza, e foi adquirida pela Pipe Participações, empresa controlada por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
A investigação identificou divergências nos valores declarados para a transação. Registros em cartório indicam R$ 3 milhões, enquanto contratos mencionam R$ 5,2 milhões. Em depoimento, o ex-diretor citou proposta de R$ 4,8 milhões parcelados.
“Os indícios apontam, de forma segura, para a existência de simulação, é dizer, para a realização de operação simulada de compra e venda de imóvel com o desiderato de ocultar o pagamento de propina, buscando dar ares de legitimidade ao relacionamento dos irmãos com Fabiano Zettel”, alertou o BC.
A investigação também destaca a atuação de Vorcaro no processo e afirma que os elementos indicam “ação diretamente orientada para cooptar o servidor”. O documento considera improvável que Souza desconhecesse a ligação entre Zettel e o grupo financeiro.
Defesa afirma legalidade da operação imobiliária
Depois da compra, a empresa de Zettel criou a Noah Empreendimentos e Participações para explorar a atividade de cafeicultura na propriedade. Posteriormente, houve aumento de capital com a incorporação do sítio à nova empresa.
Mesmo sem assumir a posse direta do imóvel, Zettel manteve a estrutura societária vinculada ao negócio. O irmão do ex-diretor passou a administrar a empresa e a atuar como arrendatário da área.
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A defesa de Souza afirmou que a venda ocorreu de forma regular, com valor de mercado, registro em escritura e declaração no Imposto de Renda. Os advogados negaram qualquer tentativa de ocultar pagamento de vantagem indevida.
Segundo a manifestação, o ex-diretor não recebeu investimentos nem atuou para beneficiar o Master. A defesa também declarou que o processo administrativo deverá garantir contraditório e ampla defesa.






































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