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Política

Marco Aurélio Mello: 'De forma alguma me arrependo de soltar André do Rap'

Ministro foi responsável pela expedição do habeas corpus do líder do PCC

O ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello: justificativa de eventual invasão ao Brasil é 'brincadeira' | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou, em entrevista ao programa Arena Oeste desta quinta-feira, 14, que não se arrepende de ter concedido, em 2020, habeas corpus a André de Oliveira Macedo, o André do Rap, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

“De forma alguma”, disse. Segundo ele, a decisão seguiu o Código de Processo Penal, que prevê revisão da prisão preventiva a cada 90 dias, sem registro de renovação no caso. “O juiz não pode ver a capa do processo”, afirmou, ao acrescentar que tomaria a mesma decisão hoje.

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A medida beneficiou um dos criminosos mais procurados do país. André, de 47 anos, foi condenado a 25 anos de prisão em dois processos e está foragido desde sua soltura. De acordo com balanço da Polícia Civil de São Paulo, empresas suspeitas de manter vínculos com o traficante movimentaram mais de R$ 25 milhões somente entre janeiro de 2024 e maio de 2025.

Ao abordar os réus dos atos de 8 de janeiro, argumentou que esses processos deveriam ser enviados à primeira instância, pois o STF não tem competência para julgar cidadãos comuns. Criticou a emenda regimental que transferiu julgamentos criminais do plenário para as turmas, considerou desproporcionais as penas aplicadas e comparou-as às de crimes como latrocínio e homicídio.

Sobre a anistia, afirmou ser “ato soberano” do Congresso e defendeu o perdão como medida capaz de restaurar a paz social. “Sou a favor do perdão”, declarou, ao destacar que sempre interpretou a lei de forma humanística.

Mello classificou o inquérito das fake news como “inquérito do fim do mundo” e lembrou que foi instaurado pelo próprio Supremo, sem provocação externa, e distribuído diretamente ao ministro Alexandre de Moraes. Lembrou que a então Procuradora-Geral da República solicitou o arquivamento, mas foi ignorada.

Posição de Mello sobre impeachment de ministros

Apesar das críticas, disse que não cabe ao Senado afastar ministros por sua atuação judicante e que divergências devem ser resolvidas pelo colegiado da Corte. Questionado sobre eventual impeachment de Moraes, afirmou que votaria contra. “As questões do Supremo devem ser resolvidas internamente pelo colegiado maior”, disse.

O ex-ministro defendeu a liberdade de expressão como “medula da lei maior” e criticou restrições a manifestações públicas, como a proibição de acampamentos nas imediações da Praça dos Três Poderes. “A praça é do povo”, afirmou. No mesmo tema, também rejeitou a criminalização de críticas e dúvidas sobre o processo eleitoral.

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Mello argumentou que a prerrogativa de foro protege o cargo, não o indivíduo, e afirmou que, pessoalmente, hoje não gostaria de ser julgado pelo STF, em especial por Moraes. Manifestou-se contra mandatos para ministros da Corte, sob a alegação de que isso aumentaria a influência política. “Não vejo nessa modificação algo sadio”, disse.

Ao final da entrevista, Mello disse sentir “tristeza” com algumas posturas do atual Supremo, mas manteve otimismo: “Devemos imaginar que isso chegará a um lugar satisfatório, ao nosso Brasil sonhado”, afirmou. Talvez não para nós, para os nossos netos.”

Mello ocupou uma cadeira no STF de 1990 a 2021, nomeado pelo então presidente Fernando Collor de Mello, e presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em três oportunidades. Foi o idealizador da TV Justiça e se aposentou compulsoriamente em 2021.

Apresentado por Silvio Navarro, a bancada desta edição contou com Cristyan Costa, repórter especial de Oeste; Marina Helena, comentarista de Oeste; Lucas Saba, editor da Gazeta do Povo; e Tiago Pavinatto, jurista e articulista de Oeste.

Leia também: “Nada me ocorre sobre Alexandre de Moraes”, artigo de Flávio Gordon publicado na Edição 233 da Revista Oeste

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5 comentários
  1. Christian
    Christian

    Infelizmente, pode dizer qualquer coisa AGORA. Mas nada irá apagar a aberração de ter dado Habeas Corpus para um criminoso com ele.
    Vai levar para a tumba deixando esta lembrança (Ou Lambança) para todos nós.

  2. Renato Perim
    Renato Perim

    Não devemos esperar nada diferente de um canalha sem alma como esse boca mole.

  3. Edson Csuraji
    Edson Csuraji

    Alguém pode imaginar o fala mansa magnânimo dizer efetivamente porque deu asas ao bandido ?

  4. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Sempre de mãos dadas, um por todos, todos por um. Militância não é prerrogativa do supremo, chegará um dia que a verdade vencerá.. Perdeu Mané.

  5. Almicre Piovezan
    Almicre Piovezan

    Mello, obviamente, protege a Corte.
    Mas de nada adianta a Corte (e o Consórcio todo) vociferar contra as ações do laranjão. Que venha a Magnitsky pra esses ditadores de araque que fraudaram a eleição, inventaram a tentativa de golpe e prendem pessoas inocentes.

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