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Política

Malafaia diz que enviou vídeos a autoridades dos EUA

O material, dublado em inglês, denuncia alegada perseguição religiosa promovida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

O pastor Silas Malafaia discursa em ato de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), realizado na Avenida Paulista - 3/8/2025 | Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo
O pastor Silas Malafaia discursa em ato em favor da anistia na Avenida Paulista, em São Paulo — 3/8/2025 | Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

O pastor Silas Malafaia afirmou ter gravado quatro vídeos, dublados em inglês, nos quais acusa o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de promover perseguição religiosa e de transformar a Polícia Federal (PF) em uma “Gestapo” — alusão à polícia política do regime nazista. O material, afirma, foi encaminhado a autoridades norte-americanas.

O objetivo do pastor é denunciar violações de direitos religiosos no Brasil, conforme o jornal Folha de S.Paulo. Na semana passada, Malafaia se tornou alvo de uma operação da PF, que apreendeu o celular, bloqueou o passaporte e quebrou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico do pastor, por ordem de Moraes.

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Malafaia também está proibido de ter contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No despacho que autorizou as medidas, o ministro do STF apontou “fortes indícios” de que o pastor estaria envolvido em tentativas de dificultar investigações contra Bolsonaro e aliados.

Em suas redes sociais, Malafaia criticou, nesta segunda-feira, 25, a apreensão de cadernos com anotações teológicas e o bloqueio de seu passaporte. As medidas prejudicam o exercício de sua fé e ferem a Constituição, afirma. “Deixa de ser apenas uma perseguição política e passa a ser uma perseguição religiosa quando apreende material teológico, que é a minha ferramenta do meu trabalho religioso.”

“Ao apreenderem meu passaporte, impedem o meu livre exercício religioso garantido pela Constituição”, completa o pastor, que é o líder da igreja evangélica Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Malafaia mencionou uma ida aos EUA que faria em setembro, para celebrar um casamento e participar de uma conferência, e agora está impedida diante do confisco do documento.

Em relação ao vazamento de mensagens privadas nas quais critica Eduardo Bolsonaro, Malafaia explica que as discussões se enquadram em um contexto de intimidade. “No mesmo momento, eu critico e elogio o Eduardo. Gente, eu sou amigo de Bolsonaro há 20 anos, aproximadamente”, diz no vídeo. “Tenho intimidade para criticar, falar e discutir com o Bolsonaro.”

Malafaia quer acionar PGR por vazamento de mensagens

Malafaia afirma ter acionado seu advogado para entrar com uma ação contra o vazamento de suas mensagens privadas. “É inviolável a intimidade das pessoas”, reclamou o pastor. “É crime divulgar conversas privadas. Vai ser denunciado ou os senhores vão se calar e cometer injustiça?”, diz ele, em referência a Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

De acordo com a PF, Malafaia teria atuado como conselheiro e apoiador da família Bolsonaro em iniciativas para pressionar o Congresso e o STF a concederem anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O objetivo dessas ações seria interferir no processo judicial em que o ex-presidente é acusado de liderar uma organização criminosa que buscou dar um golpe de Estado no país.

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