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Política

Lula quer ser presidente vitalício

Venezuela, Nicarágua, Cuba e Coreia do Norte — esse é o o estilo do petista

Lula | Foto: Mateus Bonomi/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial no Palácio do Planalto - 20/12/2023 | Foto: Mateus Bonomi/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

(J. R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 29 de novembro de 2023)

Um dia, mas cedo ou mais tarde, o homem do cafezinho vai entrar pela última vez na sala do presidente da República. Esse dia pode demorar muito. Pode não demorar tanto assim. É possível, também, que o presidente não queira sair nunca mais da cadeira. Mas querendo ou não, e por mais esforço que faça, vai ter de acabar saindo, e alguém vai ficar no seu lugar. O presidente, na verdade, pode passar a vida inteira eliminando adversários potenciais e armando operações para não deixar o cargo. Pode até eliminar todos, menos um: aquele que realmente acabará ocupando o seu posto um dia. São ideias de que Lula não gosta. Ao longo dos seus 40 e tantos anos de vida política, sempre preferiu a vida de presidente vitalício — Venezuela, Nicarágua, Cuba, Coreia do Norte, esse é o seu estilo. Está de volta agora ao tema, numa palestra que fez na televisão. Nessa ocasião cogitou que pode ser um “homem de sorte”, causa pela qual lhe atribuem suas vitórias eleitorais. Como o Brasil precisa de muita sorte nesse momento será um grande negócio para o Brasil ele ir ficando na Presidência.

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Leia também: “Lula joga no incêndio”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 195 da Revista Oeste

“Se é verdade que tenho sorte, o povo deveria me eleger para sempre”, disse o presidente. “Este país está precisando de tanta sorte, que a gente deveria não sair mais.” É uma questão de livre opinião, ou costumava ser, e Lula tem o direito à sua autoavaliação, como todo mundo. Ele acha que ela é extraordinária. E o povo brasileiro? Precisaria combinar ele, para ver se acham mesmo que Lula é uma grande sorte — na última eleição 58 milhões de eleitores acharam, ao contrário, que foi um tremendo azar. Seu primeiro ano de governo não está fazendo multidões saírem às ruas em delírio para celebrar o PAC, a eliminação da geladeira que custa abaixo de R$ 4 mil reais e o arcabouço fiscal do ministro Haddad. É preciso saber se estão felizes com o novo salário-mínimo. Que obras receberam?

Mas talvez Lula saiba que não tem, como PT e a esquerda nacional, a mais remota ideia de como melhorar as coisas. Durante um ano inteiro a soma total das suas realizações foi dar verbas do orçamento para comprar apoios no Congresso; seu programa para o ano seguinte é mais do mesmo. Sorte?

Lula não descobriu até hoje em sua vida outra ocupação que não seja a de presidente da República; nada o atrai fora disso. Seus sonhos de não sair mais são do governo acabam sendo, no fundo, os mais sinceros que ele pode apresentar no momento.

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