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Política

Lula aumenta verba de comunicação antes das eleições

Enquanto o investimento para publicidade governamental cresce, áreas como Polícia Federal e Ministério da Educação enfrentam restrições financeiras

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O orçamento da Secretaria de Comunicação da Presidência foi ampliado em mais de R$ 116 milhões, chegando a cerca de R$ 876 milhões previstos para 2025, conforme decisão recente do governo Lula (PT). O novo montante supera os cerca de R$ 600 milhões destinados à comunicação em 2024, valor que já era o maior desde 2017 para a pasta, e se destaca em um cenário de cortes em outros setores federais. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo.

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Enquanto a verba para publicidade governamental cresce, áreas como Polícia Federal e Ministério da Educação enfrentam restrições financeiras. A Polícia Federal busca R$ 97,5 milhões para emissão de passaportes, e a Educação ainda não dispõe de recursos suficientes para adquirir todo o material didático necessário.

Detalhamento dos gastos e novas estratégias de comunicação do governo Lula

A maior parte do orçamento da Secom cobre campanhas publicitárias e contratos de assessoria e pesquisas de opinião. Em 2025, estão previstos R$ 562 milhões para publicidade, administrados por quatro agências. Entre as campanhas, destacam-se R$ 85 milhões para “Brasil soberano” e R$ 30 milhões para o Gás do Povo.

Desde a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da Secom, em janeiro, a estratégia de comunicação foi ajustada, com mais recursos para anúncios digitais, contratação de influenciadores e produção de vídeos de formato viral. O movimento acontece em ano pré-eleitoral, depois de o presidente Lula confirmar na quarta-feira 22 que buscará um novo mandato em 2026.

Uma publicação do final de setembro nas redes gov.br exemplificou as novas formas adotadas, trazendo o apresentador João Kléber em vídeo inspirado no quadro “teste de fidelidade”, mas adaptado para comparar governos Lula e Trump.

Em nota, a Secom explicou que a legislação obriga a promoção de políticas públicas e direitos e informou que parte do orçamento está bloqueada, o que teria evitado aumento expressivo da verba total. A secretaria afirmou que “não houve alteração substancial no orçamento da secretaria, com relação à dotação prevista na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025”.

Novos contratos e foco na produção digital

O governo prepara um novo contrato de comunicação digital, com previsão de mais R$ 100 milhões anuais. A licitação está na fase final e inclui produção de conteúdos para redes sociais, como vídeos, textos e podcasts. A meta é criar cerca de 3 mil vídeos por ano, dos quais 576 terão apresentador, ao custo de R$ 21,4 mil cada um. Só esses devem somar R$ 12,3 milhões.

Além dos vídeos, o contrato prevê podcasts e outros conteúdos. As agências interessadas apresentaram estratégias para ampliar o alcance de mensagens sobre programas governamentais, como Pé-de-Meia, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, nas redes sociais.

O aporte mais recente, de R$ 90 milhões, foi aprovado em 17 de outubro. O acréscimo foi discutido entre a equipe econômica e o Palácio do Planalto, que buscavam fortalecer a presença digital do governo, com campanhas de maior alcance e formatos digitais diversificados.

Realocação de verbas e justificativas do governo

Para viabilizar a ampliação, o governo realocou cerca de R$ 2,4 bilhões entre ministérios, cancelando recursos de algumas áreas para redirecionar verbas conforme regras fiscais. Órgãos como o INSS tiveram cortes, caso dos R$ 190 milhões a menos, o que pode afetar até o pagamento de benefícios previdenciários.

Segundo a Secom, o aumento das ações de comunicação institucional acompanha o lançamento de novos programas, como Gás do Povo, Agora Tem Especialistas e a ampliação da isenção do Imposto de Renda, “para garantir o acesso da população beneficiada a esses serviços”. A secretaria também esclareceu ter solicitado o crédito de R$ 90 milhões para ações prioritárias, depois do bloqueio de R$ 91 milhões, e recebeu R$ 27 milhões do Itamaraty para a Cúpula do Brics.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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