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Política

Leilão de arroz: comissão da Câmara ouve secretário que saiu do Ministério da Agricultura

Governo alega que Neri Geller colocou o cargo à disposição depois que o leilão foi anulado; Geller, contudo, nega

Neri Geller, ex-secretário do Ministério da Agricultura
Neri Geller garante que não participou da elaboração do leilão do arroz | Foto: Paulo Sergio/Câmara dos Deputados | Foto: Paulo Sergio/Câmara dos Deputados

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados vai ouvir, em audiência pública na terça-feira 17, o ex-deputado federal Neri Geller, ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. A Oeste, Geller confirmou a presença no colegiado.

Na terça-feira 11, a pasta anunciou a saída de Neri Geller depois de informar que o leilão de arroz realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) seria anulado em virtude da desconfiança sobre a capacidade de as empresas vencedoras entregarem o produto. O leilão arrematou 263.730 toneladas de quatro empresas por R$ 1,3 bilhão.

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Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, Neri Geller colocou o cargo à disposição e saiu da pasta. O ex-secretário, no entanto, alega ter sido demitido. Há suspeitas da relação de um ex-assessor dele com sócios das empresas que intermediaram o certame.

Depois do leilão do arroz, diversas denúncias apareceram. Entre elas, o possível uso de empresas de fachada. O caso que chama mais atenção é o da principal vencedora do leilão, a empresa Wisley A. de Sousa.

+ ‘Depois de polêmica, empresas vencedoras de leilão de arroz de pronunciam’

O governo Lula escolheu importar arroz dias depois do início das enchentes no Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção nacional do grão. O Estado, no entanto, já havia colhido 80% do cereal. Produtores rurais e especialistas disseram que a compra de arroz era desnecessária, pois não havia risco de desabastecimento.

Em 7 de maio, Fávaro disse que o governo decidiu comprar arroz para evitar a alta de preços diante da dificuldade que o Estado passava para transportar o grão para o país.

Em entrevista à Jovem Pan News, Neri Geller, contudo, disse ter alertado o governo de que não era necessário realizar o leilão, pois o “estoque privado do Brasil tinha arroz suficiente para atender à demanda nacional”. “Sempre alertávamos o governo de que o estoque privado do Brasil tinha suficiente para atender à demanda nacional”, explicou. “Isso com dados claros da colheita do RS.”

A audiência na Comissão de Agricultura é destinada a debater e avaliar a decisão do governo de importar arroz no leilão, além de seus impactos na cadeia produtiva do setor arrozeiro e para a economia brasileira.

Além de Geller, representantes da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil, da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul e da Organização das Cooperativas Brasileiras também foram convidados.

Na quarta-feira 19, o colegiado vai ouvir Fávaro, que deve explicar o “arroz estatal de Lula” e a suposta fraude no leilão.

Wisley e o leilão do arroz

Conforme mostrou uma reportagem de Oeste, a Wisley A. de Sousa tem o nome fantasia “Queijo Minas” e atua na região central do Macapá, a capital do Estado do Amapá. No leilão da Conab, essa empresa que comercializa queijos conseguiu um contrato para importar 147,3 mil e receber em troca R$ 736,3 milhões.

A Conab firmou contratos para a aquisição de quase 264 mil toneladas de arroz no leilão. Ao todo, quatro empresas conseguiram os lotes. Além da Wisley, também estão nessa lista: Zafira Trading (73,8 mil toneladas), ASR Locação de Veículos e Máquinas (112,15 mil toneladas) e Icefruit (98,7 mil toneladas).

A companhia alega que o leilão é necessário para evitar o desabastecimento e o impacto econômico com o desastre causado com a enchentes no Rio Grande do Sul. Contudo, os números da própria Conab mostram que a maior parte da colheita ocorreu antes das inundações e que a safra gaúcha de arroz será maior que a anterior.

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