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Política

Lei Rouanet: captação sobe quase 35% de janeiro a maio de 2025

Os valores se aproximam de R$ 530 milhões no período

Ao considerar todo o ano de 2024, a renúncia fiscal pela Lei Rouanet somou R$ 3,1 bilhões | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
Ao considerar todo o ano de 2024, a renúncia fiscal pela Lei Rouanet somou R$ 3,1 bilhões | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

Projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet captaram quase R$ 530 milhões entre janeiro e maio de 2025. Esse valor representa um aumento de aproximadamente 35%, em relação ao mesmo período de 2024. A informação foi inicialmente publicada pelo site Poder360 e confirmada por Oeste.

A tendência de alta na captação de recursos pela Lei Rouanet ocorre desde o começo do governo Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o Ministério da Cultura, esse cenário se justifica pela retomada dos investimentos públicos e privados na área cultural.

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Esse modelo permite que empresas e cidadãos destinem parte do Imposto de Renda a projetos previamente aprovados pela pasta, em vez de recolherem esse valor ao Tesouro.

Como funciona a Lei Rouanet

  1. Cadastro do projeto – artistas ou produtoras inscrevem suas propostas no sistema do Ministério da Cultura;
  2. Avaliação e aprovação – se aceitas, as iniciativas ganham aval para buscar financiamento com incentivo fiscal por até três anos;
  3. Investimento – empresas e pessoas físicas doam e depois abatem os valores do IR devido; e
  4. Execução e prestação de contas – o proponente realiza o projeto e comprova os gastos ao governo.

Ao considerar todo o ano de 2024, a renúncia fiscal pela Lei Rouanet somou R$ 3,1 bilhões, superando o recorde anterior de 2011, que havia sido de R$ 2,8 bilhões.

A música lidera a captação em 2025, seguida por teatro. Museus estão entre os que mais recebem apoio, ainda que fiquem atrás de outras categorias no total.

Lei Rouanet – Captação por Projeto

Captação por projetos — Lei Rouanet (2024)

Valores corrigidos pela inflação (em R$ milhões)

Projeto Captação Valor
Música
795,8
Artes cênicas
771,7
Artes visuais
468,7
Museus e memória
409,2
Humanidades
246,2
Patrimônio cultural
245,8
Audiovisual
193,4
Total 3.131,2

Apesar do aumento na liberação de projetos, nem todo valor autorizado é efetivamente captado. Em 2023, por exemplo, o limite aprovado pelo governo federal foi de R$ 18 bilhões, mas apenas R$ 2,5 bilhões foram concretamente arrecadados.

Mesmo assim, o número de projetos aprovados cresceu 362%, em comparação com o último ano do governo Jair Bolsonaro.

Os patrocinadores

Entre os maiores patrocinadores culturais estão Petrobras (R$ 168,7 milhões) e Vale (R$ 162,4 milhões), que utilizam o incentivo também como ferramenta de marketing institucional. Grandes bancos e estatais também figuram entre os principais doadores.

Maiores Renúncias Tributárias – Lei Rouanet 2024

Maiores renúncias tributárias via Lei Rouanet

20 empresas que mais incentivaram projetos culturais em 2024 (em R$ milhões, corrigido pela inflação)

Empresa Proporção Renúncia
Petrobras
168,7
Vale
162,4
Nubank
115,2
Shell Brasil
87,0
Fiat
33,1
Banco do Brasil
32,4
Redecard
29,0
Sabesp
26,9
NTS
26,7
B3
26,7
Salobo Metais
25,4
BNDES
21,9
Toyota
21,7
Finame
21,4
CSN Mineração
21,3
BB DTVM
20,4
CBMM
18,2
BB Seguros
18,0
TAG
17,8
Bradesco
17,7

Do lado dos beneficiários, os principais destaques são o Masp (R$ 48,3 milhões), a Osesp e o IDG, responsável pelo Museu do Amanhã.

Instituições com maior captação via Lei Rouanet (2024)

Masp liderou captação via Lei Rouanet em 2024

20 instituições que mais receberam recursos no ano (em R$ milhões, corrigidos pela inflação)

Instituição Estado Proporção R$ mi
MaspSP
48,3
Fundação OsespSP
42,2
Instituto de Desenvolvimento e GestãoRJ
38,1
Orquestra Sinfônica BrasileiraRJ
36,2
Instituto InhotimMG
32,3
Instituto ValeRJ
32,2
Fundação Padre AnchietaSP
27,2
Casa Fiat de CulturaMG
23,5
Fundação Bienal de São PauloSP
22,7
Instituto PedraSP
22,6
Inst. Cultural Amazônia do AmanhãPA
21,9
Pró-CulturaRS
20,7
Inst. SP de Arte e CulturaSP
20,3
Amigos do Museu NacionalRJ
20,1
Elysium Sociedade CulturalGO
19,7
Instituto Ensaio AbertoRJ
19,5
Orquestra Pró-Música do RJRJ
18,0
F. Apoio ao Museu PaulistaSP
16,8
Fundação CSNSP
16,7
As TeatraisRJ
15,9

Mesmo com o discurso do governo sobre descentralização, os Estados de São Paulo (R$ 1,3 bilhão) e Rio de Janeiro (R$ 591 milhões) seguem absorvendo quase 60% dos recursos da Lei Rouanet. Embora tenha havido leve dispersão nos últimos dez anos, a concentração no eixo Rio-SP permanece evidente.

Captação Lei Rouanet por Estado (2024)

SP e RJ concentram quase 60% dos recursos da Lei Rouanet

Captação por Estado em 2024 (valores corrigidos pela inflação, em R$ milhões)

UF Proporção Valor
São Paulo
1.267,0
Rio de Janeiro
590,7
Minas Gerais
361,3
Rio G. do Sul
221,1
Paraná
130,3
Santa Catarina
113,9
Distrito Federal
82,3
Ceará
73,8
Pará
62,3
Espírito Santo
59,9
Pernambuco
58,9
Maranhão
39,5
Bahia
39,3
Goiás
33,6
Amazonas
11,4
Mato Grosso
9,3
Paraíba
6,7
Sergipe
5,5
Rondônia
5,3
Rio G. do Norte
5,0
Mato G. do Sul
4,5
Piauí
4,4
Alagoas
3,5
Tocantins
1,0
Amapá
0,9
Acre
0,5
Roraima
0,4
Total3.100,0

Projetos fora da Região Sudeste que captaram valores expressivos incluem o Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (R$ 21,9 milhões), o gaúcho Pró-Cultura (R$ 20,7 milhões) e o goiano Elysium Sociedade Cultural (R$ 19,7 milhões).

Segundo nota do Ministério da Cultura, a diferença entre os valores aprovados e os efetivamente captados é esperada e não representa anomalia no sistema.

As críticas à Lei Rouanet

O cineasta Josias Teófilo, conhecido, entre outras obras, pelo filme Nem Tudo Se Desfaz e pelo documentário O Jardim das Aflições, discorda da forma como o governo Lula trata a lei.

Para Teófilo, a Rouanet deveria servir para o artista que está no começo da carreira. A cultura precisa de algum tipo de incentivo financeiro”, disse o cineasta. “Muitos países fazem uso de mecanismos semelhantes à Rouanet, com a finalidade de ajudar também nomes menos conhecidos a terem seus projetos viabilizados. Lá fora, o valor disponível para o setor artístico é muito maior. Engana-se quem pensa que Hollywood não tem incentivo.”

Na mesma linha, a atriz Luiza Tomé criticou a principal lei de incentivo à cultura no país. “O problema da Rouanet é que o dinheiro está sempre nas mãos de meia dúzia de artistas”, resumiu. “O Brasil precisa favorecer culturalmente os pequenos, os que têm menos. Aqueles que querem fazer teatro na favela e não têm como.”

Leia também: “A orgia da Lei Rouanet”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 149 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    A esquerda com todas as suas desonestidade, falcatruas, maldades, ações e atitudes que sugam energia e dinheiro da sociedade da qual se hospedam, a cada notícia sua, nos faz passar mal!

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