Para o observador independente da política, é sempre oportuno quando o inconsciente ideológico de um partido fala mais alto que a prudência de seus militantes. Mais oportuno ainda quando o resultado é uma confissão involuntária tão odiosa que, em circunstâncias normais, e na boca de quadros partidários com QI mais elevado, permaneceria cuidadosamente disfarçada sob o verniz do progressismo.
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Recém-filiada ao PT, e absorvendo sua cultura política por pura conveniência, a deputada federal Kátia Abreu ofereceu-nos na noite da última quarta-feira, 29, um desses momentos. Irritada com a rejeição, pelo Senado, do nome do camarada Bessias para o STF, e querendo fustigar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ela escreveu, em letras que dispensam qualquer hermenêutica: “Judas era judeu. Pagou o preço que conhecemos. Cada época tem seu Judas.”

Em seguida, editou o post. Depois, deletou-o. Por fim, pediu desculpas, garantindo não ter pretendido o que disse. Todavia, as pretensões subjetivas da deputada pouco importam, e sim o fato objetivo de ter aderido ao repertório ideológico característico da corrente política à qual, sem qualquer convicção íntima, decidiu aderir.
Àquela altura, portanto, as palavras já haviam cumprido sua função, revelando com a clareza involuntária dos lapsos a gramática moral subjacente a uma fração significativa da esquerda brasileira de matriz marxista-leninista — uma gramática na qual o judeu, quando inconveniente, é sempre Judas.
Não há novidade alguma nesse repertório. O antissemitismo estrutural da esquerda brasileira não é um acidente. Desde a propaganda soviética e, sobretudo, desde que Stalin e seus sucessores passaram a patrocinar os movimentos de “libertação nacional” durante a Guerra Fria, a extrema esquerda mundial aprendeu a revestir o velho ódio ao judeu com a linguagem nova do anticolonialismo e do antissionismo.
No Brasil, esse processo encontrou terreno fértil numa cultura política sistematicamente impregnada pelo marxismo-leninismo desde os anos 1920, com o PCB, chegando à maturidade ideológica nos departamentos universitários e nos círculos intelectuais que formaram a espinha dorsal do lulopetismo.

Nessa cosmovisão, Israel ocupa o lugar que antes era reservado ao “judeu capitalista”: é a figura do opressor universal, o inimigo perene da justiça — e o judeu que ouse defender Israel, ou simplesmente recusar-se a ser útil ao projeto do regime, converte-se automaticamente em traidor, em Judas.
Nos anos 1970, o escritor e sobrevivente de Auschwitz Jean Améry já havia antevisto essa dinâmica. “Para a Nova Esquerda, o sionismo é aproximadamente o que, na Alemanha, há cerca de 30 anos, era chamado de ‘Judaísmo Mundial’”, escreveu o autor no ensaio A Abordagem da Nova Esquerda sobre o Sionismo. A frase de Kátia Abreu é a confirmação, 50 anos depois, de que Améry tinha razão — e de que o processo avançou.
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Davi Alcolumbre não é sequer um defensor declarado de Israel; é o primeiro judeu a presidir o Senado brasileiro, um sefardita cuja família chegou da região amazônica depois da Segunda Guerra Mundial. Mas bastou que cruzasse o caminho do regime lulopetista para que a associação ao traidor bíblico fosse convocada — e a judaidade, explicitamente mencionada como chave explicativa da traição.
Katia Abreu faz isso por não saber do que fala e por não ter qualquer convicção própria sobre coisa alguma. Mas o seu partido, que abriga em seus quadros décadas de conivência com regimes e organizações abertamente antissemitas — de Ahmadinejad ao Hamas —, guardou o silêncio de quem sabe que a pedra foi lançada da própria casa de vidro.
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A grande imprensa, por sua vez, que escancararia manchetes indignadas se a autora do post fosse de outro partido, já estava, à hora do fechamento desta coluna, ocupada com assuntos mais urgentes. O antissemitismo da esquerda brasileira continuará sendo, como sempre foi, o ódio que não precisa dizer seu nome — porque, entre os seus, todos já sabem qual é.




































A indigência moral e a pobreza de neurônios se reúnem nessa mulher para produzir frases como essa que, como muito bem destacado na matéria, revela sua parca capacidade de raciocínio mas reproduz a essência antissemita da extrema esquerda.
O PT não é ideologia, é conveniência. Tá aí K Abreu que não desmente ou comprova a tese
É muita ignorância em pleno século XXI.
Essa vira folha já era kkk
Essa mulher antecipou a aposentaria politica dela, acabou, não se eleje mais pra nada.
Não entendo como uma porcaria desta é eleita, assim como vários outros.
Nós eleitores, temos que acordar para uma realidade triste e quase maquiavélica, assola nosso país……