O Mercado de São Brás, em Belém (PA), virou palco para gastronomia e eventos culturais depois da reinauguração em janeiro. A restauração do prédio, que durou dois anos, foi financiada majoritariamente pela Itaipu Binacional, como parte dos preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que começou nesta segunda-feira, 10, e termina no dia 21.
A hidrelétrica, cuja sede está em Foz do Iguaçu (PR), a cerca de 2,8 mil km de Belém, destinou R$ 1,3 bilhão para diversas obras na cidade. Deste montante, R$ 90 milhões foram usados no Mercado de São Brás, o que corresponde a 60% do valor total da reforma, enquanto a prefeitura arcou com os outros R$ 60 milhões.
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O governo federal recorreu aos recursos da empresa para contornar limitações orçamentárias, conforme apuração do portal Poder360. Itaipu também arcou com a reforma de um hotel de luxo na capital paraense. O custo acaba sendo repassado aos consumidores por meio da conta de energia elétrica.

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Pará têm destacado a revitalização do mercado como um exemplo dos benefícios trazidos pela União. Um painel instalado no centro de Belém mostra imagens do deputado Airton Faleiro (PT-PA), de Lula e do próprio mercado.
O edifício foi inaugurado em 1911, com projeto do arquiteto italiano Filinto Santoro, durante um período de prosperidade impulsionado pela borracha, segundo o Poder360. O ciclo econômico declinou depois do aumento da produção de borracha asiática, o que levou à gradual deterioração do mercado, que só recebeu obras efetivas antes da COP30.
O antigo estacionamento deu lugar a áreas de lazer, mesas de bares e restaurantes, além de uma garagem subterrânea. No exterior do prédio, dois espaços cobertos abrigam boxes de microempreendedores que oferecem alimentos a preços inferiores aos dos restaurantes, modelo semelhante ao do tradicional Mercado Ver-o-Peso.

Os vendedores que atuavam dentro do mercado foram transferidos para um anexo, enquanto a área interna agora conta com restaurantes, lojas e dois salões para shows e exposições. O fluxo intenso de visitantes à noite, especialmente nos fins de semana, transformou o Mercado de São Brás em ponto de referência para lazer, cultura e gastronomia.
O contraste com a região degradada ao redor é visível, já que o local fica próximo ao terminal rodoviário, com ônibus para cidades do Pará e outros Estados.
Itaipu justifica gasto milionário com reforma no Pará
A Itaipu Binacional justificou, em resposta ao Poder360, que “o investimento total da Itaipu para a COP30 será de R$ 1,3 bilhão”. Os recursos, disse a estatal, “estão sendo aplicados em melhorias estruturais estratégicas para a cidade, como a requalificação do Parque do Igarapé São Joaquim, obras de pavimentação e saneamento, além da construção e reforma de Unidades de Valorização de Recicláveis (UVRs)”.
🚨 ROUB30 | JORNALISTAS ASSALTADOS ÀS VÉSPERAS DA COP30
— The Incorrupt (@TheIncorrupt_) November 4, 2025
– Dois jornalistas estrangeiros, uma argentina e um chileno, foram vítimas de um assalto no Mercado Ver-o-Peso, em Belém (PA), no último domingo (2/11). pic.twitter.com/BNTVJNBUam
O texto da assessoria afirma que “as ações reforçam o compromisso da Itaipu com a sustentabilidade, a inclusão social e um legado positivo da COP não apenas para a população local, mas para todo o país”.
Sobre a escolha dos projetos, a empresa explicou que “a definição dos investimentos da Itaipu em Belém segue critérios técnicos e estratégicos, voltados à relevância ambiental, ao impacto social e ao alinhamento institucional”. A nota diz que Itaipu priorizou “ações capazes de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, o uso racional dos recursos naturais e a ampliação da infraestrutura verde da cidade, como a requalificação de áreas degradadas e a implantação de sistemas sustentáveis de saneamento e drenagem”.
O texto diz ainda que “todas as ações estão inseridas no escopo do Programa Itaipu Mais que Energia, que orienta os investimentos socioambientais da empresa e reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a segurança hídrica e energética do país”.

A estatal se justificou também em relação ao vínculo institucional. “Há uma ligação direta entre Amazônia e Itaipu. Parte das chuvas que abastecem o reservatório vem da região amazônica, pelos chamados Rios Voadores”, diz a nota.
“Menos chuva significa menos água no lago de Itaipu e menor geração de energia. Por isso, Itaipu se conecta diretamente à pauta climática. Proteger a Amazônia é também proteger Itaipu e a segurança energética do Brasil e do Paraguai”, prossegue o texto. “A discussão do tema está totalmente ligada a nossa missão e ao enfrentamento das mudanças climáticas.”
A Itaipu informou que os dados detalhados dos investimentos podem ser consultados no site específico da empresa para a COP30 ou no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União.
+ Leia também: “Itaipu é um caso de polícia“, reportagem de Silvio Navarro






































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