Os jatos que o governo da Argentina adquiriu recentemente da Dinamarca simbolizam a retomada da capacidade bélica vizinha. O cenário contrasta com o ambiente de desgaste institucional vivido pelas Forças Armadas brasileiras.
A chegada dos primeiros seis caças F-16 à Argentina, nesta sexta-feira, 5, marca um avanço decisivo no processo de modernização militar do país. O episódio encerra quase uma década de ausência de aviões supersônicos. Os jatos custaram US$ 300 milhões. O acordo teve a aprovação direta dos Estados Unidos.
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Argentina e a sombra da Guerra das Malvinas
O movimento ocorre em um momento em que Buenos Aires tenta reconstruir a sua capacidade de defesa depois de vários anos de restrições tecnológicas, embargos e perda de projeção regional. A Força Aérea Argentina estava sem aeronaves supersônicas desde 2015. Ela retirou de serviço os últimos Mirage, remanescentes da Guerra das Malvinas.
O embargo britânico que se seguiu ao conflito limitou drasticamente o acesso a equipamentos com componentes do Reino Unido. Assim, a Argentina, por quatro décadas, encontrou dificuldades na renovação de seus meios de combate. As novas aquisições, com entregas previstas até 2028, encerram esse ciclo e devolvem uma capacidade mínima de resposta.
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A operação representa também um movimento claro. Desde 2023, o presidente Javier Milei adota uma política externa alinhada ao Ocidente, com ênfase na aproximação com Washington. A compra das aeronaves superou as alternativas chinesas. Além disso, recebeu o apoio norte-americano, com um pacote adicional de quase US$ 1 bilhão em equipamentos e suporte.
Para Milei, o reforço militar sinaliza confiança mútua com os Estados Unidos e reposicionamento estratégico da Argentina. O seu avanço difere do contexto brasileiro. Sob o governo Lula da Silva, diversos projetos estratégicos das Forças Armadas enfrentam restrições orçamentárias que afetam os cronogramas de modernização, exercícios e principalmente o ânimo dos militares.
Ao mesmo tempo, decisões do Judiciário relacionadas à suposta tentativa de golpe de Estado ampliaram tensões entre oficiais da ativa e da reserva, alimentando a percepção de que a atuação institucional das Forças Armadas se dá sob crescente pressão política e jurídica. O governo sustenta não haver tentativa de enfraquecimento da corporação, enquanto opositores veem a situação como uma vingança contra os militares.
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