Em 2025, sete parlamentares concentraram R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão na Câmara dos Deputados. Entre eles está o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Dados mostram que esses congressistas controlaram uma fatia relevante dos R$ 7,5 bilhões distribuídos por comissões temáticas.
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Segundo o jornal Folha de S.Paulo, que divulgou as informações neste domingo, 19, outros 423 deputados dividiram os R$ 6 bilhões restantes. Já 83 parlamentares não registraram indicações formais nesse tipo de recurso. Parte deles pode ter sido contemplada por meio de indicações feitas em nome das lideranças partidárias.
As comissões do Congresso sugerem ao governo federal a destinação das emendas, indicando áreas e localidades beneficiadas. O Executivo pode decidir não executar os valores, mas não pode redirecioná-los.
Até 2024, essas emendas não identificavam os responsáveis pelas indicações. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) alterou esse modelo em 2025 e passou a exigir a divulgação dos autores das propostas.
Principais beneficiados
O deputado Julio Arcoverde (PP-PI) liderou as indicações, com R$ 244,3 milhões. Ele presidiu a Comissão Mista de Orçamento, responsável por analisar projetos orçamentários. Em nota, o parlamentar afirmou que destinou os recursos de forma legal ao Estado do Piauí, com foco em infraestrutura e saúde.
Na sequência aparece Motta, com R$ 180,5 milhões. Parte dos recursos foi direcionada a municípios cujos prefeitos declararam apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara.
“No âmbito dos partidos, a divisão dos valores das emendas segue os critérios adotados pelas lideranças, seguindo o número de deputados, e a destinação dos recursos tem como prioridade áreas estratégicas e estruturantes para os municípios brasileiros, como saúde e infraestrutura”, disse Motta.
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O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), aparece na sequência, com R$ 138,2 milhões. Ele afirmou que lideranças partidárias tradicionalmente concentram mais recursos e disse que divulga essas informações publicamente.
Deputados criticam disparidade nas emendas
Enquanto o grupo restrito indicou valores superiores a R$ 100 milhões, a maioria dos deputados ficou limitada a cerca de R$ 14 milhões, em média. Nenhum dos demais parlamentares ultrapassou R$ 80 milhões.
Sob anonimato, deputados afirmaram à Folha que houve acordo para permitir indicações próximas de R$ 10 milhões por integrante da base governista. Eles admitem que cargos de liderança justificariam diferenças, mas não na escala observada.
Apesar disso, parlamentares passaram a indicar valores em nome das lideranças partidárias. Em 2025, esse formato concentrou R$ 1,1 bilhão, segundo registros das comissões.
No grupo com maior volume de recursos, aparecem lideranças do PP, com cerca de R$ 358 milhões; do União Brasil, com R$ 266 milhões; do Republicanos, com R$ 201 milhões; e do PL, com R$ 113 milhões.
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