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Política

Governo precisará ser cirúrgico se quiser rachar o Centrão e enfraquecer Maia

Presença de Bolsonaro em manifestação repercutiu mal entre políticos. Não é a primeira vez que o presidente acena com a intenção de compor com parte do blocão para enfraquecer os poderes do presidente da Câmara e sinaliza recuo no diálogo

vice bolsonaro
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O governo vai precisar de uma costura política muito cirúrgica e calculada para manter a estratégia de desidratar os poderes do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para lideranças do chamado Centrão, bloco composto de algumas das mais influentes legendas de centro, a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas manifestações do último domingo, 19, não implode a ponte que vinha sendo construída, mas coloca a abertura do diálogo de volta à “estaca zero”.

Não é a primeira vez que Bolsonaro acena com uma aproximação aos caciques do Centrão. No fim de fevereiro, o governo iniciou uma proximidade semelhante. Bolsonaro chancelou a sondagem por articuladores de nomes influentes da política nacional.

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Alguns desses caciques são até mesmo pessoas com quem Bolsonaro mantém conversas atualmente. A exemplo do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e do presidente do PP, Ciro Nogueira (PI). O presidente da República os recebeu em 15 e 7 de abril no Palácio do Planalto, respectivamente.

As conversas iniciadas em fevereiro se estenderam a outros caciques, do MDB, PL, PP e Republicanos. Contudo, Bolsonaro voltou atrás na decisão e rompeu a interlocução. O sinal vermelho foi dado em 7 de março, quando, em escala em Boa Vista (RR), o presidente incentivou as manifestações de 15 de março.

Republicanas

A classe política interpreta os movimentos de Bolsonaro com as ruas como uma forma de coação. Na manifestação de domingo, apesar de o presidente ter dito que faria de tudo para garantir a democracia e a liberdade — fala reforçada nesta segunda-feira, 20 —, repercutiram mal os ataques à “velha política”. Em um trecho, disse não querer “negociar nada”.

Os líderes partidários com quem Bolsonaro conversa asseguram o desejo de manter conversas republicanas, não negociatas às escuras. A ponto de não verem problema em manter um relacionamento sob a supervisão dos militares, que não tolerarão quaisquer atos de corrupção.

Em março, toda a articulação com os caciques foi rompida na mesma velocidade com que começou. Por esse motivo, dentro desses mesmos partidos com quem Bolsonaro conversa atualmente há quem avalie a retomada do diálogo como uma armadilha.

Armadilha

A linha de pensamento é que, a qualquer momento, Bolsonaro voltará a implodir a ponte com o Centrão. “Vai detonar o Centrão e deixar vazar que foi chantageado. Isso é uma questão de tempo”, pondera um parlamentar. O problema, diz outro congressista, é que, se isso realmente acontecer, poderá ser a última chance de o governo enfraquecer os poderes de Maia.

Mas é preciso reconhecer, também, que essa é a primeira vez que Bolsonaro atua efetivamente no diálogo direto. Em outras ocasiões, ele deu o aval para conversas, mas manteve distanciamento. Desta vez, ele está no front e participa do diálogo diretamente.

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5 comentários
  1. Jose Inacio Junior
    Jose Inacio Junior

    Rodolfo Costa vc é vermelhinho. Devia ir para a Folha.

    1. Renato Perim
      Renato Perim

      Tive exatamente a mesma impressão Junior. Vermelhinho. Não sei o que ele está fazendo aqui na Oeste.

  2. JOSE PLÁCIDO
    JOSE PLÁCIDO

    A esquerda já tomou o poder. O Primeiro Ministro dos Ratos é o seu líder.
    Creio que o pragmatismo será necessário (com nó na garganta) pra evitar a derrocada total do governo. Ainda que ao custo de uma nova “facada”.

  3. María Soledad de la Quintana Brüggemann
    María Soledad de la Quintana Brüggemann

    Valdemar Costa Neto, Gilberto Kassab, Ciro Nogueira e Roberto Jefferson. Esse é o centrão, aquele que esteve junto com Lulla e Dilma. Essa é a velha política. Bolsonaro está se alinhando ao estilo usado pelos petistas. Na primeira curva, um dos quatro vai dar-lhe uma facada nas costas.

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