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Política

Fux: 'É antidemocrático criar direito ao aborto pela via judicial'

Ministro do STF votou contra a decisão de Barroso que autoriza enfermeiros a fazerem a interrupção da gravidez

luiz fux
O presidente recém-empossado do STF, ministro Luiz Fux — 10/9/2020 | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Nesta sexta-feira, 24, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou contra a decisão de Luís Roberto Barroso que autorizou enfermeiros e técnicos de enfermagem a realizarem o aborto nos casos permitidos.

O voto foi apresentado no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 1.207, da qual o Psol figura como um dos autores.

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Barroso havia concedido liminar para estender o procedimento a outras categorias da área da saúde, além de suspender processos e decisões que impedissem a prática nessas condições.

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Fux, porém, entendeu que o Supremo não pode “criar um direito constitucional ao aborto pela via judicial” e afirmou que a discussão deve ocorrer no Parlamento.

“A pretensão das requerentes de criar um direito constitucional ao aborto pela via judicial é inegavelmente antidemocrática”, escreveu Fux. “Visto que atropela a decisão consciente do constituinte originário de deixar a matéria no âmbito da discricionariedade do Congresso Nacional.”

Voto de Fux no caso do aborto

luís roberto barroso
Luís Roberto Barroso, então ministro do Supremo Tribunal Federal, participa do seminário 35 anos da Constituição Federal | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fux também considerou “contrassenso” autorizar enfermeiros a realizarem o procedimento. Ele lembrou que, pela legislação, apenas médicos têm competência para verificar se determinado caso é enquadrado nas exceções penais.

O juiz do STF criticou a dispensa de registro policial em casos de estupro, prevista na liminar de Barroso.

De acordo com Fux, a medida “transforma as limitações legais ao abortamento em um nada jurídico” e equivale a uma “revogação dos crimes previstos nos artigos 124 a 126 do Código Penal sem a devida deliberação pelo Congresso”.

“Ainda que se pudesse cogitar da existência de urgência, seria necessário reconhecer a presença de um periculum in mora inverso, consistente no risco de eliminar vidas humanas durante a fase gestacional fora dos parâmetros democraticamente estabelecidos pelo legislador”, acrescentou Fux.

Leia também: “Fiat Lux”, artigo publicado na Edição 293 da Revista Oeste

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4 comentários
  1. Jarlan Barroso Botelho
    Jarlan Barroso Botelho

    Mais uma vez, o Ministro Luiz Fux, mostrou que se trata efetivamente do único juiz de verdade existente no Supremo. Suas decisões são técnicas e embasas eminentemente no direito, o que infelizmente não ocorre com outros ministros, que são acima de tudo, militantes de esquerda com assento no Supremo.

  2. Roberto Matos dos Santos
    Roberto Matos dos Santos

    Qualquer sanção internacional que recaia sobre Barroso é muito pouco para que ele pague, ainda em vida, pelo legado macabro que ele deixa no STF.
    Vai, com certeza, penar no umbral por muito tempo quando desencarnar.

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