A bancada do livre mercado intensificou críticas a projetos em tramitação no Congresso Nacional que propõem ampliar a regulação de plataformas digitais. Segundo integrantes do grupo, as iniciativas podem afetar a liberdade de expressão e gerar impactos no ambiente econômico, ao aumentar a intervenção estatal sobre o setor.
Entre os pontos levantados estão o risco de insegurança jurídica e possíveis efeitos sobre a atuação de empresas e usuários nas redes. Parlamentares também argumentaram que as propostas avançam sobre um ambiente já regulado e podem impor novas obrigações com reflexos diretos na inovação e no desenvolvimento tecnológico.
Receba nossas atualizações
+ Moraes quer impor censura globalmente, diz relatório dos EUA
As críticas foram reforçadas durante debate realizado no Fórum da Liberdade, realizada pelo Instituto Livre Mercado em Porto Alegre, que reuniu representantes do Congresso e especialistas para discutir os limites da atuação do Estado no ambiente digital.

A deputada Any Ortiz (PP-RS) destacou o contexto em que as propostas estão sendo discutidas. “É um debate importante, principalmente em ano de eleições”, afirmou.
+ Juíza acata pedido de petista aliado de Dino e censura reportagem
Já a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) relacionou o tema ao funcionamento do mercado e da sociedade. “A liberdade de expressão é tão importante para o livre mercado como o ar é para o ser humano”, disse.

Críticas à regulação digital
A mediação do debate ficou a cargo da advogada Anna Laura Alvarenga, coordenadora de tecnologia, consumo e inovação do Instituto Livre Mercado (ILM), que criticou o avanço de propostas regulatórias.
Para Alvarenga, tratam-se de “projetos de lei que visam regulamentar o ambiente digital no Brasil, tutelam a liberdade de expressão e inibem a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias”.
A coordenadora também afirmou que o país já possui excesso de normas no setor e que o problema estaria na ineficiência da regulação existente. Ela ainda alertou para os efeitos durante o período eleitoral, destacando que a ampliação de regras pode afetar tanto pessoas físicas quanto jurídicas.
“Não é preciso mais regulamentação, a gente já tem regulamentação demais, regulamentação ineficiente, e a gente precisa agora proteger a palavra, proteger as pessoas, proteger a liberdade”, disse.
Os projetos em debate
- PL 4.675/2025 — Regulação de plataformas com “relevância sistêmica”: O projeto altera a legislação concorrencial e cria a figura de agentes econômicos de “relevância sistêmica” em mercados digitais, submetendo grandes plataformas a obrigações específicas. Entre elas, estão exigências de transparência sobre critérios de ranqueamento, uso de dados e funcionamento de serviços, além de proibições de práticas consideradas anticoncorrenciais. Também prevê a criação de uma Superintendência de Mercados Digitais no Cade para fiscalizar essas empresas.
- PL 2.338/2023 — Marco regulatório da inteligência artificial: A proposta estabelece normas gerais para o desenvolvimento e uso de sistemas de inteligência artificial no Brasil, com foco na proteção de direitos fundamentais e na governança da tecnologia. O texto prevê classificação de sistemas por nível de risco e impõe obrigações mais rigorosas para aplicações de alto risco, como avaliação de impacto, transparência e possibilidade de revisão humana de decisões automatizadas. O projeto, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já foi aprovado no Senado e está em tramitação na Câmara.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste





































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.